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Governo nega apagão total e comemora "sucesso" da operação

Do UOL, em São Paulo

04/02/2014 18h24Atualizada em 04/02/2014 20h17

Em entrevista coletiva concedida nesta terça-feira (4), representantes do governo federal disseram que o sistema elétrico nacional está equilibrado e trabalhando "dentro do que se espera”.

Uma falha no sistema elétrico interrompeu parte da transmissão de energia em cidades das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste do país na tarde desta terça. Segundo o ONS (Operador Nacional do Sistema), a falha foi causada por uma "perturbação" no sistema, e as causas estão sendo investigadas. Estima-se que cerca de 3 milhões de unidades consumidoras no país tenham ficado sem luz.

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Na avaliação de Mauricio Tomalsquin, presidente da EPE (Empresa de Pesquisa Energética), a operação do ONS, que prevê o desligamento automático de subestações para alivar a sobrecarga e evitar a propagação da falha, foi um “sucesso”, já que evitou um apagão completo.

“Aparentemente, o sistema funcionou como tinha que funcionar. Evitou, por exemplo, que o Sudeste apagasse, como aconteceu em outros eventos. Aparentemente houve sucesso nessa operação. O sistema funcionou e não houve um desligamento geral. Houve um grande avanço em relação a eventos passados, quando tivemos apagões de regiões inteiras”, afirmou.

Tomalsquin disse, ainda, que é “prematuro” fazer qualquer avaliação sobre o que teria provocado a falha e disse que o governo vai esperar a análise do ONS.

Na mesma coletiva, Márcio Zimmermann, secretário-executivo do MME (Ministério de Minas e Energia), disse que houve atraso no período de chuvas, o que levou ao aumento de despacho de energia pelas térmicas, mas afirmou que essa situação, no entanto, não comprometeria a oferta de energia.

"Nós podemos dizer, em um aspecto bem claro, que o sistema é planejado para operar em situações dessa de estresse, como está ocorrendo agora", disse Zimmermann, que listou algumas possíveis causas da falha.

“Às vezes pode ser queimadas, problema de proteção. Tem uma série de eventos. Cada vez que tem uma ocorrência dessa, o ONS faz a análise, a agência [Aneel] fiscaliza. A forma de trabalho é avaliar e avaliar com a maior clareza para, se tiver algo para corrigir, que se corrija da melhor forma.”

Tolmasquim também voltou a frisar que não há riscos de o país ser alvo de racionamento, mas ressaltou que o país viveu um janeiro atípico. "É o pior janeiro em termos de afluências [chuvas] desde 1954", afirmou.

Consumo

Zimmermann disse que o sistema elétrico opera com equilíbrio estrutural e descartou a possibilidade de medidas de estímulo à contenção do consumo. "O setor elétrico brasileiro foi planejado para operar com equilíbrio entre oferta e demanda", afirmou.

"Mais uma vez, em 2014, estamos trabalhando com equilíbrio estrutural. O sistema está equilibrado", concluiu.

Sistema "instável"

Para o professor da Universidade de Itajubá e ex-secretário executivo Ministério de Minas e Energia, Afonso Henriques Santos, uma das principais causas do desabastecimento é a instabilidade do sistema elétrico.

Além disso, para Santos, a medida do governo de baratear a energia teria empobrecido os distribuidores, impedindo novos investimentos e a modernização do sistema. “Nossa distribuição está adentrando um período negro. Um período de atraso tecnológico intenso”, afirma. “O setor elétrico não pode ser empobrecido para poder fazer um populismo da energia elétrica barata.”

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