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Pela 3ª vez, rio Atibaia, no interior de SP, tem captação de água reduzida

O rio Atibaia, na região de Campinas, interior de São Paulo, está com nível de água reduzido, devido à falta de chuvas no Estado - Denny Cesare/Futurapress/Estadão Conteúdo
O rio Atibaia, na região de Campinas, interior de São Paulo, está com nível de água reduzido, devido à falta de chuvas no Estado Imagem: Denny Cesare/Futurapress/Estadão Conteúdo

Eduardo Schiavoni

Do UOL, em Americana (SP)

14/10/2014 16h26

Pela terceira vez nos últimos quatro dias, a Sanasa (Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento SA), entidade responsável pela captação e pela distribuição de água em Campinas, no interior de São Paulo, foi obrigada a reduzir a captação de água do rio Atibaia, desta vez para 60% da capacidade.

A baixa vazão do manancial, além da alta concentração de poluentes, foram as causas do problema. O Atibaia, que abastece 96% da cidade (a 93 km da capital), é um dos rios que integram o Sistema Cantareira.

De acordo com a Sanasa, o rio chegou a registrar na manhã desta terça-feira (14) vazão de 2,8 metros por segundo, enquanto a cidade tem autorização para captar 4 metros cúbicos por segundo. Ontem esse volume foi ampliado para 4,5 metros por segundo. Ao longo do dia, com o aumento da vazão, houve captação, em média, de 3 metros cúbicos por segundo. Em alguns trechos, a profundidade do rio chegou a baixar de 60 cm.

A necessidade de baixar a captação ocorre porque, como Campinas não dispõe de sistema de reservatório, não é possível compensar o baixo nível do manancial. Com isso, houve cortes no abastecimento nas regiões de Sousas e do Ouro Verde e Campo Grande, áreas mais altas da cidade.

Além da questão da diminuição da vazão do Atibaia, Campinas também enfrenta problemas de falta de água gerados por problemas na rede de distribuição. Apesar dessa situação, a Sanasa não confirma racionamento na cidade, afirmando que a situação é pontual e que a captação deve ser incrementada com o aumento da vazão.

Poluição

A reportagem entrou em contato com a assessoria de imprensa da instituição para pedir entrevista com os diretores, mas foi informada que ninguém falaria sobre o assunto hoje. A assessoria, no entanto, confirmou as informações sobre a diminuição da vazão.

Em entrevistas à imprensa da região nesta semana, Marco Antônio dos Santos, diretor técnico da Sanasa, disse que, com a baixa vazão, a concentração de esgoto e poluição ficou muito alta, o que impediu o tratamento de mais água mesmo quando a vazão aumentou. 

Já o professor Antonio Carlos Zuffo, especialista em recursos hídricos da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), afirmou que decisões como as tomadas pela Sanasa estejam corretas.

“No passado, Campinas já chegou a captar praticamente toda a água que vinha pelo Atibaia. Em fevereiro, houve dia em que o rio chegou a secar por alguns momentos. Isso não pode acontecer e a redução na captação deve ser aplicada”, afirmou.

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