Entenda a importância e as polêmicas das eleições na Rússia


Desde os anos 1990, a eleição presidencial na Rússia não atraía tanta atenção mundial.

Os meses que antecederam o pleito foram marcados por acusações de fraude na eleição parlamentar realizada em dezembro e por protestos da oposição contra o favorito, o premiê Vladimir Putin, que pode voltar à Presidência para o que seria seu terceiro mandato.

A BBC preparou uma série de perguntas e respostas sobre as eleições na Rússia.

Como funcionam as eleições?

Um candidato à Presidência precisa de mais de 50% dos votos para vencer no primeiro turno. Se não houver um vencedor, os dois primeiros colocados disputam um segundo turno.

Quem está concorrendo?

Além de Putin, outros quatro candidatos estão concorrendo: o líder do Partido Comunista, Gennady Zyuganov, o nacionalista Vladimir Zhirinovsky, o líder do partido Só Rússia, Sergei Mironov, e o empresário e milionário Mikhail Prokhorov.

O que está em jogo?

Espera-se que Putin vença com facilidade. Mas a votação também é vista como uma espécie de referendo sobre os 12 anos de predomínio quase inconteste de Putin na política russa.

Depois de dois mandatos de quatro anos, a Presidência foi assumida pelo seu aliado próximo, Dmitry Medvedev, em 2006. Putin tornou-se premiê, mas a percepção geral é de que ele continuou sendo a figura política mais poderosa do país.

Em 2011, partes da sociedade russa - sobretudo uma nova classe média urbana descontente com a corrupção - mostraram-se insatisfeitas com o anúncio de que Putin concorreria a um terceiro mandato.

Em dezembro, após suspeitas de fraudes nas eleições parlamentares, Moscou foi palco de protestos da oposição - os maiores do tipo desde o colapso da União Soviética.

Como os protestos da oposição afetarão a eleição?

Os movimentos de oposição tiveram pequeno impacto na popularidade de Putin junto ao grande eleitorado. No entanto, os protestos deram início a uma série de campanhas para que se monitore com maior cuidado as eleições.

Dois grupos independentes de monitoramento de eleições surgiram: a Liga de Eleitores, formada em janeiro por líderes dos protestos de dezembro, e o Rosvybory, administrado pelo blogueiro e ativista anticorrupção Alexei Navalny.

Ambos os grupos estão em contato com a Golos ("Voto" ou "Voz", em russo), a entidade independente de monitoramento de eleições mais antiga do país. Os grupos têm usado campanhas no YouTube e em aplicativos de celular para recrutar voluntários.

Qual foi a resposta das autoridades aos protestos?

A principal mudança foi uma ordem de Putin para que sejam instaladas câmeras em todos os 96 mil postos de votação do país. A Comissão Central de Eleição determinou que todos os diretores de postos de votação sejam obrigados a exibir diante das câmeras todas as páginas dos registros de comparecimento.

Críticos dizem que não há gente suficiente para examinar todos os vídeos que serão gerados no processo. Além disso, monitores da oposição não terão acesso aos vídeos.

A organização Golos reclama ter sido expulsa de sua sede e diz que está sofrendo coerção por parte das autoridades. Os novos grupos de monitoramento disseram que não sofreram retaliações até o momento.

O monitoramento das eleições vai dar resultado?

Ativistas de oposição dizem que fraudes podem ter sido responsáveis por uma alteração de 15% dos votos nas eleições parlamentares de dezembro. Por isso, o monitoramento do pleito presidencial pode ter um grande impacto no resultado das eleições.

No entanto, também há dúvidas sobre o grau de eficiência do monitoramento. Em teoria, os grupos teriam acesso irrestrito aos postos de votação, no entanto, experiências passadas mostram que muitos chegam a ser expulsos dos locais.

Além disso, os grupos de monitoramento estarão concentrados nos grandes centros urbanos, mas praticamente ausentes das zonas rurais.

Qual será o papel da imprensa e da mídia?

Como no passado, Putin conta com o apoio dos principais canais de televisão, que são estatais. Algumas redes de TV menores e privadas possuem linhas editoriais distintas, mas o seu alcance é menor.

A cobertura recente da TV estatal mostra Putin como um líder forte e masculino, capaz de defender os interesses nacionais russos dentro do país e no exterior.

Desde o pleito em dezembro, os canais de televisão estatais relaxaram suas restrições a grupos críticos ao regime. Alguns políticos mais críticos estão voltando a ser entrevistados, depois de anos sem aparecerem na TV estatal.

No entanto, outros grupos que fazem uma defesa mais empenhada da liberdade de expressão - como a rádio liberal Ekho Moskvy e o jornal Novaya Gazeta - estão sofrendo um cerco maior.

Putin causou indignação entre alguns opositores ao não participar de debates televisivos, alegando uma agenda muito ocupada no cargo de premiê.

Enquanto a TV, que é importante na formação da opinião pública russa, continua pendendo em favor de Putin, a internet tem sido cada vez mais usada por opositores.

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