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Cotidiano

Pilares de obras tinham rachaduras, diz irmão de operário desaparecido após prédio desabar

Gil Alessi

Do UOL, em Guarulhos (SP)

03/12/2013 10h33Atualizada em 03/12/2013 13h41

Irmão do operário que está desaparecido após o desabamento de um prédio em Guarulhos, na Grande São Paulo, o pedreiro Edvaldo Jesus dos Santos, que trabalhava há sete meses na mesma obra, afirmou que já havia observado rachaduras na construção.

“Vivíamos restaurando os pilares do prédio por causa de rachaduras. A gente falava para o encarregado, mas ele parecia não dar muita importância. A gente também não dava”, afirmou.

Edvaldo afirmou ainda que alguns operários não usavam equipamentos de segurança já que este não era fornecido pela construtora.

As causas do acidente ainda são desconhecidas. A prefeitura informou que a construtora Salema, responsável pela obra, teve alvará expedido em 23 de novembro de 2012 para construir um condomínio residencial de 30 apartamentos e dois salões comerciais.

Em maio deste ano, a empresa pediu uma substituição do projeto, acrescentando um mezanino em um dos salões comerciais e teve, novamente, alvará emitido pela prefeitura em novembro, no dia 6 de novembro.

Segundo o coordenador da Defesa Civil de Guarulhos, Paulo Victor Novaes, nenhum responsável pela construção apareceu no local desde que a obra ruiu.

Na segunda-feira, dia do acidente, Edvaldo não foi trabalhar. A última vez que ele falou com o irmão foi sexta-feira.

Local do acidente

“Estamos tentando falar com ele (Edenilson) desde ontem à noite”, afirmou. Segundo ele, Edenilson de Jesus dos Santos, 24, tem um filho de cinco anos e uma menina de um ano.

Construtora

O advogado Maurício Monteagudo, que representa a Salema Comércio, Construção e Projetos Ltda, responsável pela obra, afirmou nesta terça-feira (3) que a empresa quer verificar a extensão dos danos e pretende indenizar eventuais vítimas. “Se houver vítimas, vamos ressarci-las”.

Segundo Monteagudo, nenhum engenheiro responsável pela obra esteve no local após o acidente, mas representantes jurídicos da construtora estão acompanhando o trabalho de resgate. “Estive no local ontem e fiquei até as 4h”. O advogado também declarou que a empresa irá apurar os problemas da construção e emitir um parecer técnico a respeito.

Monteagudo esteve no local do acidente por volta das 12h. Sobre a falta de equipamento de segurança, o advogado afirmou que “isso não existe em uma obra deste tamanho”. Ele ainda considerou "improvável" a presença de rachaduras em pilares e classificou o acidente como uma “catástrofe”.

Buscas

Os bombeiros continuavam, na manhã desta terça-feira (3), as buscas por Edenilson, que morava no local da obra. Ao todo, 14 carros e 35 homens da corporação trabalham no local com a ajuda de cães farejadores.

O capitão do Corpo de Bombeiros Carlos Roberto Rodrigues informou que por volta das 9h30 as buscas entraram em uma nova etapa. De acordo com ele, o local indicado pelos cães onde poderia estar a vítima é uma laje.

"Embaixo da laje tem uma série de rampas que seriam uma rota de fuga", afirmou. O capitão disse que todos os entulhos foram retirados deste local e que agora apenas o maquinário mais pesado poderá movê-lo.

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