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Mulheres que tiraram apêndice ou amídalas são mais férteis, indica pesquisa

James Gallagher

07/08/2016 18h59

Um estudo britânico indica que mulheres que retiraram o apêndice ou as amídalas são mais férteis.

Os pesquisadores da Universidade de Dundee e do University College de Londres analisaram registros médicos de centenas de milhares de mulheres britânicas em um estudo que durou 15 anos.

As taxas de gravidez foram significantemente mais altas entre aquelas que retiraram o apêndice (54,4%), as amídalas (53,4%) ou as que fizeram os dois procedimentos (59,7%) do que no resto da população (43,7%).

No entanto, eles ainda não descobriram a relação entre os procedimentos e a fertilidade. Mesmo assim, os especialistas disseram que a descoberta pode levar à criação de novos tratamentos.

Eles alertam, porém, que as mulheres não podem tirar as amídalas e o apêndice sem precisar destes procedimentos apenas com o objetivo de aumentar as chances de engravidar.

A pesquisa foi publicada na revista especializada "Fertility and Sterility".

Números

Os cientistas consultaram o maior banco de dados digital para registros médicos do mundo, o UK Clinical Practice Research Databank.

A análise incluiu dados de 54.675 pacientes que retiraram o apêndice, 112.607 pacientes que retiraram as amídalas e 10.340 que passaram pelas duas cirurgias.

Esses dados foram comparados com os registros de 355.244 mulheres do resto da população.

Analisando os dados, os pesquisadores descobriram que, para cada cem gestações em mulheres que não tinham passado por essas cirurgias, existiam:

  • 134 gestações em mulheres que tiveram os apêndices removidos;
  • 149 em mulheres que fizeram cirurgia para tirar as amídalas;
  • 143 em mulheres que fizeram os dois procedimentos.

Um dos pesquisadores, Sami Shimi, explicou que a maioria dos médicos do Reino Unido aprende, de forma errada, que a retirada do apêndice pode prejudicar a fertilidade de uma mulher.

"Esse estudo é muito importante para garantir às jovens que a apendicectomia não vai reduzir as chances de uma gravidez no futuro", afirmou Shimi à BBC.

"Mais importante, analisando o apêndice e amídalas juntos, esse estudo confirma além de qualquer dúvida que a retirada de órgãos inflamados ou órgãos que podem sofrer com várias inflamações melhora as chances de gravidez."

O problema agora para os pesquisadores é encontrar uma explicação para os números.

Uma possibilidade biológica levantada é que amídalas ou apêndices que sofrem infecções regulares aumentam os níveis de inflamação no corpo, o que afeta os ovários e o útero.

Eles reconhecem, porém, que são necessárias mais pesquisas.

"A pesquisa desafia cientificamente o mito do efeito da apendicectomia na fertilidade. O que temos de estabelecer agora é exatamente como isso acontece", disse Shimi.

'Interessante'

Para Allan Pacey, professor da Universidade de Sheffield, no Reino Unido, o estudo é interessante.

"Há várias explicações que podem ser aplicadas a essas observações. Uma delas é que a remoção desses tecidos causa uma alteração no sistema imunológico que tem impacto em algum aspecto do processo reprodutivo.", disse.

"Se for verdade, isso pode dar aos médicos e cientistas ideias para novos medicamentos ou terapias para aumentar a fertilidade das mulheres."

Pacey acrescenta, no entanto, que é preciso ter cautela com esse tipo de pesquisa.

"Sugerir que mulheres inférteis tenham as amídalas ou apêndice retirados como uma forma de melhorar suas chances de ter filhos é ir longe demais por enquanto", lembrou.