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Balaio do Kotscho

Eleições 2022: novas pesquisas apontam para vitória de Lula já no 1º turno

 Ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ajeita a gravata durante entrevista à Reuters, em São Paulo - Amanda Perobelli/Reuters
Ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ajeita a gravata durante entrevista à Reuters, em São Paulo Imagem: Amanda Perobelli/Reuters
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Ricardo Kotscho

Ricardo Kotscho, 72, paulistano e são-paulino, é jornalista desde 1964, tem duas filhas e 19 livros publicados. Já trabalhou em praticamente todos os principais veículos de mídia impressa e eletrônica. Foi Secretário de Imprensa e Divulgação da Presidência da República (2003-2004). Entre outras premiações, foi um dos cinco jornalistas brasileiros contemplados com o Troféu Especial de Direitos Humanos da ONU, em 2008, ano em que começou a publicar o blog Balaio do Kotscho, onde escreve sobre a cena política, esportes, cultura e histórias do cotidiano

Colunista do UOL

14/01/2022 14h03

Três novas pesquisas (Quaest/Genial, Exame/Ideia e Ipespe) divulgadas esta semana, as primeiras do ano eleitoral de 2022, apontam para uma possível vitória do ex-presidente Lula já no primeiro turno, no dia 2 de outubro.

Em caso de segundo turno, Lula venceria por mais de 20 pontos os principais concorrentes.

Diante deste cenário, que consolida os números de todas as pesquisas publicadas no segundo semestre do ano passado, sem mudanças nas primeiras colocações, a disputa se resume neste momento ao atual e ao ex-presidente, que continua disparado na dianteira, sem indicações de surgir um candidato competitivo da chamada terceira via.

Apesar de todos os esforços de setores da mídia lava-jatista e do mercado (leia-se investidores, rentistas e especuladores da Faria Lima, a turma do dinheiro grosso), em busca de um candidato competitivo, o ex-juiz Sergio Moro (Podemos) continua empacado, disputando o terceiro lugar com o ex-ministro Ciro Gomes (PDT. Na rabeira, fica o governador paulista João Doria (PSDB), que também não saiu do lugar desde o lançamento da sua candidatura. Os outros pré-candidatos não emplacaram.

Os índices também variam pouco entre estas três pesquisas, mostrando uma tendência que se mantém estável, desde a definição dos nomes para a sucessão de Jair Bolsonaro, um presidente que derrete em todos os levantamentos sobre a avaliação do governo, tornando a sua reeleição cada vez mais inviável.

Este é o resumo da ópera eleitoral neste início de ano, repetindo o roteiro de 2018, antes da prisão de Lula e da facada de Juiz de Fora, que levaram à vitória do capitão reformado e à volta dos militares ao centro do poder.

A esta altura do campeonato, só um novo Plano Real poderia mudar radicalmente as curvas das pesquisas, como aconteceu em 1994, quando Fernando Henrique Cardoso saiu, em poucas semanas, de 20% para 40%, invertendo de posição com Lula, após o lançamento das novas cédulas de dinheiro, que estancaram a sangria da inflação e lhe garantiram a vitória já no primeiro turno.

Mas quem poderia hoje apresentar um novo plano econômico milagroso com esse poder? Paulo Guedes, aquele ex-superministro que acaba de se ver subordinado por Bolsonaro ao chefe da Casa Civil, Ciro Nogueira? Os economistas do Centrão de Nogueira e Arthur Lira? Os economistas do MBL e do mercado que apoiam Sergio Moro?

Lula leva a vantagem de não precisar de plano nenhum agora porque tem o histórico do que fez ou deixou de fazer nos oito anos do governo que deixou em 2010, com mais de 80% de aprovação popular.

"Sem nada a apresentar que não seja desastroso, Bolsonaro ensaia volta às agressões vis", constata o editorial "Cheiro de mofo" publicado hoje na Folha. "Insolências contra ministros do Supremo Tribunal Federal e insultos contra políticos adversários compõem o quadro de um Napoleão, daqueles de hospício, que perdeu os dentes", escreve o jornal.

Sem legado, nem plano, nem discurso, resta a Bolsonaro desenterrar a bandeira do "perigo vermelho" para salvar o Brasil dos "comunistas" e requentar velhas denúncias contra o PT, como faz também o seu ex-ministro Sergio Moro, o candidato de uma nota só contra a corrupção, que já foi desmoralizado pelo Supremo Tribunal Federal com a anulação dos processos contra Lula.

Desta forma, cada vez que abrem a boca ou publicam tuítes raivosos, Bolsonaro e Moro se tornaram os maiores cabos eleitorais de Lula, que não precisa fazer nada para manter ou ver aumentar sua vantagem sobre os adversários, a cada nova pesquisa eleitoral, como mostram os números desta semana.

Vamos a eles:

Pesquisa Quaest/Genial: com 45% de intenções de voto, Lula tem quatro pontos percentuais a mais do que a soma de intenções de voto dos demais concorrentes: Bolsonaro (23%), Moro (9%), Ciro (5%, Doria (3%) e Simone Tebet (1%). No cenário que mede a rejeição aos pré-candidatos, Bolsonaro aparece em primeiro lugar, com 66%, seguido por Doria (60%), Moro (59%) e Ciro (58%). Lula tem 43% de rejeição, a menor entre os candidatos competitivos.

Pesquisa Exame/Ideia: Lula (41%), Bolsonaro (24%), Moro (11%), Doria (4%) e Rodrigo Pacheco (1%). Também aqui Lula tem um ponto a mais do que a soma dos adversários (40%), na margem de erro para levar a eleição já no primeiro turno.

Pesquisa Ipespe, divulgada hoje: Lula (44%), Bolsonaro (24%), Moro (9%), Ciro Gomes (7%), Doria (2%), Simone Tebet (1%), Rodrigo Pacheco (1%), Felipe D´Ávila (1%). Como os nomes dos três últimos dificilmente chegarão às urnas, também este levantamento aponta para uma vitória de Lula já no primeiro turno, com mais de 50% dos votos válidos, dentro da margem de erro.

Na última pesquisa Datafolha, em dezembro de 2021, Lula tinha 48%, seis pontos percentuais a mais do que a soma dos adversários: Bolsonaro, 22%, Moro, 9%, Ciro, 7% e Doria, 4%.

Em tempo: "Lula sozinho na pista" foi o título da capa de Veja, em meio à campanha de 1994, para uma reportagem de Elio Gaspari, que acompanhou uma caravana de Lula pelo Sul do país. Meses depois, Lula seria atropelado pelo Plano Real de FHC, mas nesse momento não vejo nada no horizonte que possa repetir aquele fenômeno, que deu uma cambalhota na eleição.

Até aqui, a pista está livre para o ex-presidente, que corre devagar e sempre para chegar ao Palácio do Planalto pela terceira vez, o que seria inédito na nossa história.

Vida que recomeça.

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