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"Temos capacidade de cortar a própria carne", diz Beltrame sobre crise na PM do Rio

Hanrrikson de Andrade

Especial para o UOL Notícias <br> No Rio de Janeiro

2011-09-29T18:45:41

29/09/2011 18h45

O secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, afirmou nesta quinta-feira (29) que a exoneração do coronel Mário Sérgio Duarte do comando da Polícia Militar e o recente envolvimento do comandante do 7º BPM, Cláudio Oliveira, no assassinato da juíza Patrícia Acioli (ele é acusado de ser o mandante do crime), não afetarão a credibilidade da corporação.

"A polícia está investigando e prendendo, sejam policiais civis, militares ou de qualquer outra esfera da segurança pública. Melhor seria se isso não estivesse acontecendo. Mas a legitimidade da corporação se mantém na medida em que a PM mostra a capacidade de cortar a própria carne", afirmou Beltrame na coletiva de nomeação do novo comandante da PM, o coronel Erir Ribeiro Costa Filho, 54.

O secretário argumentou que a situação de Mário Sérgio Duarte à frente da Polícia Militar se tornou insustentável depois que a Divisão de Homicídios constatou que Oliveira foi transferido para o comando do 22º BPM (Maré) sete dias após o assassinato da juíza Patrícia Acioli, morta com 21 tiros no dia 11 de agosto, em Niterói, na região metropolitana do Rio.

"Quando o comandante-geral reconhece o erro, ele sai por conta da responsabilidade. (...) Estamos sempre pensando no plano desenvolvido para a segurança pública do Estado, que é maior do que qualquer cargo. (...) Todas as informações [sobre as atividades do ex-comandante do 7º BPM] foram passadas ao Mário Sérgio, que fez a sua opção e tomou a sua decisão", explicou.

Apesar dos bons resultados na execução da política de pacificação, a gestão de Mário Sérgio Duarte sofreu um inegável desgaste em razão dos sucessivos casos envolvendo corrupção policial, entre os quais os PMs que liberaram os assaltantes que mataram um coordenador do grupo AfroReggae, o desaparecimento e morte do estudante Juan Moraes, 11, em Nova Iguaçu, e principalmente a trama articulada por policiais do 7º BPM para assassinar Patricia Acioli.

"Continuaremos defendendo a não politização das instituições e garantiremos autonomia a seus respectivos chefes. Em contrapartida, eles terão que cumprir com suas responsabilidades na prestação de contas. (...) Na medida em que você dá autonomia, essa pessoa tem responsabilidades em relação a autonomia que recebeu", afirmou Beltrame.

De acordo com fontes ligadas à secretaria, a opção de Beltrame pelo coronel Erir Ribeiro Costa Filho inaugura uma "nova filosofia de trabalho". O novo comandante da PM acredita que o momento de crise vivido pela corporação se transformará em uma oportunidade para resgatar a credibilidade da Polícia Militar e do projeto de segurança pública do Rio.

"Como eu recebi essa missão, estou ciente do sacrifício e sei que terei que trabalhar em dobro. Trabalharemos para que essa seja a primeira e a última crise. A socidade pode ter certeza que nós vamos resgatar a imagem da Segurança Pública do Rio. (...) É bom assumir em um momento de crise. O crescimento vem da crise e dessa forma nós poderemos unir a corporação", afirmou.

 

Exoneração

A permanência de Duarte no comando da Polícia Militar ficou comprometida em razão das investigações sobre o assassinato da juíza Patrícia Acioli. Segundo a Divisão de Homicídios, o mandante do crime foi o ex-comandante do 7º BPM (São Gonçalo), tenente-coronel Cláudio Oliveira.

Cláudio Oliveira foi redirecionado pelo próprio Mário Sérgio para o 22º BPM (Maré) após a morte da magistrada. Questionado sobre a transferência de Oliveira para um batalhão que possui mais visibilidade, o secretário José Mariano Beltrame argumentou que se tratava de um procedimento de rotina.

Em entrevista à rádio Band News FM hoje, Mário Sérgio Duarte garantiu que não há uma "relação pessoal" entre ele o tenente-coronel --os dois participaram juntos do curso de treinamento do Bope, em 1989.

De acordo com a secretaria, Mário Sérgio "reconheceu o equívoco" e está "ciente do desgaste institucional decorrente de sua escolha". O ex-comandante da PM se encontra atualmente em licença médica por conta de uma cirurgia.

O pedido de exoneração foi feito pelo próprio Mário Sérgio Duarte "em caráter irrevogável". Em nota, o secretário de Segurança Pública lamentou a saída do ex-comandante da PM, que exercia a função desde 2009.

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