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Itaoca (SP), destruída por enxurrada, ainda aguarda verba para reconstrução

O bairro do Guarda Mão, em Itaoca (SP), foi o mais afetado pelas enchentes - Marcelo Camargo -15.jan.2014/Agência Brasil
O bairro do Guarda Mão, em Itaoca (SP), foi o mais afetado pelas enchentes Imagem: Marcelo Camargo -15.jan.2014/Agência Brasil

Camila Maciel

Da Agência Brasil

12/01/2015 17h04

Há exatamente um ano, os moradores de Itaoca, município de São Paulo na divisa com o Paraná, enfrentavam as consequências do temporal que devastou a pequena cidade do Vale do Ribeira e deixou 27 mortos, dos quais dois permanecem desaparecidos. Hoje, além de conviver com o trauma, os cerca de 3,2 mil moradores ainda têm que lidar com a destruição deixada pelo temporal.

Foram mais de 200 milímetros de chuvas em menos de cinco horas, informou a Defesa Civil Estadual na época. Um emaranhado de galhos de árvores ficou retido na ponte principal do município, o que mudou o curso do Rio Palmital e provocou a inundação. De acordo com a prefeitura de Itaoca, parte das pontes, estradas e moradias ainda não foi restaurada ou reconstruída.

“O governo federal liberou recursos para a limpeza da cidade; então todo aquele entulho, madeira e lama, foram removidos. Mas a parte de reconstrução do município ficou a desejar”, explicou Erli Rodrigues Fortes, secretário de Agropecuária de Itaoca. Fortes informou que foram utilizados R$ 1,9 dos R$ 2,6 milhões disponibilizados pelo Ministério da Integração Nacional.

“O restante, vamos devolver. Conseguimos contratar as máquinas por um menor preço. Esse dinheiro era só para limpeza”, justificou o secretário. Ele disse que o município entregou um plano de reconstrução para aquele ministério em fevereiro do ano passado, mas os recursos ainda não foram liberados. “Lá está prevista reconstrução de pontes e calçamento. Havia também medidas de prevenção, mas já disseram que isso não pode entrar”, explicou.

Ao todo, dez pontes foram destruídas pela tromba d'água, deixando comunidades ilhadas nos dias que se seguiram ao desastre. As pontes foram refeitas de forma provisória e, segundo a prefeitura, continuam dessa forma. No bairro do Lajeado, por exemplo, os próprios moradores refizeram o caminho para atravessar o rio com os pedaços de árvores que foram derrubadas pela chuva. A destruição do calçamento é o que mais atrapalha quem mora no bairro Vila Ribas. Localizado na margem direita do rio, próximo à ponte principal, algumas ruas continuam intransitáveis. Também permanecem complicados alguns trechos da estrada entre Apiaí, cidade vizinha, e Itaoca.

As moradias e a reconstrução da ponte principal ficaram a cargo do governo estadual, conforme anúncio feito pelo governador Geraldo Alckmin na época da enxurrada. “Foram prometidas 90 casas. O município desapropriou um terreno e entregou à CDHU [Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano], mas até o momento não foram iniciadas as obras”, informou Fortes. A ponte, de acordo com ele, foi a única obra iniciada depois da tragédia. O canteiro de obras foi feito em junho. “A previsão de conclusão é março”, informou o secretário.

O medo de que a tragédia se repita está presente entre os moradores de Itaoca. “Basta uma chuva que as pessoas ficam nervosas. Estão traumatizadas. Teve gente perdendo a família inteira. Graças a Deus, não perdi ninguém”, relembrou o comerciante Vandir Martins. Embora nenhum de seus parentes tenha morrido, a mercearia que ele mantinha na rua principal da cidade foi completamente destruída. “A água subiu dois metros. Perdi pelo menos 80% do que tinha aqui. Uma parte da estrutura [do prédio] caiu”, relatou. Ele calcula um prejuízo de pelo menos R$ 500 mil. Para reconstruir o comércio, precisou fazer empréstimos. A prefeitura calcula um prejuízo total no município em torno de R$ 23 milhões.

A Agência Brasil procurou o Ministério da Integração Nacional e a CDHU, mas não houve retorno até a publicação desta reportagem.

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