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Testemunhas relatam que adolescente morta no Hopi Hari caiu após trava de brinquedo abrir

Rochelle Costi/Folhapress - 27.nov.1999
Foto de arquivo mostra o brinquedo Torre Eiffel, onde aconteceu o acidente Imagem: Rochelle Costi/Folhapress - 27.nov.1999

Guilherme Balza e Débora Melo

Do UOL, em São Paulo*

24/02/2012 18h03

O delegado Álvaro Santucci Júnior, da delegacia de Vinhedo (a 79 km de São Paulo), afirmou que três testemunhas relataram, em depoimento, que Gabriela Yokuri Nichimura, 14, caiu do brinquedo “La Tour Eiffel”, do Hopi Hari, nesta sexta-feira (24) após a trava que a prendia abrir durante a frenagem do equipamento.

O acidente ocorreu por volta de 10h20 desta sexta. A garota foi levada para o hospital Paulo Sacramento, em Jundiaí (SP), mas não resistiu. A assessoria de imprensa do parque disse que ainda não tem informações sobre as causas do acidente.

Os três depoentes estavam no parque e presenciaram o momento em que a jovem caiu do brinquedo. “As três testemunhas disseram a mesma coisa: que abriu a trava e a menina caiu”, disse Santucci Júnior. De acordo com o delegado, perícia feita pela Polícia Técnica após o acidente também indicou a abertura da trava no momento da frenagem.

O corpo da adolescente foi levado ao IML (Instituto Médico Legal) de Jundiaí. Segundo o delegado, os pais da garota, que também estavam no parque, só serão ouvidos na semana que vem. Santucci Júnior afirmou que deve instaurar inquérito na próxima segunda-feira (27).

Segundo informações da assessoria do hospital, os pais da garota são brasileiros, moram no Japão e passam férias na casa de parentes em Guarulhos, na Grande São Paulo. Gabriela e uma irmã mais nova nasceram no Japão. Os pais da vítima e uma prima foram ao parque juntos na manhã de hoje.

Parque fica no interior de SP

  • Arte/UOL

O parque fica no km 72,5 da rodovia dos Bandeirantes. O brinquedo onde ocorreu o acidente tem 69,5 metros de altura, o equivalente a um prédio de 23 andares. Na atração, os participantes caem em queda livre, podendo atingir 94 km/h, segundo informações do site do parque.

Em nota, o Hopi Hari afirmou que "lamenta profundamente o ocorrido" e que "está prestando toda a assistência à família da vítima e apoiando os órgãos responsáveis na investigação sobre as causas do acidente".

O parque foi fechado por volta de 11h15 desta sexta-feira (24) após a morte da adolescente e voltará a funcionar nesse sábado (25), entre 10h e 19h, segundo informou a assessoria de imprensa. O brinquedo ficará fechado até que as causas do acidente sejam esclarecidas.

O brinquedo

No brinquedo "La Tour Eiffel", as cadeiras são suspensas até o limite de altura do brinquedo e caem bruscamente. Os assentos são presos por travas, que cobrem o usuário dos ombros até as pernas.

Segundo a assessoria de imprensa do parque, as cadeiras só são autorizadas a subir se todas as travas estiverem devidamente presas. Caso alguma cadeira não esteja travada, o sistema que controla o brinquedo emite um sinal e impede a subida das cadeiras. Se todas as cadeiras estão travadas, uma luz verde se acende autorizando o funcionamento.

Ainda de acordo com a assessoria, os funcionários verificaram todas as travas antes da subida das cadeiras. O brinquedo, informa o parque, é vistoriado diariamente e submetido a análise de um engenheiro a cada três meses.

Acidentes no Playcenter

Em abril do ano passado, o Playcenter, parque de diversões na zona oeste de São Paulo, também registrou um sério acidente em um dos brinquedos. Segundo laudo do Instituto de Criminalística, um operador não verificou corretamente o fechamento das travas do equipamento, o que provocou a queda de oito pessoas que estavam na atração Double Shock. Elas foram arremessadas ao chão após o dispositivo abrir sozinho.  

De acordo com o delegado Marco Aurélio Batista, titular do 23º Distrito Policial, de Perdizes, na zona oeste, após realizarem testes com o brinquedo, os peritos concluíram que não houve falha mecânica.

Em 23 de setembro de 2010, um outro acidente no Playcenter, na montanha-russa Looping Star, deixou 16 feridos. Na ocasião, os administradores do parque afirmaram que a vistoria do brinquedo estava em dia.

Acidente no Glória Center (RJ)

No dia 14 de agosto de 2011, dois jovens --Alessandra da Silva Aguilar e Vitor Alcântara de Oliveira-- morreram no parque de diversões Glória Center, na Estrada dos Bandeirantes, em Vargem Grande (Rio de Janeiro).

Os dois adolescentes e mais nove pessoas foram atingidos por parte do brinquedo tufão - carrinhos que rodam enquanto ficam suspensos no ar -, que se desprendeu de sua estrutura. Alessandra morreu no local, e Vitor, três dias após o acidente.

O laudo pericial apontou que os brinquedos do parque estavam em péssimo estado de conservação, com peças deterioradas, calços com pedaços de madeira, condutores com emendas e fitas isolantes expostas - possibilitando choques elétricos -, fixação de estruturas com arames metálicos torcidos e coloridos, brinquedos com pregos enferrujados, entre outras irregularidades.

O Ministério Público do Rio denunciou por homicídio qualificado os empresários Maria da Glória Pinto e Leandro Pinto Ribeiro, donos do local, e o engenheiro Luiz Soares Santiago, responsável pelo parque, pelo crime de homicídio qualificado (mediante pagamento ou promessa de recompensa, ou por outro motivo torpe). Maria da Glória e Leandro também estão proibidos de trabalharem em atividade empresarial no ramo de diversões públicas e Luiz Soares de expedir laudos de engenharia.

(Com Agência Estado)