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"Não sei se estou feliz, porque estou viva", diz fotógrafa que sobreviveu à tragédia

A fotógrafa Mariana Magalhães, que sobreviveu à tragédia - Thiago Varella/UOL
A fotógrafa Mariana Magalhães, que sobreviveu à tragédia Imagem: Thiago Varella/UOL

Thiago Varella

Do UOL, em Santa Maria (RS)

28/01/2013 14h13Atualizada em 28/01/2013 14h45

A fotógrafa Mariana Magalhães, que trabalhava na boate Kiss durante o incêndio que deixou mais de 230 mortos e mais de cem feridos na madrugada de ontem (27), disse que estava na frente do palco e notou o incêndio, que se alastrou de maneira muito rápida.

"Era um pouco de fogo no teto. Me desesperei, urrei e saí correndo", disse Mariana, nesta segunda-feira (28), ainda abalada após prestar depoimento na 1ª DP de Santa Maria, município no interior do Rio Grande do Sul. A fotógrafa não sabe se foi uma das primeiras sair da boate, mas afirma não ter sido barrada pelos seguranças.

"Não sei se estou feliz, porque estou viva, ou triste, porque não sei por quem chorar", afirmou ela, que trabalha para o site "Zoom", ao lembrar que perdeu vários amigos na tragédia. O dono do "Zoom", João Carlos Barcellos Silva, também morreu no incêndio.

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A fotógrafa também disse que a casa noturna passou por uma reforma há poucos meses. "Teria sido muito pior antes, havia muito mais degraus". Além de salvar a própria vida, Mariana conseguiu ainda ajudar duas amigas e o ex-namorado a escaparem da boate.

A Polícia Civil do Rio Grande do Sul confirmou a prisão do sócio majoritário da boate Kiss em mandado cumprido no início da tarde de hoje. Segundo um dos delegados do caso, Antonio Firmino Neto, Mauro Hoffmann foi apresentado por seu advogado na 1ª Delegacia de Polícia da cidade.

Mais cedo, a Polícia Civil havia confirmado as prisões de outro proprietário da boate e de dois músicos da banda Gurizada Fandangueira, que se apresentava no local, no momento do incêndio.

Cemitérios lotados

A movimentação do Cemitério Municipal de Santa Maria, o maior da cidade gaúcha, é intensa nesta segunda para receber os corpos das vítimas. "Normalmente fazemos vinte enterros por semana. Estamos fazendo o trabalho de um mês em apenas um dia", disse Tubias Calil, coordenador do cemitério e do mutirão da prefeitura para os sepultamentos. Segundo ele, no mínimo 90 vítimas devem ser enterradas entre hoje e amanhã (29) no cemitério municipal, que tem dez hectares de área.

Além disso, no mínimo outros 65 enterros devem acontecer na cidade.

A maioria dos corpos está sendo colocada em carneiras, que é uma espécie de gaveta, fechada posteriormente com tijolos, onde é possível depositar o caixão. Após a tragédia, a administração do cemitério fez um levantamento para saber quais carneiras poderiam ser limpas, e limparam 160 em apenas um dia e meio, disse Calil. Pela lei, após cinco anos já podem ser retiradas as ossadas das gavetas.

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Foi organizado um "mutirão" para sepultar as pessoas. Coroas de flores e caixões estão sendo comprados em outras cidades, e a prefeitura já auxilia na transferência de corpos. Desde domingo não há coroas de flores e caixões suficientes, por isso, eles têm vindo de cidades vizinhas.

O número de pessoas que trabalha nos locais foi ampliado de forma emergencial e voluntários também estão sendo utilizados. A abertura dos cemitérios ocorreu às 7h30, mais cedo que em dias comuns.

Famílias pobres que necessitam transferência do corpo das vítimas terão auxílio da prefeitura da Santa Maria, que colocou sua estrutura à disposição para levar os mortos a suas cidades de origem.

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