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SP tem trânsito recorde, e CET cancela rodízio municipal

Do UOL, em São Paulo

2013-06-13T11:28:31

13/06/2013 11h28

A greve dos funcionários da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), que começou à 0h desta quinta-feira (13), provocou reflexos no trânsito da cidade de São Paulo. Às 11h, a CET registrou trânsito recorde para o horário neste ano: eram 148 km de fila, o mesmo índice registrado em 5 de abril. No total, 17% das vias monitoradas estavam congestionadas, sendo que a média para o horário fica entre 9% e 5%. A zona oeste era a pior região, com 49 km de congestionamentos.

Paulistanos enfrentam dificuldades para chegar ao trabalho

A CET divulgou nota nesta manhã afirmando que o rodízio municipal de veículos está suspenso em função da paralisação dos trens. De acordo com a assessoria de imprensa, as multas referentes a violação do rodízio registradas hoje serão anuladas. Se a greve dos ferroviários for mantida na sexta-feira, 14, a CET manterá a suspensão do rodízio amanhã.

As piores vias eram a marginal Tietê, que tinha 19 km de filas na pista expressa, 15 km na central e 13 km na local, no sentido Castelo Branco. A marginal Pinheiros tinha 9 km de congestionamento no sentido Interlagos, e 5 km em direção à Castelo Branco.

Paralisação

As linhas 9 - Esmeralda, 11 - Coral e 12 - Safira da CPTM estão completamente paralisadas. Até as 10h as linhas 11 e 12  operavam parcialmente, entre as estações Guaianases e Luz, e Manuel Feio e Brás.

Não pararam os funcionários das linhas 7 - Rubi e 10 - Turquesa. Desativado no fim de 2011, o trecho da Linha 10 -Turquesa entre as estações Brás e Luz, na região central de São Paulo, reabriu nesta quinta-feira, 13, por causa da greve de parte dos funcionários da empresa.

Segundo a CPTM, a medida é para que os passageiros tenham mais opções de deslocamento, já que três linhas estavam paralisadas durante a manhã. 

A concessionária responsável pela linha 4- Amarela do metrô acionou o sistema de transporte de emergência Paese para atender os usuários entre as estações Pinheiros e Grajaú.

Em alguns pontos de ônibus próximos aos terminais de trem, grandes filas se formaram à espera do transporte inter-municipal e Paese.

A maior parte dos passageiros só soube da greve da CPTM hoje de manhã, quando chegaram à estação. Os usuários reclamaram da falta de organização para pegar o ônibus.

"Se não bastasse a gente pagar caro na tarifa, ainda tem que aguentar uma coisa dessas. Está uma bagunça isso aqui", disse a auxiliar administrativa Maria Gorete da Silva, de 38 anos. Ela havia saído de casa, no Capão Redondo, às 6h45. Apenas às 8h20 conseguiu pegar o Paese.

O rodízio municipal de veículos foi suspenso durante todo o dia, e as multas referentes à violação serão canceladas, segundo a CET.

Já o Metrô informou que irá estender o horário da operação máxima em todas as linhas e também irá reforçar o número de funcionários nas estações.

Linhas da CPTM

  • Reprodução/CPTM

Reivindicações da categoria

Na manhã desta quarta, uma reunião de conciliação realizada no TRT (Tribunal Regional do Trabalho), entre os trabalhadores da CPTM e representantes da empresa, terminou sem acordo.

"Tentamos negociar, mas a CPTM não colaborou. Não tivemos outra alternativa a não ser decretar a greve", afirma Everson Craveiro, representante do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias de Transporte de Passageiros da Zona Sorocabana. Trabalhadores ligados ao Sindicato dos Ferroviários da Central do Brasil também participam das negociações.

A categoria reivindica reajuste de 6,77% (equivalente à inflação do período), mais 5% de aumento real, pagamento de vale alimentação de R$ 200, vale refeição composto por 24 cotas de R$ 25, e adicional de risco de vida de 30% ao pessoal que trabalha em estações.

CPTM diz que greve é "irresponsável"

Em nota, a CPTM criticou a decisão, que considerou "irresponsável". "A direção da CPTM ressalta que buscou todas as formas e alternativas no sentido de chegar a um acordo com as entidades sindicais envolvidas e, assim sendo, espera que seus empregados adotem postura responsável em favor da continuidade dos serviços prestados à população", diz o comunicado.

A empresa afirma que apresentou nova proposta de reajuste salarial de 8,56%, aumento de 20% no vale refeição, que passaria de 22 para 24 cotas de R$ 23 por dia (R$ 552 ao mês), além de substituição da cesta básica por vale alimentação no valor de R$ 100.

O TRT determinou que os funcionários devem manter 100% da operação nos horários de pico, entre 6h e 9h e das 16h às 19h. Nos outros horários, 75% da operação deve ser mantida. Caso não cumpra a ordem, os empregados poderão ser responsabilizados civil e penalmente e terão de pagar multa de R$ 100 mil.  "Como os sindicatos não cumpriram a decisão, a CPTM acionará a Justiça".

A assessoria de imprensa do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias da Zona Sorocabana, responsável pelos trabalhadores da linha 9, informou que "não está preocupada com a determinação da Justiça, e sim em fazer uma greve para ampliar os direitos dos filiados".

José Floriano de Araujo Junior, diretor do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias da Zona Central do Brasil, que atende os funcionários das linhas 11 e 12, uma reunião com os demais sindicatos está marcada para as 14h de hoje, na estação da Luz, onde "será avaliado o processo de greve até então". (Com Estadão Conteúdo)

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