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Falta de energia afetou 6 milhões de pessoas no país, diz ONS

Do UOL, em São Paulo*

04/02/2014 20h45Atualizada em 04/02/2014 23h22

O diretor-geral do ONS (Operador Nacional do Sistema), Hermes Chipp, informou, em entrevista coletiva concedida no Rio de Janeiro, que a interrupção do fornecimento de energia elétrica ocorrido na tarde desta terça-feira (4) afetou cerca de 6 milhões de pessoas em todos os Estados das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste do país, além de uma pequena quantidade de consumidores do Tocantins, na região Norte.

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Chipp ressaltou, contudo, que trata-se de um cálculo preliminar. Segundo ele, o consumo foi reestabelecido em tempo médio de 30 minutos --a primeira falha foi detectada às 14h03.

A queda no fornecimento ocorre um dia após o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, afirmar que o governo não enxergava "nenhum risco de desabastecimento de energia".

Segundo o diretor do ONS, o que se pode garantir agora é que o problema foi causado por dois curtos-circuitos praticamente simultâneos em duas linhas do sistema de transmissão, entre Miracema (TO) e Colinas (TO). Com isso, uma terceira linha ficou sobrecarregada e também caiu.

Na quinta-feira (6), haverá uma reunião para analisar o ocorrido, e o relatório deverá ser encaminhado à Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica). Mesmo sem conhecer as causas, Chipp descartou possibilidade de um incêndio ter provocado falha nas linhas de transmissão.

O diretor também negou que o consumo elevado de energia tenha relação com o incidente e garantiu que não há falta de manutenção nas linhas de transmissão. Chipp destacou ainda que o atual padrão de temperatura elevada não tem relação com a ocorrência.

Na avaliação do presidente da EPE (Empresa de Pesquisa Energética), Maurício Tolmasquim, a operação do ONS, que prevê o desligamento automático de subestações para alivar a sobrecarga e evitar a propagação da falha, foi um "sucesso", já que evitou a ocorrência de um apagão completo.

"Aparentemente, o sistema funcionou como tinha que funcionar. Evitou, por exemplo, que o Sudeste apagasse, como aconteceu em outros eventos. Aparentemente houve sucesso nessa operação. O sistema funcionou e não houve um desligamento geral. Houve um grande avanço em relação a eventos passados, quando tivemos apagões de regiões inteiras", afirmou.

Tolmasquim também voltou a frisar que não há riscos de o Brasil ser alvo de racionamento, mas ressaltou que o país viveu um janeiro atípico. "É o pior janeiro em termos de afluências [chuvas] desde 1954", afirmou.

Reservatórios

Os reservatórios de hidrelétricas no Sudeste e no Centro-Oeste, os mais importantes para o abastecimento de energia do país, iniciaram a semana a 39,58% de armazenamento.

Janeiro teve a pior ocorrência de chuvas para o mês desde 1954, resultando em uma queda incomum do nível dos reservatórios do país para esta época do ano, período úmido que normalmente abastece os rios.

"Temos uma quantidade de usinas no país bastante grande e uma diversificação que permite que, mesmo tendo um janeiro ruim, nós não tenhamos nenhum problema de abastecimento de energia elétrica", disse Tolmasquim, da EPE.

*Com informações do Valor e da Reuters

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