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Rio suspende aumento na tarifa de transportes: "R$ 200 mi a menos em outras áreas"

ERBS Jr./Frame
O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PMDB), anunciou a redução do valor das passagens de ônibus, metrô, trens e barcas na capital fluminense Imagem: ERBS Jr./Frame

Carolina Farias e Julia Affonso

Do UOL, no Rio

19/06/2013 18h15Atualizada em 19/06/2013 20h39

O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, anunciou em entrevista coletiva no início da noite desta quarta-feira (19) que o preço das passagens de ônibus na cidade será revogado. Desde o dia 1º de junho, a passagem de ônibus no Rio havia aumentado de R$ 2,75 para R$ 2,95, causando uma série de protestos pela cidade.

O prefeito anunciou ainda que os aumentos no metrô (de R$ 3,20 para R$ 3,50), trens (de R$ 2,90 para R$ 3,10) e barcas (R$ 4,50 para R$ 4,80) também serão revogados. Segundo Paes, o impacto no orçamento será de R$ 200 milhões ao ano.

"Eu venho aqui hoje depois de refletir muito sobre o tema e mostrando que esses 20 centavos não foram por desejo do município. (...) [Venho] para anunciar que vamos suspender o aumento de 20 centavos concedido agora no início de junho. Essa suspensão se dá em conjunto com o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad", disse Paes.

Protestos se espalham pelo Brasil
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"São R$ 200 milhões que têm que ser arcados pelo poder público. Arcar com esses recursos significa, sim, a escolha de prioridades. Serão R$ 200 milhões a menos investidos em outras áreas", afirmou o prefeito do Rio. A revogação nos valores valerá a partir de sexta-feira (21), quando a decisão deve ser publicada nos "Diários Oficiais" do município e do Estado.

Paes esclareceu que a "revogação" do aumento das tarifas do transporte público foram resultantes da mobilização popular. "Quero destacar mais uma vez que temos dado muita atenção e ouvidos àqueles que fazem suas manifestações dentro da democracia e das regras de civilidades e que colocaram seus pontos e considerações como eles devem ser colocados. É um direito da população se manifestar e colocar os seus pontos", declarou.

Paes disse que ainda vão avaliar onde ocorrerão os cortes por causa do impacto dos R$ 200 milhões com a suspensão.

O prefeito quer agora propor à sociedade e aos demais prefeitos que reivindiquem no Congresso e junto ao governo federal um rateio de despesas dos serviços prestados pela administração municipal.

"Não é trivial um movimento suspender um aumento. Só que tem um custo que tem que ser debatido. O Congresso precisa estudar formas de desoneração. Vamos pressionar para um debate porque vai gerar consequências. Vamos pressionar o Congresso e o governo federal para que os custos das prestações de serviços à população seja repartido com o governo", disse Paes.

O prefeito afirmou ainda que a tarifa iria subir para R$ 3,05, mas que contava com a desoneração que o governo federal anunciou para o PIS e o Cofins, por isso diminuiu R$ 0,10.

"Temos consciência de que o transporte de ônibus no Rio está longe do ideal, não nos orgulhamos e estamos tentando melhorar o sistema", ressaltou o prefeito.

Programados via redes sociais, os protestos que tomaram o Brasil na última segunda-feira (17) surpreenderam pelo tamanho e, em alguns locais, pela violência, caso do Rio de Janeiro, onde 100 mil pessoas tomaram o centro da cidade e ao menos 31 ficaram feridas; dois manifestantes seguem internados devido a ferimentos causados por armas de fogo atribuídos à polícia.

Imagens mostram ainda policiais militares atirando para cima com fuzis. Em entrevista coletiva na terça, o coronel Frederico Caldas, porta-voz da Polícia Militar do Rio de Janeiro, afirmou que as imagens de policiais atirando para o alto com fuzis e revólveres durante o protesto demonstram que não havia "objetivo de atingir quem quer que seja". Segundo ele, apenas a perícia da Polícia Civil determinará se algum dos feridos por arma de fogo foi atingido por algum policial.

Em Niterói, na região metropolitana do Rio, o prefeito Rodrigo Neves (PT) também revogou o decreto de reajuste das tarifas de ônibus. A redução foi idêntica à da capital fluminense: de R$ 2,95 para R$ 2,75. 

Mais protestos

Uma nova manifestação está marcada para a tarde de quinta-feira (20), no centro do Rio. O protesto da segunda-feira acabou em conflito com a polícia depois que um grupo tentou invadir a Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro).

Segundo o universitário Kenzo Soares, estudante da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), e um dos membros do Fórum de Luta contra o Aumento das Passagens, a nova manifestação terá o mesmo trajeto em relação aos atos anteriores: da Candelária à Cinelândia.

"Esta foi a primeira vitória e fortalece ainda mais a manifestação de amanhã. Mostra ao povo que quem luta conquista. Mas a decisão ainda não foi formalizada, só foi de boca. Falta liberarem os presos e melhorarem o transporte. A pauta foi ampliada durante os protestos. Queremos um transporte de qualidade", afirma ele.

Existe a possibilidade de o trajeto ir até o Maracanã, para pressionar o governo do Estado a tomar uma posição sobre os estudantes que estão presos.

Durante a tentativa de invasão, na segunda-feira (17), um coquetel molotov foi lançado em direção ao edifício e atingiu a porta da Alerj. Policiais militares utilizaram balas de borracha, bombas de gás e spray de pimenta na tentativa de dispersar os manifestantes, mas acabaram entrando no prédio, onde passaram algumas horas como reféns. Por volta das 23h15, a Tropa de Choque retomou a Alerj e resgatou funcionários da Assembleia e cerca de 70 PMs, entre eles 20 feridos.

O presidente da Alerj, deputado Paulo Melo (PDMB), estimou que o prejuízo causado na sede do Legislativo fluminense foi entre R$ 1,5 a R$ 2 milhões. Segundo Melo, 30% dos vidros franceses da parte de trás do prédio e várias vidraças dentro do Palácio Tiradentes foram quebradas pelos manifestantes. O mobiliário no salão nobre da casa também foi danificado. Além do prédio da Alerj, também ocorreram atos de vandalismo no Paço Imperial e na Igreja de São José, que ficam no entorno.