Oscar Niemeyer

"Foi por causa dele que eu nasci", diz brasiliense ao prestar homenagem a Niemeyer

Hanrrikson Andrade

Do UOL, no Rio

"Vim aqui para homenagear este grande homem, pois foi por causa dele que eu nasci". A frase é do assistente social William de Matos, que há 46 nasceu em Brasília e nesta sexta-feira (7) foi até o Palácio da Cidade, no Rio de Janeiro, para se despedir do arquiteto Oscar Niemeyer.

Principal nome da arquitetura brasileira e autor de projeto urbanístico da capital federal, Niemeyer morreu na noite da quarta-feira (5) em decorrência de problemas respiratórios. 

"Meu pai foi transferido para trabalhar na construção de Brasília. Lá, ele namorou com a minha mãe e tal. E eu estou aqui. Foi um privilégio nascer no Distrito Federal", contou Matos, cujo pai, Damião Dias do Amaral, era funcionário da Aeronáutica e teria tido contato direto com Niemeyer.

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"Meu pai falava que eu poderia aprender muitas coisas com este grande homem. Ele [Niemeyer] me ensinou muita coisa: num lugar onde não tinha nada, ele construiu muita coisa. Ele fez muitas curvas", disse o assistente social.

Velório

O velório de Niemeyer, que morreu aos 104 anos, foi aberto ao público das 8h e até 15h desta sexta-feira (7), no Palácio da Cidade, a sede oficial da Prefeitura do Rio, em Botafogo, na zona sul. Em seguida, será rezada uma missa para os parentes e amigos. O enterro está marcado para 17h, no Cemitério São João Batista, também em Botafogo.

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O corpo de Niemeyer chegou ao Palácio da Cidade por volta das 20h30 desta quinta-feira (6), e foi velado durante toda a madrugada em uma cerimônia restrita a familiares e amigos.

Na chegada ao Palácio da Cidade, o corpo foi recebido pela viúva, Vera Niemeyer, e pelo neurocirurgião Paulo Niemeyer, sobrinho do arquiteto. Eles não falaram com a imprensa.

O avião da Força Aérea Brasileira (FAB) com o corpo do arquiteto Oscar Niemeyer aterrissou às 22h04 desta quinta-feira (6) no Aeroporto Santos Dumont. Um carro funerário já aguardava na pista. O corpo foi transportado até o veículo por militares da Aeronáutica do 3º Comando Aéreo Regional (3º Comar).

O neto de Niemeyer, Carlos Oscar Niemeyer Magalhães, que trabalhou durante 13 anos no escritório do arquiteto, disse que a família ficou muito emocionada com o carinho das pessoas durante o velório em Brasília. Segundo ele, o avô lhe ensinou importantes lições de vida.

"Ele sempre dizia três coisa para a gente. A vida é um segundo, vamos viver a vida bem vivida, com os amigos e com a família. O mundo é injusto, temos que modificá-lo e fazer aquilo que a gente puder fazer de melhor para ajudar a corrigir as desigualdades sociais. E a outra coisa que ele dizia é que a palavra mais bonita é solidariedade."

Como administrador do escritório do avô, Carlos contou que nem sempre era fácil gerir as finanças: "Como comunista, a ligação dele com o dinheiro era nenhuma."

O neto justificou a escolha da família em fazer o enterro no Rio pelo amor que ele tinha pela cidade. "Ele era apaixonado pelo Rio de Janeiro, apesar de ter projetado Brasília e gostar muito de lá. Mas o Rio era a cidade dele."

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Na capital federal, o velório terminou por volta das 19h30, meia hora antes do previsto, a pedido da família do arquiteto, segundo a assessoria de imprensa do Planalto.

A justificativa dada foi o horário limite para pousos no aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, para onde o corpo segue para também ser velado.

Sob aplausos e cantoria de trechos do Hino Nacional, o caixão desceu a rampa do Palácio do Planalto às 19h35.
 

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