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Força do desabamento de prédios no Rio dificultou localização de corpos, diz comandante dos Bombeiros

Do UOL, em São Paulo

19/03/2012 13h01

A força do desabamento de três prédios na avenida Treze de Maio, no centro do Rio em janeiro deste ano, impossibilitou a localização de todos os 18 corpos de vítimas fatais, segundo declaração do comandante do Grupamento de Busca e Salvamento do Corpo de Bombeiros, coronel Roberto Sobral Jr feita durante audiência pública conjunta das comissões de Obras Públicas e de Defesa Civil na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

"A força da queda, com a quantidade de material pesado, como lajes e metais, somados ao incêndio fizeram com que muitos corpos fossem mutilados. Os cães encontraram pedaços de corpos por vários locais. A força foi tão grande que um carro ficou do mesmo tamanho do que cinco resmas de papel", afirmou. Segundo informações do representante da Polícia Civil, Sergio Costa Henriques, está faltando somente a identificação de três corpos.

O deputado Domingos Brazão, que preside a audiência, acredita que as possíveis explicações para os desabamentos podem passar pela forte cultura de aterrar lagoas no município. "Se olhássemos um mapa da cidade há 50 anos, nós teríamos a impressão de que a cidade cresceu, mas isso não é verdade. A cidade cresceu muito em forma de aterro. Temos que saber se isso é um problema", questionou Brazão.  

Também estão presentes na reunião os deputados Luiz Paulo (PSDB) e Luiz Martins (PDT), além do sócio-diretor da Empresa TO (Tecnologia Operacional), Sérgio Alves, que funcionava no edifício Liberdade --um dos três que caíram--, o presidente do Clube de Engenharia, Francis Bogossian, o presidente do Crea-RJ (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia), Agostinho Guerreiro, o presidente do Conselho Deliberativo da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), Pedro Buzatto Costa, e o engenheiro da GEO-Rio, Alexandre José Machado.

 

O acidente

O desabamento de três prédios no centro do Rio de Janeiro no dia 25 de janeiro deste ano deixou 18 pessoas mortas. A principal suspeita é de que obras que aconteciam no 9º andar do edifício Liberdade --o mais alto dos três--, pavimento que pertencia a empresa TO, podem ter contribuído para o acidente.

No entanto, à época do desabamento, o proprietário da TO, Sérgio Alves, negou que as reformas de sua empresa possam ter provocado o acidente. O empresário afirmou à polícia que "um conjunto de fatores" pode ter sido o motivo do desastre. "Estou convicto de que as nossas reformas não afetaram a estrutura do prédio. (...) Não sou um especialista, mas acredito que isso aconteceu em função de um conjunto de fatores que fizeram do prédio uma 'bomba-relógio' de efeito retardado", disse.

Segundo o empresário, as reformas estavam "em processo de demolição", e apenas três paredes de tijolos foram destruídas no 9º andar com o objetivo de alterar a posição de um banheiro. Além disso, os operários realizavam "ajustes frequentes para regulagem das portas".

O proprietário da TO esclareceu ainda que a mudança na posição do banheiro não causou impacto algum quanto à distribuição da rede hidráulica. "O prédio possuía dois barbarás [tubulação que serve de escoamento para águas pluviais e esgoto], sendo um no canto e um no centro do andar que estava sendo reformado", disse.

Dois dias após o desastre, Alves admitiu ter iniciado os trabalhos no edifício Liberdade sem um laudo técnico assinado por engenheiro. Segundo ele, o síndico exigiu o documento, porém teria aceitado recebê-lo durante a reforma em razão de um problema particular do engenheiro contratado pela empresa, Paulo Sérgio Cunha Brasil.

"Foi acordado que o laudo seria entregue depois que a obra fosse iniciada", argumentou o empresário.

Veja o local onde desabaram os prédios no centro do Rio

Cotidiano