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Reinaldo Azevedo

Bolsonaro comprou briga com a CPI, perdeu, e pesquisas mostram decadência

PoderData, XP-Ipesp e Datafolha
Imagem: PoderData, XP-Ipesp e Datafolha
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Reinaldo Azevedo

Reinaldo Azevedo, que publicou aqui o primeiro post no dia 24 de junho de 2006, é colunista da Folha e âncora do programa "O É da Coisa", na BandNews FM. No UOL, Reinaldo trata principalmente de política; envereda, quando necessário - e frequentemente é necessário -, pela economia e por temas que dizem respeito à cultura e aos costumes. É uma das páginas pessoais mais longevas do país: vai completar 13 anos no dia 24 de junho.

Colunista do UOL

08/07/2021 23h18

A CPI e as pesquisas eleitorais estão mexendo com o juízo de Jair Bolsonaro. Por isso ele anda tão destrambelhado. Os números evidenciam a devastação que os fatos produziram em sua reputação. Tenho a impressão de que as ameaças de golpe feitas por militares não colaboram. Vamos ver.

PODERDATA
Pesquisa PoderData divulgada ontem mostra que, a se a eleição fosse hoje, o ex-presidente Lula (PT) teria 43% das intenções de voto, contra 29% de Bolsonaro. Em um mês, o petista cresceu 12 pontos. E Bolsonaro caiu 4. Lula ampliou a vantagem de 2 para 14 pontos. Ciro Gomes (PDT) e João Doria (PSDB) aparecem com seis pontos. Luiz Henrique Mandetta (DEM) fica com 3%. A margem de erro é de 2 pontos para mais ou para menos. O PoderData ouviu, por telefone, 2.500 pessoas entre os dias 5 e 7.
No segundo turno, Lula, Doria e Ciro venceriam o atual mandatário: o primeiro por 55% a 32%; o segundo, por 44 a 39%, e o terceiro, por 45% a 40%. Nesse levantamento, Lula bateria facilmente Ciro (48% a 15%) e Doria (51% a 17%). Bolsonaro nada tem a comemorar.

XP/IPESPE
A pesquisa XP/Ipesp -- também por telefone, que ouviu mil pessoas entre os dias 5 e 7 -- traz o pior resultado da série. A margem de erro é de 3,2 pontos percentuais.

O petista também dispara nesse levantamento: Lula vai a 38%, e Bolsonaro fica com 26%. Ciro Gomes aparece com 10%, e o sem-partido Sergio Moro, com 9%. Mandetta marca 3%; Doria, 2%, e Guilherme Boulos (PSOL) — que já afirmou que quer se candidatar ao governo de São Paulo —, também 2%.

No segundo turno, o petista bateria o atual presidente por 49% a 35%; Ciro, por 43% a 33%, e Doria aparece em empate técnico: 34% a 37%.

A avaliação negativa da gestão Bolsonaro também atinge a pior marca: 52% de ruim/péssimo. Só 25% acham que é ótima/boa. A desaprovação ao governo alcança nada menos de 63%. Consideram ruim ou péssima a atuação do presidente na pandemia 59%; só 22% a acham boa. O número dos que passaram a defender o impeachment supera o dos contrários: 49% a 45%. Nada menos de 63% considera que as suspeitas de corrupção são provavelmente verdadeiras.

DATAFOLHA
Na pesquisa Datafolha, consideram Bolsonaro ruim ou péssimo 51% dos entrevistados. É recorde. Há um mês, eram 45%. Só 24% dizem ser ele ótimo ou bom. A maioria tem uma péssima impressão sobre o presidente. Acham que ele:
- respeita mais os ricos (66%) do que os pobres (16%);
- é indeciso: 57%;
- é pouco inteligente: 57%;
- é despreparado: 62%;
- é autoritário: 66%;
- é falso: 55%
- é incompetente: 58%
- é desonesto: 52%

Até quando escrevo este texto, o instituto ainda não divulgou a pesquisa eleitoral. O Datafolha ouviu 2.074 pessoas nestas quarta e quinta. A margem de erro também é de dois pontos para mais ou para menos.

RETOMO
A corrosão da popularidade e da reputação do presidente Jair Bolsonaro é um dado inquestionável. Isso será revertido? A economia está em crescimento, é verdade. Mas os benefícios não chegarão tão rapidamente aos mais pobres. O auxílio emergencial foi estendido por mais três meses, mas valores bem menores do que os pagos na primeira fase. A queda no valor não contribui para o prestígio do presidente. Vem por aí uma reestruturação do Bolsa Família, mas o governo não sabe exatamente o que vai fazer.

Em breve, virá um aumento sensível na conta de energia, num cenário de crise hídrica de desdobramentos ainda desconhecidos. Entre os especialistas, há um consenso: a reação do governo está aquém do tamanho do problema. E, claro!, há a questão política.

DO NEGACIONISMO À ROUBALHEIRA
O negacionismo do presidente, com a guerrilha promovida por suas milícias digitais, andaram perturbando um tanto a percepção dos brasileiros. A CPI ganhou uma primeira tração, mas ameaçava patinar na algaravia promovida por doutores do exotismo.

Mas aí uma outra vertente se encarregou de esquentar a investigação: os indícios de roubalheira — ou, quando menos, tentativas de — desenfreada no Ministério da Saúde. Enquanto o país via crescer a montanha de cadáveres, alguns espertos tentavam fazer negócios indignos.

COMPROU A BRIGA E PERDEU
Bolsonaro comprou a briga com a CPI -- e, nesta quinta, sua reação estúpida à comissão chegou ao auge (escreverei a respeito) -- e perdeu a batalha. As tentativas de desacreditar a comissão caíram no vazio. Em vez disso, estamos assistindo a uma sequência impressionante de despropósitos.

A CPI se tornou atração política obrigatória.

Depois, é só esperar o chilique de Bolsonaro.