CNBB pede para governo não avançar em instalação da usina de Belo Monte

Do UOL Notícias

Em São Paulo

CNBB critica também governo do DF

A CNBB (Conferência nacional dos Bispos do Brasil) classificou nesta quinta-feira de "inadmissível" a crise política que atinge o Distrito Federal em consequência do episódio conhecido como mensalão do DEM. O presidente da CNBB, dom Geraldo Lyrio Rocha, disse que a capital não merecia comemorar seus 50 anos, em abril, mergulhada no "caos administrativo" que marca o momento atual.

A Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou nesta quarta-feira (25) uma nota oficial repudiando a construção da usina hidrelétrica de Belo Monte, na região do rio Xingu, no Estado do Pará, e pedindo para que o governo não dê início às obras antes de uma ampla discussão com os diversos atores envolvidos.

O secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, afirmou hoje que ministério deve entregar o preço-teto definitivo para construção de Belo Monte e lançar o edital na próxima semana. Publicado o edital, o leilão deve ocorrer após 30 dias.

"Belo Monte é, nesse momento, emblemática visto que o processo não levou em conta os povos indígenas, os ribeirinhos e os que residem em bairros de Altamira, que serão certamente os primeiros prejudicados. Não levou em conta, igualmente, as considerações técnicas feitas por cientistas, a argumentação do Ministério Público Federal e as ponderações de movimentos sociais", diz a entidade.

Projeto estratégico do governo federal e "menina dos olhos" da ex-ministra de Minas e Energia e candidata à sucessão presidencial, Dilma Rousseff, Belo Monte, se concretizada, será a terceira maior hidrelétrica do mundo e maior usina inteiramente brasileira, com potência instalada de 11,2 MW.

A instalação da usina, no entanto, enfrenta forte resistência das comunidades da região, aldeias indígenas, ambientalistas, movimentos sociais e do Ministério Público Federal (MPF). A argumentação é que Belo Monte causará danos ambientais irreparáveis e inundará uma área muito grande – inclusive o município de Altamira.

 

O Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) e o governo federal minimizam o impacto social e ambiental, alegando que os benefícios --o aumento da capacidade energética do país, redução da dependência de Itaipu e a criação de empregos-- compensam eventuais danos. O governo promete realizar obras de infraestrutura na região para evitar prejuízos aos atores envolvidos e ao ambiente.

Na nota, a CNBB manifesta "grande preocupação ao saber que a licença prévia já foi concedida pelo Ibama, permitindo o leilão para a construção e exploração da usina", diz o texto, assinado por dom Geraldo Lyrio Rocha, presidente da entidade, em apoio ao bispo de Prelazia do Xingu (PA), Erwin Kräutler.

A CNBB afirma ainda que a avaliação de impacto ambiental do Ibama foi subestimada e que a área destruída com a construção da usina será bem maior do que a prevista pelo órgão. "Dados de pesquisadores e estudiosos da Amazônia comprovam que são previstos 1522 km² de destruição, sendo 516km² de área inundada e 1006km² de área que secará com o desvio definitivo da Volta Grande do Xingu".

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