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Reinaldo Azevedo

Delegado do caso Toffoli, morista fanático, já quis prender Dilma sem razão

Sergio Moro, ex-ministro da Justiça. Delegado que fez o exótico pedido contra Toffoli é um fiel aliado seu - Lula Marques/Agência PT
Sergio Moro, ex-ministro da Justiça. Delegado que fez o exótico pedido contra Toffoli é um fiel aliado seu Imagem: Lula Marques/Agência PT
Reinaldo Azevedo

Reinaldo Azevedo, que publicou aqui o primeiro post no dia 24 de junho de 2006, é colunista da Folha e âncora do programa "O É da Coisa", na BandNews FM. No UOL, Reinaldo trata principalmente de política; envereda, quando necessário - e frequentemente é necessário -, pela economia e por temas que dizem respeito à cultura e aos costumes. É uma das páginas pessoais mais longevas do país: vai completar 13 anos no dia 24 de junho.

Colunista do UOL

12/05/2021 07h57

Quem é o delegado da Polícia Federal que encaminhou a Edson Fachin o pedido de abertura de inquérito contra o Ministro Dias Toffoli? E o que isso representa nos bastidores da Polícia Federal?

Bernardo Guidali Amaral integra — parece estar de saída — o SINQ (Serviço de Inquéritos) da Dicor (Diretoria de Investigação e Combate ao Crime Organizado da Polícia Federal). O Sinq é o departamento que era chefiado pelo delegado Felipe Leal — aquele que, a pretexto de elaborar um relatório sobre uma perícia no material da Operação Spoofing, resolveu fazer uma espécie de manifesto contra o uso de provas ilegais, como se isso estivesse em questão.

Amaral era um dos principais aliados de Sergio Moro ao tempo em que este era ministro da Justiça e segue sendo um devoto da causa lavajatista até hoje.

Em novembro de 2019, no âmbito de um inquérito que apurava suposta doação irregular à aliança PT-PMDB nas eleições de 2014, chegou a pedir a prisão temporária da ex-presidente Dilma Rousseff, do ex-presidente do Senado Eunício Oliveira e do ex-ministro Guido Mantega.

E o delegado ainda deixou claro que só não pediu também as respectivas prisões dos senadores Renan Calheiros (MDB-AL), Eduardo Braga (MDB-AM) e Jader Barbalho (MDB-PA) porque, como escreveu, a Constituição "veda, em regra, prisão cautelar de parlamentares no exercício do mandato". A prisão de um deputado federal ou senador, a partir da diplomação, só é permitida em caso de flagrante de crime inafiançável. E, ainda assim, fica sujeita ao crivo do plenário da respectiva Casa num prazo de 24 horas. Se não for referendada por maioria absoluta, é revogada. Segundo o delegado, todos eles, em companhia de Vital do Rego, ministro do TCU, comporiam uma organização criminosa.

A PGR, com correção, votou contra os pedidos, também rejeitados por Edson Fachin. O Ministério Público disse o óbvio e ululante: não fazia sentido decretar a prisão temporária dessas pessoas, sob o pretexto de que poderiam atrapalhar as investigações de supostos crimes ocorridos, então, havia cinco anos.

Guidali é um dos delegados que conduziu o inquérito contra o deputado Rodrigo Maia. Concluiu, em agosto de 2019, que ele praticou corrupção passiva, lavagem de dinheiro e um exótico "caixa três". A coisa toda seria sido operacionalizada numa triangulação envolvendo a Ordebrecht e a cervejaria Petrópolis.

Pois bem: em fevereiro deste ano, o MPF pediu ao STF o arquivamento da investigação. E, oram vejam, por falta de provas.

Isso tudo, claro, depois de Maia ter comido o pão que o diabo amassou nas redes sociais.

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