Ex-secretário de governo, padre é denunciado por pedofilia na Bahia

Heliana Frazão
Especial para o UOL Notícias
Em Salvador

Ex-secretário do Desenvolvimento Social e Combate à Pobreza da Bahia no segundo governo de Paulo Souto (2003-2006), o padre Clodoveo Piazza foi denunciado nesta semana pelo Ministério Público por pedofilia.

Segundo a promotora Sandra Patrícia Oliveira, entre 2000 e 2008, o padre teria submetido diversos internos menores de 18 anos da OAF (Organização de Auxílio Fraterno), entidade que ele presidiu, à exploração sexual, "muitas vezes mediante promessa de recompensas", conforme a denúncia, que foi apresentada ao Ministério Público em novembro do ano passado por 12 jovens.

Os denunciantes já estão fora da entidade por terem alcançado a maioridade. Eles tem hoje entre 20 e 35 anos.

Segundo a promotora, os jovens são unânimes em afirmar terem sido vítimas de abusos desde os 6 anos, no tempo em que viveram nos alojamentos da OAF, localizada no Largo do Queimadinho, bairro da Liberdade, um dos mais populosos da capital baiana.

Além do padre, o ex-diretor-executivo da entidade, Marcos de Paiva Silva, também foi denunciado. "Temos indícios de crime sexual", afirmou a promotora. Sandra Oliveira disse que o ex-interno J.A. contou em depoimento prestado à Justiça que era colocado para dormir nu pelo padre italiano e tinha os órgãos genitais apalpados e a boca beijada pelo então presidente da OAF.

O Ministério Público pretende que os dois acusados sejam condenados às penas previstas no artigo 244-A do ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), que prevê de quatro a dez anos de reclusão, combinadas com o artigo 71 do Código Penal (crime continuado).

A OAF é uma das mais conhecidas organizações não-goverrnamentais da Bahia. A entidade oferece abrigo para crianças e adolescentes em situação de risco pessoal e social.

O padre Clodoveo Piazza mora em Moçambique há cerca de dois anos. "Vamos checar com exatidão o paradeiro do padre. Se ele realmente estiver morando fora do País, deverá ser ouvido por carta rogatória", disse a promotora.

O UOL também procurou Marcos de Paiva Silva na OAF, mas não foi encontrado. Por meio de nota, a OAF informa que a direção atual da entidade já foi ouvida pelo Ministério Público. Diz ainda que as acusações envolvem dois suspeitos que não integram mais os seus quadros, que apoia integralmente a apuração do caso e deseja que seja feita justiça.

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