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Onyx diz que ele e Weintraub ficam. Pior, então, para o chefe da dupla

Abraham Weintraub (Educação) e Onyx Lorezoni (Casa Civil): consta que Bolsonaro decidiu manter a dupla. É só por ideologia. nada tem a ver com competência... Imagem: Rafael Carvalho/Casa Civil
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Reinaldo Azevedo

Colunista do UOL

03/02/2020 17h39

A ser verdade o que afirmou em entrevista o ministro Onyx Lorenzoni (Casa Civil), o ministério de Jair Bolsonaro segue sem alterações, e isso inclui a manutenção no posto de Abraham Weintraub, o ministro da falta de educação e da confusão. Por que o presidente faz questão de preservar o emprego de alguém notoriamente incapaz de conduzir a pasta a um bom lugar? Pois é... Segundo Onyx Lorenzoni, isso acontece porque se trata de um governo de direita — o que é, convenham, uma resposta péssima. Já chego ao ponto.

Indagado, em entrevista à Rádio Gaúcha, se haverá reforma ministerial, afirmou Onyx:
"Não. Na nossa conversa de sábado (1º), eu abordei esse assunto, e ele [Bolsonaro] foi muito firme em me dizer 'não'. 'Não quero mudar ninguém, estou satisfeito com o desempenho de todos'."

Onyx falava sobre o próprio cargo — a Casa Civil foi desidratada e perdeu suas principais atribuições — e também se referia ao ministro da Educação. O chefe da Casa Civil já havia perdido a coordenação política para a Secretaria de Governo (general Luiz Eduardo Ramos). A subsecretaria de Assuntos Jurídicos foi transferida para a Secretaria-Geral da Presidência, a cargo de Jorge Oliveira, e o PPI (Programa de Parceria de Investimentos) migrou para o Ministério da Economia. A rigor, Onyx está sem função.

Tudo é tão exótico que é o chefe da Casa Civil que costuma dizer quem sai e quem fica no governo. Desta feita, foi diferente. Jorge Oliveira foi quem assegurou que Onyx não perderia o emprego:
"O ministro Onyx permanece. A Casa Civil é a locomotiva do governo. Analisa mérito (dos projetos do governo), conversa com os ministérios, estabelece o ritmo das prioridades, harmoniza eventuais divergências do ponto de vista de cada pasta. O coordenador dos ministérios é o chefe da Casa Civil".

Para Oliveira, a essência da pasta foi preservada. Então tá.

Oliveira assegurando que Onyx fica ainda é menos exótico do que Onyx a garantir que Weintraub continua empregado na Esplanada dos Ministérios. A situação do ministro ficou especialmente difícil depois que o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, afirmou com todas as letras que ele tem um comportamento incompatível com o cargo. Onyx ameniza:
"Não, não vai ser substituído não. Eu tomei um café com o presidente Rodrigo Maia, conversamos de muitas coisas. Eu marquei um almoço amanhã com o ministro Abraham Weintraub. Eu acho que vamos conseguir levantar uma bandeira branca e aí poder dar um pouco de tranquilidade, porque o Brasil precisa e a educação é algo importantíssimo no nosso país".

O ponto é o seguinte: "bandeira branca" entre quem e quem? Ninguém está em guerra com o ministro da Educação. Ele é que decidiu abrir fogo contra o bom senso, o bom gosto, a razoabilidade. E é notavelmente incompetente, como evidencia a crise do Enem. Weintraub pertence ao grupo de ministros que colaboram para degradar a reputação do governo. Mantê-lo à frente da pasta com qual propósito?

Onyx dá uma pista. E não remete a coisa boa, não. Afirmou sobre a pregação ideológica permanente a que se dedica Weintraub:
"Isso é normal e natural. Nós somos um governo de direita, somos uma aliança conservadora-liberal. Nós nos orgulhamos e defendemos isso. Muitos dos nossos posicionamentos, às vezes, são interpretados equivocadamente".

Como é? O governo e o presidente que diziam se orgulhar de combater o "viés ideológico" admitem, então, que um ministro é mantido no cargo, a despeito de sua incompetência, em razão do... viés ideológico? Sim, já se sabia que o viés não é proibido desde que seja de direita. Mas é a primeira vez que alguém do governo associa a mais escandalosa incompetência a essa inflexão ideológica.

No que pode haver de, digamos, maduro em Weintraub — e é preciso muita boa-vontade para achar alguma coisa —, ele é autoritário, intolerante e autocrático. No mais das vezes, no entanto, nem isso ele consegue ser porque, à frente do segundo maior orçamento da República, comporta-se como um maluco irresponsável, que mal consegue articular um raciocínio inteiro.

Isso, por si, nada tem a ver com "ser de direita". Fosse de esquerda, com a mesma incompetência, com a mesma irresponsabilidade, teria igual perfume. Bolsonaro deve achar que manter Weintraub irrita seus adversários... Besteira! Mantê-lo só degrada seu próprio governo.

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