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Reinaldo Azevedo

Estão tentando jogar casca de banana no caminho de Maiurino, diretor-geral

Paulo Maiurino, diretor-geral da Polícia Federal: parece haver forças dispostas a testar a sua resiliência - Reprodução/Alesp
Paulo Maiurino, diretor-geral da Polícia Federal: parece haver forças dispostas a testar a sua resiliência Imagem: Reprodução/Alesp
Reinaldo Azevedo

Reinaldo Azevedo, que publicou aqui o primeiro post no dia 24 de junho de 2006, é colunista da Folha e âncora do programa "O É da Coisa", na BandNews FM. No UOL, Reinaldo trata principalmente de política; envereda, quando necessário - e frequentemente é necessário -, pela economia e por temas que dizem respeito à cultura e aos costumes. É uma das páginas pessoais mais longevas do país: vai completar 13 anos no dia 24 de junho.

Colunista do UOL

12/05/2021 07h56

Delegados da Polícia Federal são titulares dos inquéritos e não devem subordinação ao diretor-geral. Mas, por óbvio, tudo o que sai da PF acaba repercutindo no comando do órgão.

Paulo Maiurino, atual diretor-geral, está no cargo desde o dia 7 de abril e já teve de lidar com algumas questões espinhosas.

Maiurino sentara na cadeira havia poucos dias quando o delegado Francisco Vicente Badenes, a pedido do presidente da Funai, Marcelo Xavier, abriu um inquérito absurdo contra a líder indígena Sônia Guajajara por suposta ofensa ao presidente Jair Bolsonaro. A notícia repercutiu no mundo inteiro. No dia 5 deste mês, a Justiça determinou o trancamento da investigação.

Mairuino não teve tempo de respirar, e a PF decidiu marcar para o dia 21 do mês passado um depoimento de Guilherme Boulos, ex-candidato a Prefeito de São Paulo pelo PSOL e líder do MTST, por suposta ameaça a Bolsonaro. A investigação ridícula foi aberta no ano passado a pedido de André Mendonça, então ministro a Justiça.

Notaram? O inquérito estava parado havia um ano, mas decidiram fazê-lo andar logo depois da posse do novo diretor-geral. Por falta de sala disponível, o depoimento foi adiado sem data.

A substituição do delegado Alexandre Saraiva, que comandava a Superintendência do Amazonas e entrou em choque com Ricardo Salles, acabaria fatalmente acontecendo porque delegados-gerais escolhem suas respectivas esquipes de confiança. Ainda que Salles não mereça uma tora queimada de crédito, a substituição de Saraiva não foi uma retaliação.

Como não foi a saída de Felipe Leal do comando do Serviço de Inquéritos (Sinq). Sim, o seu relatório sobre a perícia feita no material da Operação Spoofing era um despropósito. Mais um pouco, e pediria aplausos à Lava Jato. Fazia considerações que nada tinham a ver com a questão técnica. Mas deixou o cargo porque cabe ao novo titular da Dicor (Diretoria de Investigação e Combate ao Crime Organizado da Polícia Federal), delegado Luiz Flávio Zampronha, escolher o novo titular do Sinq.

Agora vem a maior de todas as bombas: esse absurdo pedido de abertura de inquérito, de autoria do delegado Bernardo Guidali do Amaral, para investigar um ministro do Supremo com base no que teria ouvido dizer um criminoso como Sérgio Cabral.

Ao aderir ao, digamos, "delacionismo", Cabral admitiu: "Meu apego a poder e dinheiro é um vício".

Claro!

Parece que há forças dispostas a testar a resiliência de Maiurino. Se o diretor-geral contribuir para que a Polícia Federal deixe de servir a facções que disputam o poder, terá prestado um serviço imenso ao devido processo legal e à democracia. Os sinais, até agora, parecem positivos.

Vamos ver.

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