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Após mirar direitos, ministro diz que não pretende "redimensionar o SUS"

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Imagem: Reprodução

Do UOL, em São Paulo

17/05/2016 12h29Atualizada em 17/05/2016 16h22

O ministro da Saúde, Ricardo Barros, afirmou que não pretende redimensionar o SUS (Sistema Único de Saúde), informou o ministério em nota. A frase veio após a publicação de entrevista para a Folha de S. Paulo em que o ministro afirma que em algum momento, o país não conseguirá mais sustentar os direitos que a Constituição garante –como o acesso universal à saúde– e que será preciso repensá-los.

A negação do que foi divulgado pelo jornal teria sido dada durante encontro de especialistas sobre a situação da malária no país, em Brasília (DF). “O SUS é uma cláusula da constituição, um direito garantido, que prevê saúde universal, para toda a população. (...) Eu não tenho nenhuma pretensão de redimensionar o SUS. O que nós precisamos é capacidade de financiamento para atender suas demandas. Agora, só conseguiremos isso, espaço fiscal para a saúde, se nós conseguirmos repactuar os gastos que estão sendo excessivos na previdência”, disse Barros.

O novo ministro destacou novamente que sua prioridade é exatamente melhorar os gastos públicos. "Atualmente, a previdência consome 50% da arrecadação federal, comprometendo as demais áreas sociais. O ministro reforça que esse foi o conteúdo da entrevista concedida à imprensa, embora o título da matéria publicada nesta terça-feira não reflete exatamente as suas declarações", informou o ministério na nota.

Em entrevista exclusiva para a Folha, o ministro afirmou: "Vamos ter que repactuar, como aconteceu na Grécia, que cortou as aposentadorias, e em outros países que tiveram que repactuar as obrigações do Estado porque ele não tinha mais capacidade de sustentá-las".

Barros teve a campanha eleitoral financiada em parte por um dos principais operadores de planos de saúde do país.

Farmácia Popular e Samu só têm recursos até agosto

Dos R$ 118 bilhões previstos no orçamento deste ano para a Saúde, R$ 9,9 bilhões foram contingenciados. Com o corte, recursos para custear programas considerados essenciais, como Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), Farmácia Popular e Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), são suficientes somente até agosto. Pelo orçamento atual, também não há verba para custear internações, cirurgias e outros procedimentos chamados de média e alta complexidade em dezembro.