PUBLICIDADE
Topo

Bolsonaro torceu para Dilma morrer de infarto ou câncer. Consequencialista?

O desejo de eliminação física de seus adversários acompanhou a trajetória de Bolsonaro desde sempre. E chegou à campanha eleitoral de 2018 - Ricardo Moraes/Reuters/Evaristo Sá/AFP   Leia mais em: https://veja.abril.com.br/politica/stf-da-15-dias-para-bolsonaro-explicar-declaracoes-sobre-dilma/
O desejo de eliminação física de seus adversários acompanhou a trajetória de Bolsonaro desde sempre. E chegou à campanha eleitoral de 2018 Imagem: Ricardo Moraes/Reuters/Evaristo Sá/AFP Leia mais em: https://veja.abril.com.br/politica/stf-da-15-dias-para-bolsonaro-explicar-declaracoes-sobre-dilma/
Reinaldo Azevedo

Reinaldo Azevedo

Reinaldo Azevedo, que publicou aqui o primeiro post no dia 24 de junho de 2006, é colunista da Folha e âncora do programa “O É da Coisa”, na BandNews FM. No UOL, Reinaldo trata principalmente de política; envereda, quando necessário — e frequentemente é necessário —, pela economia e por temas que dizem respeito à cultura e aos costumes. É uma das páginas pessoais mais longevas do país: vai completar 13 anos no dia 24 de junho.

Colunista do UOL

08/07/2020 09h40

Vejam este vídeo:

Os bosonaristas estão tentando incendiar as redes com o artigo de Hélio Schwartsman. Ora, ora... Quantas foram as vezes em que Bolsonaro se referiu à morte de seus adversários políticos como uma solução desejável para um impasse?

Em relação a Dilma Rousseff, como se constata no vídeo acima, foi explícito. Indagado se achava que a então presidente concluiria o mandato, disparou:
"Eu espero que acabe hoje, infartada ou com câncer, de qualquer maneira".

Antes ainda, no começo da carreira política, pregava o fuzilamento de uns 30 mil para salvar o Brasil — incluindo FHC entre os mortos.

E, a seu modo, foi consequencialista:
"Se vão morrer alguns inocentes, tudo bem".

Ele considerava, em suma, que tais mortes eram um preço a pagar por aquilo que entendia ser um bem maior.

Também em nome desse bem maior, que, na sua cabeça, era a luta contra o comunismo, exaltou um torturador na Câmara.

O "consequencialismo" como norte político tem um sério problema, não é? Depende muito de quem diz estar sendo consequencialista e das armas de que dispõe para impô-lo.

Sim, uma torcida pessoal não é uma proposta política. Por isso mesmo, convém não confundir os domínios.

Reinaldo Azevedo