Ex-sócio da Kiss vira testemunha de pai de vítima, que é acusado de calúnia

Colaboração para o UOL, em Porto Alegre

  • Reprodução

    Fachada da Boate Kiss, em Santa Maria (RS)

    Fachada da Boate Kiss, em Santa Maria (RS)

Um dos sócios da boate Kiss, onde 242 jovens morreram devido a um incêndio, em 2013, em Santa Maria (RS), será testemunha a favor do pai de uma das vítimas, acusado de calúnia.

Elissandro Spohr, o Kiko, foi arrolado pela defesa de Flávio Silva, pai de um rapaz morto na tragédia e presidente do Movimento Santa Maria do Luto à Luta.

Flávio, ao lado de Sérgio da Silva -- presidente da AVTSM (Associação dos Familiares das Vítimas e Sobreviventes da Tragédia de Santa Maria) -- foi denunciado pelo MP (Ministério Público), acusado de espalhar pela cidade, palco da tragédia em janeiro de 2013, cartazes acusando o promotor Ricardo Lozza de prevaricação.
 
O material exibia uma foto do promotor acompanhada da frase: "O Ministério Público e seus Promotores também sabiam que a boate estava funcionando de forma irregular".  Os cartazes foram afixados no início de 2015 em frente ao fórum da cidade, na fachada do prédio onde funcionava a Kiss e na Praça Saldanha Marinho. Flávio admite que colou os cartazes. Já Sérgio nega.

Pedro Barcellos, advogado de Flávio, está utilizando um dispositivo jurídico chamado exceção da verdade: a alegação do réu de que o fato imputado pelo autor da ação é verídico. "Quero provar que o que meu cliente falou é verdade. E provo isso através de documentos e depoimentos. Os documentos estão juntados no processo criminal em que o Kiko é réu. No seu depoimento, ele deixou claro que, diversas vezes, teve contato com o promotor e que a casa funcionava com uma placa do MP liberando, embora ela estivesse em reforma", explica.
 
Conforme o defensor, o ex-sócio da Kiss deve falar que o promotor sabia que a casa estava irregular. "Provar aquilo que estão imputando como calúnia, que os promotores sabiam que a casa noturna estava funcionando de forma irregular. Isso não é mentira."
 
O defensor de Kiko, advogado Jader Marques, foi arrolado como informante. Como professor universitário, foi requisitado pela defesa de Flávio que discorra sobre tipicidade de calúnia. "Meu cliente não quis caluniar. Simplesmente expressou o sentimento que ele tinha", explica Barcellos. Outras testemunhas são o delegado de polícia que presidiu o inquérito da Kiss, Marcelo Mendes Arigony, uma jornalista, um investigador de polícia e o pai de uma vítima.
  

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