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    • São Paulo [5106]; SP [5110];
    • Urbanismo [22230];
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São Paulo é uma cidade que cresceu sem planejamento? Se a resposta mais próxima do lugar comum pode ser "sim", a razão disso, paradoxalmente, talvez não seja a falta de planos e projetos. No século passado e neste, arquitetos e urbanistas, engenheiros e pesquisadores de outras áreas gastaram muito tempo trabalhando em soluções para a cidade. Profissionais como Oscar Niemeyer e Vilanova Artigas. O poder público gastou dinheiro na contratação de projetos, mas deixou diversos deles de lado. Outro paradoxo: apesar de abandonadas, algumas propostas influenciaram obras realizadas posteriormente e se refletem na cidade real. Conheça projetos que não foram executados ou que só saíram parcialmente do papel Arte/UOL Mais

O curso natural do rio Tietê era muito diferente do leito retificado de hoje. Acima, os meandros antes da retificação realizada na primeira gestão de Prestes Maia na prefeitura (1938-1945). O maior rio de São Paulo e suas margens alagadiças foram objetos de diversos projetos durante o século 20. A região, de fato, se transformou radicalmente, mas muitas das propostas para o Tietê ficaram pelo caminho FFLCH-USP/Reprodução Mais

No "Estudo de um Plano de Avenidas para a Cidade de São Paulo", publicado pelo próprio Prestes Maia em 1930, o engenheiro que viria a ser prefeito propunha a construção de avenidas marginais dos dois lados do rio, mas seriam avenidas parque, com áreas verdes, instalações esportivas e moradias. Maia também pretendia tirar as ferrovias da área conhecida hoje como centro expandido e instalá-las ao norte do Tietê, outra proposta jamais concretizada Livro "A cidade que não pode parar", de Nadia Somekh e Candido Malta Campos/Reprodução Mais

Ao longo do século 20, também foram feitos muitos estudos para a construção de um Paço que abrigasse a sede da prefeitura de São Paulo. Jânio Quadros assumiu a prefeitura em 1986 e no mesmo ano contratou o arquiteto Oscar Niemeyer para confeccionar um projeto de reurbanização da margem sul do Tietê que incluísse um Centro Cívico, também com o propósito de abrigar a sede da administração municipal. Pelo projeto de Niemeyer, o Centro ficaria entre a ponte Cruzeiro do Sul e o estádio do Canindé Luiz Carlos Murauskas/Folhapress Mais

Niemeyer propôs a desapropriação de 18 km ao longo do rio, da Vila Anastácio até a Penha, o desvio da marginal Tietê e a criação de um "imenso jardim" para tornar a várzea mais permeável, o que ajudaria a combater os efeitos das enchentes do rio. Nos dez milhões de metros quadrados da área, seriam instalados equipamentos de lazer, dois setores residenciais, dois de escritórios, um centro cívico-administrativo e outro cultural Silvestre P. Silva/Folhapress Mais

Niemeyer apresentou as maquetes, como a da sede da prefeitura (à direita), e Jânio Quadros assinou o decreto para a desapropriação da área. No entanto, o prefeito disse que a gestão municipal não tinha condições financeiras de executar todas as obras propostas. O projeto acabou caindo no esquecimento; nenhum item saiu do papel Matuiti Mayezo/Folhapress Mais

Publicado em 1969, o PUB (Plano Urbanístico Básico) foi encomendado pelo prefeito Faria Lima a empresas brasileiras e norte-americanas para ser o primeiro plano diretor da cidade. Para facilitar os deslocamentos, o plano propunha uma rede de metrô de 450 km, o que incluía a modernização das ferrovias suburbanas, e uma malha ortogonal de 815 km de vias expressas. Essa estrutura de mobilidade jamais foi alcançada. O PUB também recomendava a descentralização da metrópole, com a formação de centros sub-regionais. Um deles seria Itaquera, bairro que na época marcava a fronteira entre o urbano e o rural na zona leste. O plano foi engavetado ainda em 1969 por Paulo Maluf, nomeado pela ditadura para suceder Faria Lima na prefeitura Livro "A cidade que não pode parar", de Nadia Somekh e Candido Malta Campos/Reprodução Mais

Não é de hoje que se pensa em restringir a circulação de carros na avenida Paulista. O projeto Nova Paulista, concebido em 1967 pelo engenheiro Figueiredo Ferraz e pelo arquiteto Nadir Mezerani, previa uma via subterrânea para veículos. A Paulista seria uma esplanada para pedestres. O projeto começou a sair do papel. Inaugurado em 1971, o trecho inicial do túnel semiaberto avança por um pequeno trecho da Paulista, entre as ruas da Consolação e Haddock Lobo. O túnel foi escavado até o bairro do Paraíso, mas a obra foi abandonada durante a ditadura Junior Lago/UOL Mais

O projeto Nova Paulista, concebido em 1967 pelo engenheiro Figueiredo Ferraz e pelo arquiteto Nadir Mezerani, previa uma via subterrânea para veículos. Inaugurado em 1971, o trecho inicial do túnel semiaberto avança por um pequeno trecho da Paulista, entre as ruas da Consolação e Haddock Lobo, e representa aquilo que a avenida poderia ter se tornado ao longo de toda sua extensão. O túnel foi escavado até o bairro do Paraíso, mas a obra foi interrompida e abandonada Junior Lago/UOL Mais

Com a obra do túnel sob a Paulista ainda em andamento, o arquiteto e urbanista Jorge Wilheim elaborou um estudo sobre o fechamento para veículos de outra famosa via de São Paulo: a rua Augusta. Batizado de "Nova Augusta", o projeto abrangia sete quadras da via, entre a alameda Santos e a rua Estados Unidos, nos Jardins. Wilheim propunha a construção de terraços e jardineiras ao longo do trecho e um estacionamento subterrâneo na alameda Tietê. Para o urbanista, São Paulo desperdiçava as vistas panorâmicas de ladeiras como a da Augusta. "Aproveitei a declividade para criar terraços que pudessem servir de pontos de encontro", escreveu Jorge Wilheim Mais

Em junho de 1973, o prefeito Figueiredo Ferraz (1971-1973) decidiu testar a proposta de fechar a rua Augusta para carros antes de iniciar a obra proposta por Jorge Wilheim. Aos sábados, pedestres puderam caminhar à vontade pela via, das 8h às 14h. Mas Ferraz deixou a prefeitura logo depois, em agosto daquele ano, e o projeto de Wilheim foi abandonado Estadão Conteúdo Mais

Em 1974, a prefeitura contratou o arquiteto Vilanova Artigas para realizar um plano de reorganização do vale do Anhangabaú, no centro de São Paulo. O objetivo era solucionar o conflito entre pedestres e veículos e organizar a operação dos ônibus no trecho entre a praça da Bandeira e o viaduto Santa Efigênia. Artigas levou em conta a importância do vale como parte da ligação entre os rios Tietê e Pinheiros e decidiu fazer propostas para todo o eixo-norte sul, abrangendo as avenidas Tiradentes, Prestes Maia e Nove de Julho: trevos, alças de acesso, passarelas, pontes, viadutos, rebaixamentos e retificações de vias para separar os fluxos de pedestres e veículos Arquivo pessoal/Reprodução Mais

Para Vilanova Artigas, o eixo norte-sul deveria ser uma via expressa que permitisse a circulação de veículos entre o Tietê e o Pinheiros praticamente sem paradas. No Anhangabaú, os ônibus contariam com duas estações nas praças da Bandeira e Pedro Lessa. Ainda no vale, os pedestres contariam com um circuito para circular, inclusive com passarelas entre as duas estações de ônibus. O calçamento dos passeios ganharia um novo desenho, sob a direção do paisagista Roberto Burle Marx. O plano tornou-se mais um dos que a prefeitura abandonou no período da ditadura Arquivo pessoal/Reprodução Mais

Contratado pela então recém-criada Companhia do Metropolitano, o consórcio HMD, formado por duas empresas alemãs e uma brasileira, propôs em 1968 a rede básica que o metrô paulistano deveria ter até 1980. A malha proposta tinha 66 km de extensão. O projeto norteou a construção da rede desde então, mas algumas mudanças foram feitas. Pela proposta original, a linha 3-vermelha teria um traçado bem diferente: da Vila Maria até a Casa Verde, bairros da zona norte. Na década de 1970, a prefeitura e os governo estadual e federal decidiram descartar a proposta e construir o traçado atual, entre Itaquera, na zona leste, e Barra Funda, na zona oeste Livro "A cidade que não pode parar", de Nadia Somekh e Candido Malta Campos/Reprodução Mais

Outra mudança expressiva do projeto original do metrô aconteceu na linha 4-amarela, que hoje liga a zona oeste à região central. Ela teria um complemento a leste para servir os bairros do Cambuci e do Ipiranga, na zona sul, e um ramal para atender o bairro da Mooca, na zona leste. A estação Pedro 2º, inaugurada em 1979, possui uma plataforma a mais porque se contava com a construção do ramal da Mooca. Porém, todo o complemento da linha 4 foi descartado na década de 1980, o que fez com que a segunda plataforma da estação Pedro 2º (na parte de baixo da foto) jamais tivesse uso Davi Ribeiro/Folhapress Mais

O deserpedício de projetos perdura no século 21. Em 2003, o escritório Vigliecca & Associados, do arquiteto uruguaio Hector Vigliecca, venceu o concurso promovido pelo governo do Estado de São Paulo para modernizar e ampliar o Conjunto Desportivo Constâncio Vaz Guimarães, que inclui o ginásio do Ibirapuera, o estádio Ícaro de Castro Melo, piscinas, centros de luta e quadras. O projeto previa a reorganização do conjunto inaugurado em 1957 e a criação de uma praça elevada unindo as edificações. Sob a praça, haveria espaço para novas possibilidades de uso. Também haveria algumas demolições no conjunto. O local, que já fez parte do parque do Ibirapuera, voltaria a ter conexão com a cidade Vigliecca & Associados Mais

Pela proposta, as edificações, como o ginásio do Ibirapuera, teriam suas essências preservadas, mas passariam por adaptações. O projeto foi desenvolvido entre 2005 e 2006 e entregue ao governo estadual. O conjunto seria concedido à iniciativa privada, que arcaria com os custos da modernização. No entanto, o projeto caiu no esquecimento, e o conjunto ainda é mantido financeiramente pelo governo do Estado Vigliecca & Associados Mais

Vencedores em 2001 do Pritzker, o maior prêmio de arquitetura do mundo, os suíços Jacques Herzog e Pierre De Meuron foram contratados sem licitação pelo governo do Estado de São Paulo para projetar o Complexo Cultural Luz. Apresentado em 2012, o projeto previa a construção de um teatro com capacidade para 1.750 lugares, outras dois teatros menores, escolas de música e de dança na região central. O governo estadual chegou a gastar R$ 118 milhões no projeto do complexo, mas a gestão Geraldo Alckmin (PSDB) decidiu abandoná-lo em março de 2015. Meses depois, a Justiça declarou nulo o contrato com os suíços, condenou o ex-secretário estadual da Cultura João Sayad a ressarcir os cofres públicos e determinou que os suíços devolvessem os quase R$ 40 milhões que receberam Eduardo Knapp/Folhapress Mais

Em 2008, o escritório MMBB Arquitetos fez o projeto urbano do córrego do Antonico, em Paraisópolis, a segunda maior favela da cidade, situada na zona sul. O córrego e o entorno são ocupados por moradias e recebem esgoto clandestino. Pelo projeto, unidades habitacionais seriam criadas para receber moradores que ocupam as proximidades do córrego MMBB Arquitetos Mais

Desenvolvido para o programa de urbanização de favelas, da prefeitura, o projeto dos arquitetos propõe que o canal e suas margens se transformem em uma nova estrutura e em um novo espaço para o lazer do moradores. O canal passaria a contar com um galeria subterrânea capaz de suportar a vazão em épocas de cheia MMBB Arquitetos Mais

Também em 2008, o arquiteto chileno Alejando Aravena, que acabou de vencer o prêmio Pritzker, projetou prédios com 120 apartamentos e espaços para lojas no térreo para abrigar moradores da favela de Paraisópolis. As unidades contariam com uma varanda livre para o caso de o morador optar pela ampliação de um quarto no futuro. A própria gestão Gilberto Kassab (PSD), que havia convidado o arquiteto, descartou o projeto Reprodução Mais

A São Paulo que não aconteceu; veja projetos que ficaram no papel

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