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Cotidiano

Dois mortos em operação que teve cena de crime forjada não tinham antecedentes, diz polícia

Hanrrikson de Andrade

Do UOL, no Rio

13/05/2013 13h37

Dois dos cinco homens mortos durante operação na favela do Rola, na zona oeste da capital fluminense, em agosto do ano passado, não tinham antecedentes criminais. A informação foi confirmada nesta segunda-feira (13) pela cúpula da Core (Coordenadoria de Recursos Especiais), a divisão de elite da Polícia Civil do Rio de Janeiro, após a divulgação de um vídeo que mostra a violação da cena de um crime por policiais.

As duas vítimas que não tinham passagem pela polícia são Douglas Vinícius da Silva, 22, e Silas Rosa Guimarães, 26. Já Paulo Cezar de Souza, 44, havia sido preso por assalto, e Everton Luís da Cruz Neves, 25, e Adalberto Santos da Silva, 27, por tráfico de drogas e homicídio, respectivamente.

Imagens do material divulgado pelo jornal "Extra", no último sábado (11), gravadas pelos próprios policiais da Core, flagram o momento em que os agentes arrastam o corpo de uma vítima para um bar no qual estavam outros suspeitos mortos. Segundo a chefe da Polícia Civil, Martha Rocha, o cadáver que é deslocado a fim de violar a cena do crime ainda não foi identificado. O caso está sendo analisado pela Coinpol (Corregedoria da Polícia Civil), que tem 30 dias para concluir o relatório.

Martha anunciou que será estabelecido um protocolo para orientar a coleta, monitoramento e análise de imagens gravadas durante operações policiais no Estado. Para tal, a delegada determinou a criação de uma comissão composta por representantes da subchefia operacional, da Corregedoria, da assessoria jurídica, da Polícia Técnica e da Divisão de Tecnologia e Informática.

O trabalho da comissão começou já nesta segunda-feira, quando uma equipe da Corregedoria visitou o Saer (Serviço Aeropolicial da Polícia Civil do Rio) com o objetivo de estudar a dinâmica do equipamento utilizado pela Core durante a operação na favela do Rola. "Essa comissão vai fazer o protocolo. Vai estudar essa dinâmica e vai fazer o protocolo que passará a ser exigido a partir de agora", disse.

A chefe da Polícia Civil afirmou ainda que a instituição admite a inexistência de diretrizes que regulamentem o uso de câmeras em operações policiais, bem como o armazenamento e análise desses dados de inteligência. "É fato que, embora esse equipamento estivesse na Polícia Civil desde 2010, não havia em relação ao uso desse equipamento qualquer tipo de protocolo ou qualquer rotina relativa ao uso desse equipamento", disse.

Martha Rocha não quis expressar sua opinião quando questionada sobre a responsabilidade dos policiais envolvidos na ação, e afirmou que vai esperar a conclusão da sindicância da Coinpol. "A investigação não provou culpa dos nossos policiais", disse.

Alvo da operação

A chefe da Polícia Civil do Rio revelou que o objetivo da operação na favela do Rola era a prisão do traficante Diogo de Souza Feitoza, o "DG", morto há pouco mais de um mês. Apontado como um dos líderes do tráfico de drogas na favela de Manguinhos, na zona norte da cidade, Feitoza foi resgatado dentro da delegacia do Engenho Novo (25ª DP), também na zona norte, em julho do ano passado. Desde então, tornou-se um dos homens mais procurados pela polícia.

"Efetivamente, houve a operação que tinha como objetivo prender o traficante DG, que foi resgatado da 25ª DP. Havia informações de inteligência e informações relativas ao Disque-Denúncia dando conta da permanência do DG naquela localidade. Ao término da operação, esse fato foi apresentado na 36ª DP", disse Martha Rocha.

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