Como encontrar o nome vencedor para a sua marca? Veja quatro dicas

Richard Branson

Richard Branson

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P.: Sou um estudante brasileiro de 21 anos cursando administração em Portugal. Também estou trabalhando em um plano de negócios que espero lançar quando voltar para o Brasil. Quero criar minha própria marca de roupas masculinas para o mercado de luxo, começando com camisas e acessórios como gravatas, para talvez depois expandir para calças, sapatos e casacos. Meu objetivo é ter minha própria loja algum dia, e talvez ter lojas no mundo inteiro.

Mas estou tendo dificuldades para lidar com uma parte muito importante do negócio: dar um nome à marca! Meu público-alvo é composto de homens másculos, estilosos. Que tipo de conselho você me daria para encontrar um nome certeiro?

-- Humberto Leal Filho, Portugal

R.: Eu fundei muitas empresas, mas não me considero um especialista em dar nome a elas. Minha experiência com marcas se deu basicamente em duas empresas: a "Student" e a "Virgin". Ambas as experiências me deram alguns insights que talvez sejam úteis para você, Humberto.

Como observei anteriormente, a "Student" foi meu primeiro negócio, uma revista que comecei com um grupo de amigos quando estávamos no colegial. A revista era dedicada a dar voz aos jovens, ao focar em questões com as quais eles mais se importavam. O nome era autoexplicativo: a "Student" resumia nossa essência, o que tornava relativamente fácil apresentar ideias para colaboradores, anunciantes e entrevistados.

Na época, eu sentia que a revista era só o começo para nossa marca. Podíamos levá-la para muitas direções: palestras "Student", uma agência de viagens "Student", ou até apartamentos "Student". Eu não via a "Student" como um fim em si, um substantivo; eu a via como o início de toda uma gama de serviços, um adjetivo. Como uma marca, a "Student" era flexível, e só o nome já seria imediatamente reconhecido e evocaria valores essenciais.

Então decidimos expandir. A partir da revista "Student", nós lançamos o Student Advisory Center, uma hotline para a qual os jovens poderiam ligar pedindo conselhos sobre saúde física e mental. Mas o sonho de nossa equipe de entrar em outras indústrias só decolou um pouco mais tarde.

Enquanto tocávamos a revista, percebemos outra oportunidade interessante de negócio. Quase todo mundo que conhecíamos passava muito tempo ouvindo música e gastava muito dinheiro comprando álbuns. Raramente desligávamos o toca-discos em nossos escritórios, e todos sempre saíam correndo para comprar o último álbum dos Rolling Stones, de Bob Dylan ou do Jefferson Airplane no dia em que eles eram lançados. Pensei no alto custo dos discos e em nossos leitores, e decidi que deveríamos vender discos por um preço mais baixo criando um serviço de encomenda por correio e anunciando-o na revista. O custo operacional seria baixo, e não teríamos despesas com publicidade.

Os discos logo começaram a trazer mais dinheiro do que os anúncios de nossa revista, então decidimos bolar outro nome para o negócio da venda por correio, um nome que fosse chamativo por si só e atraente para todos, não só estudantes. Então nossa equipe se juntou para tentar pensar em um bom nome (Slipped Disc, ou Hérnia de Disco, foi um dos favoritos).

Consideramos isso por algum tempo, até que uma das garotas de nossa equipe disse: "Que tal Virgin? Somos totalmente virgens nos negócios". Todos nós adoramos e ele pegou, acabou que foi um nome excelente. (Não tenho certeza de que Slipped Disc Airways ou Slipped Disc Hotels teriam tido o mesmo apelo!)

Então, resumindo, descobri que existem quatro coisas cruciais a se considerar ao dar nome a uma marca:

1. Conheça seu público: Pense em que tipo de gente você quer atrair, e o que apetece a eles. Humberto, você já determinou que seu cliente é másculo e elegante, então escolha um nome que reflita bem essa estética.

2. Não complique: Certifique-se de que o nome de sua marca demonstra a essência do seu negócio. Lembre-se de que nem sempre ele precisa ser óbvio: o nome pode ser inventado, ou vanguardista. É só olhar para nomes como Google, Apple, Facebook, Nike -- e Virgin! Ao contrário da "Student", Virgin não era autoexplicativo, mas era simples o suficiente para que a palavra se tornasse sinônimo da marca.

3. Escolha algo chamativo: Se você espera que seu negócio cresça para incluir outros produtos e indústrias, é importante bolar um nome que possa ser reconhecido em todos os lugares.

4. Divirta-se!: Nós criamos a marca Virgin nos anos 1970, então você pode imaginar como as pessoas reagiram ao nome. Por um lado, era a época do amor livre; por outro, boa parte da sociedade ainda era muito conservadora. Ao dar o nome de Virgin à nossa marca, nós desafiamos o status quo e nos divertimos para caramba fazendo isso. (E ainda gerou muita publicidade para nós!)

É isso, Humberto: quatro dicas simples para dar nome a uma marca. Mãos à obra e vá em frente. Boa sorte!

O Jogo do Nome

Quatro pontos essenciais para se ter em mente quando for criar um nome para sua marca:

- Simples é melhor.

- Escolha um nome que possa ser entendido em muitos lugares e por muitas pessoas.

- Tenha em mente seu público.

- Vá além dos seus limites e não deixe de se divertir.

Tradutor: UOL

Richard Branson

O megaempresário inglês é criador do grupo Virgin, que tem 200 companhias em mais de 30 países, incluindo a empresa aérea de baixo custo de mesmo nome.

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