Justiça mostrou que não sucumbe a interesses de poderosos ao condenar Bida, diz promotor

Luciana Lima
Da Agência Brasil
Em Brasília

Depois de 15 horas de julgamento, o fazendeiro Vitalmiro Bastos de Moura, conhecido como Bida, foi condenado por júri popular a 30 anos de prisão pela morte da missionária norte-americana Dorothy Stang, ocorrida no dia 12 de fevereiro de 2005. A religiosa foi executada com sete tiros em um assentamento em Anapu, no Pará.

Bida foi acusado de ser o mandante do crime e terá que cumprir a pena em regime fechado e sem direito de recorrer da sentença em liberdade. Logo após a decisão, Bida saiu direto do Fórum de Belém para a Penitenciária de Americano, na região metropolitana da capital paraense.

A missionária tinha 73 anos e trabalhava na região com pequenos agricultores que tinham conflitos com grandes fazendeiros. Para o promotor do caso, Edson Cardoso, a Justiça paraense “deu sinais de que não sucumbe aos interesses dos mais poderosos”.

Segundo ele, a estratégia da defesa de tentar adiar o julgamento acabou influenciando a decisão do júri, formado por seis mulheres e um homem. “Os advogados manobraram para adiar o julgamento e acho que o júri entendeu que quem manobra muito quer esconder a verdade. É como uma faca que se usa muito, acaba perdendo o fio e corta o dedo de quem a usa”, comparou o promotor, que considerou justa a decisão de condenar o mandante.

“Primeiro ele alegou que não havia julgado um habeas corpus, caso que foi parar no Supremo, e depois o advogado resolveu não comparecer ao julgamento. Outro advogado foi ao tribunal do júri e alegou que estava tomando conhecimento do caso naquele momento. O juiz percebeu a manobra e nomeou dois defensores públicos que fizeram a defesa de Bida com muita competência”, considerou o promotor.

Os defensores públicos Paulo Bona e Alex Noronha, nomeados pela Justiça para defender Bida, informaram que qualquer recurso contra a sentença terá de ser impetrado por advogado contratado pelo réu. "Nós já fizemos a nossa parte, que foi defendê-lo", disse Bona.

Cinco pessoas foram acusadas do assassinato da missionária: Rayfran Sales, o Fogoió, que teria feito os disparos; Amair Feijoli da Cunha, que intermediou a contratação do executor; Clodoaldo Batista, que acompanhou Rayfran no crime; e os dois fazendeiros apontados como mandantes: Bida e Regivaldo Pereira Galvão, conhecido como Taradão.

Bida já havia recebido uma pena de 30 anos de prisão em um primeiro julgamento, em 2007. No entanto, pela legislação vigente à época, teve direito a um novo julgamento em maio de 2008, quando foi inocentado.

Em 2009, a Justiça do Pará anulou a absolvição do fazendeiro e decretou nova prisão. No mesmo ano, ele conseguiu uma liminar para responder às acusações em liberdade. Essa decisão foi revogada em fevereiro deste ano e Bida voltou para a cadeia.

Para o promotor, o resultado do julgamento de ontem restabelece a decisão judicial de 2007. “O julgamento fez justiça ao restabelecer o primeiro resultado”, comemorou o promotor.

Feijoli e Clodoaldo Batista também estão na cadeia e cumprem pena de 18 e 17 anos de reclusão, respectivamente.

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