Trabalho da polícia e legista marcam segundo dia de júri do caso Isabella; fotos de corpo chocam presentes
Rosanne D'Agostino
Do UOL Notícias
Em São Paulo
Em cerca de onze horas de sessão, os presentes ao segundo dia de júri popular de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá nesta terça-feira (23) pela morte da Isabella Nardoni, 5, ouviram três
Acusação e defesa resumem segundo dia
testemunhas de acusação, que tentaram comprovar que o casal, pai e madrasta da menina, a agrediu e jogou pela janela do 6º andar do edifício London em março de 2008. Pela primeira vez foi usada a maquete do prédio e fotos do corpo da menina no IML (Instituto Médico Legal) chocaram familiares e jurados.
O momento mais marcante foi a apresentação de fotos de Isabella pelo legista Paulo Tieppo Alves. A avó de Isabella, mãe de Ana Carolina Oliveira, chorou e chegou a deixar a sala do júri. Antes, o legista afirmara que um conjunto de traumas provocou a morte da menina, como já havia sido divulgado: uma asfixia causada por esganadura, uma queda dentro do apartamento, possivelmente provocada por alguém que a jogou, e a queda da janela. Mas também trouxe um laudo minuciosamente explicado: que mostra que alguém tentou calar a boca da menina para impedir seus gritos.
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Antes, depôs a delegada do caso, Renata Pontes, que fazia o plantão no 9º DP (Carandiru) quando a menina foi morta. A policial defendeu as investigações do caso, negou qualquer abuso de autoridade policial contra o casal e afirmou ter “100% de certeza” de que Anna Carolina e Alexandre mataram Isabella. O depoimento começou com uma hora de atraso, para a montagem da maquete de cerca de 2 metros, que agora ocupa grande parte do plenário do 2º Tribunal do Júri do Fórum de Santana, onde o casal é julgado desde esta segunda (22).
O último e mais curto depoimento foi o do perito baiano Luiz Eduardo Carvalho Dórea, que somente teve o nome divulgado nesta terça. Autor do livro “Manchas de Sangue como Indício em Local de Crime”, Dórea foi chamado perante o tribunal para comentar um laudo feito a pedido da defesa sobre as gotas de sangue de Isabella encontradas no apartamento. Perdeu força quando a própria defesa descartou usar o laudo, feito pela perita Delma Gama extraoficialmente.
Ao final dos trabalhos, o advogado do casal, Roberto Podval, afirmou que nenhum dos depoimentos, embora mostrem como Isabella morreu, conseguem atribuir o assassinato aos Nardoni. Para o defensor, até o momento, só foram feitas suposições. “Saber como ocorreu o crime, nós sabemos. Daí ter a autoria e ver se foram eles, está muito distante”, disse.
Já o promotor Francisco Cembranelli acredita que os testemunhos serviram para demonstrar que Isabella foi brutalmente assassinada pelo casal. “Não há incoerência alguma, os depoimentos são apenas um fragmento do que a Promotoria ainda vai apresentar. Sairei daqui com o veredicto que espelhe a verdade”, afirmou.
O que deve ainda acontecer no júri do ano
Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá são réus por homicídio triplamente qualificado e fraude processual (entenda as acusações). O julgamento teve início nesta segunda-feira (22), quando o casal se encontrou pela primeira vez desde maio de 2008, durante interrogatórios do processo. Também foi ouvido o testemunho-chave da acusação. Ana Oliveira, mãe de Isabella, chorou junto com Alexandre, relatou o ciúme da madrasta e as brigas em família.
O casal é julgado por quatro mulheres e três homens, que devem dar o veredicto até a sexta-feira (26). Destes, cinco nunca participaram de um júri e receberam orientações do juiz Maurício Fossen, que conduz os trabalhos.
Antes do sorteio dos jurados, a defesa do casal fez requerimentos para adiar o júri e realizar diligências. Todos foram negados pelo juiz.
Ao final dos depoimentos de todas as testemunhas, ocorrem os debates, quando defesa e acusação apresentam seus argumentos. São três horas para cada parte. Se o Ministério Público pedir réplica, de uma hora, a defesa tem direito à tréplica, também de uma hora.
Ao final, o júri se reúne em uma sala secreta para responder a quesitos formulados pelo juiz. Eles decidirão se o casal cometeu o crime, se pode ser considerado culpado pela atitude, e se há agravantes ou atenuantes, como ser réu primário. De posse do veredicto, se houver condenação, o juiz dosa a pena com base no Código Penal. Se houver absolvição, os Nardoni deixam o tribunal livres.
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