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Em balanço da COP26, ministro distorce dados sobre incêndio florestal

22.nov.2021 - O ministro Joaquim Leite (Meio Ambiente) forneceu dados enganosos sobre o combate a incêndios no Brasil - Yves Herman/Reuters
22.nov.2021 - O ministro Joaquim Leite (Meio Ambiente) forneceu dados enganosos sobre o combate a incêndios no Brasil Imagem: Yves Herman/Reuters

Juliana Arreguy

Do UOL, em São Paulo

22/11/2021 19h59

O ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite, apresentou hoje (22) dados distorcidos sobre ações do governo federal no combate aos incêndios florestais ao divulgar um balanço da participação do Brasil na COP26.

Leite negou ter omitido os dados de desmatamento antes da Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas. Reportagem da Folha indica que um estudo apontando desmatamento recorde nos últimos 15 anos havia sido concluído em 27 de outubro, mas foi divulgado apenas em 18 de novembro.

No balanço de hoje, o ministro afirmou que o país vai ampliar as ações de combate aos crimes ambientais. Ele omitiu, no entanto, que em 2020 o país teve queda de 93% no pagamento de multas ambientais.

Abaixo, as frases checadas pelo UOL Confere:

A Operação 'Guardiões do Bioma', que foi um sucesso em relação aos incêndios, reduziu os incêndios na área de atuação, que foi do Pantanal a parte do cerrado e da Amazônia em 13%. Especialmente na Amazônia em 26%."
Joaquim Leite, ministro do Meio Ambiente

A fala do ministro é DISTORCIDA. Os dados de redução de incêndios são relativos ao ano todo e incluem um período no qual a operação "Guardiões do Bioma" ainda não existia —ela foi lançada apenas em 22 de julho deste ano.

Segundo dados do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), houve redução de 26% nas queimadas na Amazônia entre janeiro e novembro de 2021 em relação ao mesmo período em 2020. No entanto, de janeiro a julho, antes da operação, o bioma já registrava queda de 22% nos focos de incêndio. De agosto até outubro, a redução foi de 26%.

De janeiro a novembro de 2021 houve redução de 17% em todo o país —quatro pontos percentuais acima do anunciado pelo ministro. Apesar disso, assim como na Amazônia, as taxas já iniciaram em queda no ano: até julho a redução foi de 22%, enquanto entre agosto e outubro a queda foi de apenas 5%.

A Alemanha hoje emite mais carbono do que há dez anos."
Joaquim Leite, ministro do Meio Ambiente

Ainda não há dados confiáveis e consolidados sobre a emissão de gás carbônico em 2021. Portanto, a alegação do ministro é SEM CONTEXTO. Até o ano passado, a Alemanha vinha reduzindo a emissão de CO2, segundo o Atlas Global de Carbono; em 2020, foram 644 milhões de toneladas emitidas, enquanto em 2010 o valor era de 833 milhões de toneladas.

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