Educador acusa PMs de racismo em abordagem em loja de São José dos Campos

Ligia Hipólito

Do BOL, em São Paulo

  • Band

    Claudinei Corrêa defende o filho e o genro de abordagem policial no interior de SP

    Claudinei Corrêa defende o filho e o genro de abordagem policial no interior de SP

Um vídeo que circula na internet com mais de 12 mil compartilhamentos mostra a ação da Polícia Militar de São José dos Campos (SP) contra o educador social Claudinei Corrêa, 45, e os estudantes Jefferson Corrêa, 20, e Fabiano Augusto, 18 –todos negros.

Os jovens, respectivamente filho e genro de Claudinei, foram surpreendidos por PMs na sexta-feira (29) ao saírem de uma loja de calçados no centro da cidade. "Perdeu! Cadê a arma, neguinho?", essa foi a abordagem, de acordo com um dos jovens em entrevista à TV Band local. 

Ao ver a movimentação, o educador social atravessou para defender os dois: "Vi um policial com uma arma em punho, pegando o Fabiano pelo colarinho, me coloquei à frente e quis saber o motivo da abordagem. Ele me disse que uma loja tinha sido roubada e os três indivíduos eram negros; quando comecei a argumentar , o policial questionou quem eu era, apresentei minha funcional - de assessor parlamentar - e, mesmo assim, fui abordado de maneira brusca. 'Você é um assessorzinho, então!', rebateu o policial", segundo o relato de Claudinei.

Neste momento, um grupo de populares que assistia à cena vaiou a polícia e ovacionou a atitude do educador social, que ressaltou: "Isso é racismo, Brasil! Estou com a Nota Fiscal aqui", disse Claudinei, referindo-se ao par de tênis que havia acabado de comprar.

"Racismo!", replicou uma das pessoas presentes, seguida por um coro que entoava: "Preconceito, preconceito, preconceito!".

Em conversa com o BOL, o educador social contou que ele, o filho e o genro resistiram à ação policial, que deu ordem de prisão: "Fomos à delegacia de livre e espontânea vontade, abrimos um B.O. e chamamos um advogado, que também foi subestimado pelas autoridades. Cerca de 15 pessoas se dispuseram a depor em nosso favor. Creio que a prisão injusta e violenta só não aconteceu porque o povo estava ao nosso lado. O camburão estava de portas abertas para a detenção".

Além de registrar o Boletim de Ocorrência, Claudinei vai abrir um inquérito contra os policiais na corregedoria e recorrer ao SOS Racismo, órgão do Estado de São Paulo que recebe e encaminha denúncias de preconceito racial.

"Não sou contra a cooperação com a abordagem policial, sou contra a ação descomunal e violenta que vem por parte da polícia que se diz pacificadora. Queremos uma polícia qualificada, com mais contingente na rua. Não queremos que a polícia olhe somente para o negro, queremos uma cooperação respeitosa. Chega de Amarildo! Chega de Claudia! Queremos indenização, sim!", finaliza o educador social. 

Procurada para falar sobre o caso, a SSP-SP (Secretaria de Segurança Pública de São Paulo), se pronunciou por meio de sua assessoria de imprensa: "A Polícia Militar esclarece que os policiais realizaram uma abordagem de praxe e, a princípio, nenhuma irregularidade foi constatada. Toda a ação foi gravada pelas câmeras de monitoramento do Centro de Operações Integradas e foram entregues à Polícia Civil. O delegado Hugo Pereira de Castro, titular do 1º Distrito Policial de São José dos Campos, instaurou inquérito policial para investigar o caso".

Veja também a reportagem da Band Vale sobre o caso: 

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