Irmão do pastor Marcos Pereira é chamado a depor por publicações em rede social

Paula Bianchi
Do UOL, no Rio

  • Divulgação/Seap

    O pastor Marcos Pereira, 56, presidente da igreja Adud (Assembleia de Deus dos Últimos Dias), foi preso sob a suspeita de estupros, homicídio, associação para o tráfico de drogas e lavagem de dinheiro

    O pastor Marcos Pereira, 56, presidente da igreja Adud (Assembleia de Deus dos Últimos Dias), foi preso sob a suspeita de estupros, homicídio, associação para o tráfico de drogas e lavagem de dinheiro

O irmão do pastor Marcos Pereira, Allan Pereira, foi intimado a depor nesta terça-feira (21) para que explique as imagens de vítimas e testemunhas que acusam o religioso de cometer crime que ele postou em redes sociais.

Segundo a Polícia Civil, também foi instaurado um inquérito contra Allan pelo crime de injúria devido as ofensas que o irmão do pastor escreveu contra o delegado Márcio Mendonça, titular da Delegacia de Combate às Drogas, na rede social.

O pastor Marcos Pereira foi preso no começo do mês, suspeito de abusar sexualmente de seis fiéis da igreja que comanda, a Assembleia de Deus dos Últimos Dias. Uma das vítimas já foi casada com o pastor e teria sido abusada enquanto ainda era mulher do suspeito.

Em depoimento à polícia, uma das mulheres contou que foi estuprada por Marcos Pereira dos 14 aos 22 anos.

Nova testemunha confirma denúncias contra pastor no RJ

Segundo Mendonça, as investigações começaram há pouco mais de um ano, a partir de acusações que o coordenador da ONG AfroReggae, José Júnior, fez sobre o suposto envolvimento de Marcos Pereira com tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. Ao longo das investigações, a polícia descobriu que o pastor teria estuprado algumas fiéis, entre elas três menores de idade.

Ele é investigado ainda pela suposta participação em quatro homicídios, esquemas de lavagem de dinheiro e organização de orgias com menores de idade em um apartamento em Copacabana avaliado em R$ 8 milhões e registrado em nome da Assembleia de Deus dos Últimos Dias. As pessoas eram chamadas para cultos, mas Pereira as forçava a participar da orgia para "serem purificadas", segundo o delegado. O policial disse ainda que o pastor costumava agir com violência, e que obrigava mulheres a fazer sexo com mulheres e homens a transar com homens.

Um dos assassinatos no qual Marcos Pereira estaria envolvido seria o de uma jovem que descobriu as orgias e teria tentado denunciá-lo. Um sobrinho de Marcos Pereira também estaria envolvido nesta morte. O pastor não possui formação em Teologia, por isso, será encaminhado nesta quarta-feira (22) a uma prisão comum no Complexo Penitenciário de Gericinó, na zona oeste.

Marcos Pereira ganhou notoriedade por ajudar na reabilitação de dependentes químicos e resgatar criminosos ameaçados de morte por traficantes. Em 2004, ele negociou com detentos o fim de uma rebelião em um presídio no Rio de Janeiro.

Ele chegou a trabalhar junto com a ONG AfroReggae, que se dedica a recuperar moradores de favelas que tiveram envolvimento com o tráfico de drogas. A parceria terminou em fevereiro de 2012, quando José Júnior, em entrevista ao jornal "Extra", acusou o pastor de ter ordenado os ataques realizados por traficantes contra policiais do Rio, em 2006 e 2010. Pereira negou as acusações e processou Júnior por calúnia e difamação, mas o processo foi extinto pela Justiça.

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