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Com cruz, empresário percorre julgamentos "badalados" pelo país para protestar

Empresário André Luiz dos Santos, 51, de Viçosa (226 km de Belo Horizonte), que protesta na frente do Fórum de Contagem (região metropolitana de Belo Horizonte) - Washington Alves/UOL
Empresário André Luiz dos Santos, 51, de Viçosa (226 km de Belo Horizonte), que protesta na frente do Fórum de Contagem (região metropolitana de Belo Horizonte) Imagem: Washington Alves/UOL

Carlos Eduardo Cherem

Do UOL, em Contagem (MG)

20/11/2012 06h00

O empresário do setor gráfico André Luiz dos Santos, 51, de Viçosa (226 km de Belo Horizonte), diz que tem prejuízo em sua empresa quando se afasta dela para defender o que chama de “justiça para todos”. No entanto, diz ele, não “pode” deixar de se manifestar: “Quero justiça! Prefiro ter prejuízo”. Nesta segunda-feira (19), Santos chegou pouco antes de 8h ao Fórum de Contagem, região metropolitana de Belo Horizonte, para acompanhar o julgamento do goleiro Bruno Souza e demais acusados de envolvimento no desaparecimento e morte de Eliza Samudio.

“Já tenho experiência participei dos julgamentos de [Alexandre] Nardoni e [Anna  Carolina] Jatobá e dos assassino [Lindemberg  Alves] de Eleoá [Cristina Pimentel], em São Paulo. Rodo o país, fazendo isso”, afirmou Santos.

Ele carrega um crucifixo com diversas frases e fotos dos envolvidos no processo e pede Justiça. “Não peço condenação, peço justiça”,  afirma.

Ele diz que permaneceu, durante o julgamento do mensalão, durante “alguns dias” na frente do STF (Supremo Tribunal Federal), com a mesma intenção: “clamar por justiça”. No processo de votação do  Ficha Limpa no Congresso Nacional, Santos fez greve de cinco dias para que a iniciativa tivesse aprovação. “Só luto por causa justas”, afirma.

“Mãe é mãe”

Maria das Graças Silva, 55, dona de casa, e o estudante do ensino médio, César Augusto de Paula Oliveira, 18, ambos moradores de Contagem, afirmaram que vão permanecer na entrada do Fórum de Contagem até o fim do julgamento do goleiro Bruno e dos outros acusados pelo crime contra Eliza Samudio.

Acabaram se tornando amigos, em poucas horas, por conta da causa comum e a iniciativa de protestar.

“Vamos fazer a união. Ele [o goleiro Bruno] pode ser absolvido por causa do dinheiro. Não podemos deixar isso acontecer”, diz.  Em uma folha de papel do caderno da escola, Oliveira escreveu a frase “Cadê Elisa?”, que segurava para os fotógrafos junto com Maria das Graças.

“Viramos amigos, vamos lutar juntos. Conversei com Deus e sei que o Bruno é culpado”, afirmou.  “Sou mãe e mãe é mãe. Sei o que a mãe da Eliza está passando."

Os dois garantem que vão, todos os dias, permanecer no local, até o fim do julgamento.

VEJA O O QUE SERÁ APRESENTADO NO JULGAMENTO DOS ACUSADOS

RÉUACUSAÇÃOO QUE DIZ O MPO QUE DIZ A DEFESA
BRUNOResponde pelos crimes de sequestro e cárcere privado, homicídio triplamente qualificado e ocultação de cadáverMentor e mandante da morte de Eliza, ameaçou-a de morte durante a gravidez. O goleiro determinou que Eliza fosse sequestrada e levada a sua casa, no Rio de Janeiro. Acompanhou o deslocamento de Eliza, já sequestrada e ferida na cabeça após receber coronhadas, para MinasNega a existência do crime. Eliza não foi morta porque não há corpo. Anteriormente, havia reconhecido a morte de Eliza, mas sem a participação, concordância ou o conhecimento do goleiro. A atribuição do crime havia sido dada a Macarrão, insinuando que o ex-braço direito nutria um “amor homossexual” pelo jogador
MACARRÃOResponde pelos crimes de sequestro e cárcere privado, homicídio triplamente qualificado, e ocultação de cadáverTambém ameaçou Eliza durante a gravidez e foi o responsável pelo sequestro da moça no Rio de Janeiro. Foi o motorista do carro, com Eliza e o filho, na viagem para Minas Gerais. Dirigiu o veículo que transportou a moça até a casa de Bola. Amarrou as mãos de Eliza e desferiu chutes nas pernas da moçaNão existem provas materiais do crime de homicídio. Ele declarou que, Para evitar “especulações”, não adianta detalhes da estratégia de defesa a ser adotada
BOLA*Responde pelos crimes de homicídio duplamente qualificado e ocultação de cadáverExecutor de Eliza, estrangulou a jovem dentro de casa, em Vespasiano. Esquartejou o corpo da mulher e atirou uma das mãos a cães rottweiler. Foi incumbido de desaparecer com o corpoNega as acusações e afirma que apresentará “prova cabal” aos jurados, durante o julgamento, da inocência de Bola
DAYANNEResponde pelos crimes de sequestro e cárcere privado da criançaParticipou da “vigilância” feita sobre Eliza e o filho no sítio do goleiro em Esmeraldas, apontado pela polícia como o cativeiro de Eliza antes de sua morte. Sabia do plano para matar a ex-amante do jogador. Tentou desaparecer com o filho de Eliza, localizado posteriormente pela polícia em Ribeirão das NevesNega que Dayanne soubesse do plano para matar Eliza, ela apenas cuidou da criança depois de um pedido do ex-marido. Sobrevivência do filho de Eliza se deu graças a Dayanne
FERNANDAResponde pelos crimes de sequestro e cárcere privado de Eliza e do filho delaOutra ex-amante de Bruno, auxiliou Macarrão a manter Eliza dentro da casa do goleiro no Rio antes da viagem para Minas. Cuidou do filho de Eliza nesse período e acompanhou Bruno e Macarrão na ida para Minas. Sabia da intenção do grupo de matar ElizaÉ inocente, não sabia de nenhum plano para matar Eliza. Não presenciou um cenário que remetesse ao crime atribuído a ela. A viagem a Minas Gerais com o goleiro havia sido programada um mês antes do crime. Não notou ferimentos em Eliza
  • * Os advogados do acusado abandonaram o julgamento. Como Bola recusou a indicação de um defensor público, ele deverá ser julgado em outro momento

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