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Bope inicia ocupação no Complexo do Alemão para instalação de UPP

Do UOL, em São Paulo

27/03/2012 07h15

As tropas da Força de Pacificação, que atuam nos complexos do Alemão e da Penha, na zona norte do Rio de Janeiro, começaram a ser  substituídas na manhã desta terça-feira (27) por policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope).

Policiais militares com formação específica para atuação em UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) deverão cuidar do local. A previsão é de que até o fim de junho, 2.200 agentes da PM ocupem os dois conjuntos de favelas no lugar no Exército, segundo a Secretaria Estadual de Segurança Pública (Seseg).

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Em março, cerca de 500 policiais militares já haviam se deslocados para o Complexo do Alemão a fim de iniciar o patrulhamento nas áreas tidas como estratégicas: as favelas Fazendinha e Nova Brasília. Nesses locais, o governo do Estado colocará os tradicionais contêineres das UPPs. 

O processo gradual de substituição faz parte do convênio firmado entre o governo do Rio e o Exército, de acordo com o Ministério da Defesa. A inauguração oficial do conjunto de UPPs ocorrerá no fim do primeiro semestre, segundo previsão da Seseg.

O diretor do Instituto Raízes em Movimento, Alan Brum, questiona a necessidade de varreduras na área. Segundo ele, os moradores das favelas estão apreensivos e temem possíveis violações de direitos. A organização não governamental atua no Alemão há mais de dez anos.

"Se o Exército já está aqui há tanto tempo, nosso questionamento é sobre a necessidade de uma varredura pelo Bope. Os locais mais problemáticos em relação à violência já estão mapeados e são de conhecimento público. Todos aqui estão muito apreensivos e há tensão por parte dos moradores", afirmou.

O coronel Fernando Fantazzini, relações públicas da Força de Pacificação, justifica a ação do Bope e da Polícia Militar na região a um decreto de lei assinado pelo governador Sérgio Cabral. "A implantação de qualquer UPP dever ser precedida pela varredura da Polícia Militar e também do BOPE. E a ação no Complexo do Alemão segue ao cronograma da Força de Pacificação no Estado", diz.

Ele garantiu também que a ação não violará os direitos dos moradores da região, tampouco trará prejuízo ao patrulhamento no interior das comunidades para coibir o comércio de drogas. "Iremos manter o mesmo procedimento, ou seja, faremos um patrulhamento intensivo em todo o completo, além de conferências nos 'checkpoints'", descreve ele, que adianta ainda que não haverá aumento no número de homens que ocupam o conjunto de favelas, atualmente em 1,6 mil.

No total, as novas UPPs terão oito bases operacionais, que serão instaladas nas comunidades da Grota, Baiana, Fazendinha, Nova Brasília, Vila Cruzeiro, Itararé, Adeus e Alemão --estes dois últimos ainda não são contemplados pelas forças de segurança. O centro de controle ficará no mesmo galpão onde hoje está localizada a sede da Força de Pacificação, na estrada do Itararé.

O primeiro acordo entre o governador Sérgio Cabral e o Ministério da Defesa previa que os militares da Força de Pacificação ocupariam a região dos complexos do Alemão e da Penha até outubro do ano passado. Porém, em função do número insuficiente de agentes formados no curso de policiamento comunitário, as partes assinaram um ato de prorrogação.

Entenda

As Forças Armadas passaram a atuar, subsidiariamente, em operações de reforço à segurança pública no Rio de Janeiro após a intensificação de ataques em vários pontos da cidade e arrastões, em novembro de 2010.

No fim daquele ano, uma força-tarefa do Batalhão da Brigada de Infantaria de Paraquedista do Exército, apta na atuação em Garantia da Lei e da Ordem (GLO), se instalou no Complexo do Alemão a pedido do governo do Estado. Atualmente, cerca de 1.600 militares do Exército são responsáveis pela segurança na região. (Com informações de Hanrrikson de Andrade, no Rio, e da Agência Brasil)

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