Taxista carioca devolve equipamentos de cinema caros esquecidos em veículo

Gustavo Maia

Do UOL, no Rio

  • Reprodução/Facebook/Laércio Aquino Fonseca

    O taxista Laércio Fonseca posa para foto ao lado do diretor de cinema Marcos Mello

    O taxista Laércio Fonseca posa para foto ao lado do diretor de cinema Marcos Mello

"Um gesto pode mudar o rumo de nossas vidas. Fiz o certo", escreveu na tarde desta sexta-feira (12) o taxista carioca Laércio Aquino Fonseca, 52, em seu perfil no Facebook. Ainda tomado pela surpresa com o tamanho da repercussão do gesto citado na frase, ele se referia à devolução de uma mala cheia de equipamentos de filmagem para cinema que havia sido esquecida no táxi dirigido por ele no dia anterior.

O reencontro aconteceu graças ao poder de propagação das redes sociais. Uma publicação na madrugada desta sexta (12), com a foto da mala e a descrição dos passageiros prejudicados, viralizou e foi compartilhada mais de 10 mil vezes em menos de 24 horas. "Pretendo devolver, pois nada do que não é meu me serve. Preciso que divulguem ao máximo, até que chegue ao conhecimento do dono", explicava o taxista no post.

Atenção!!!Ontem, quinta-feira, um passageiro deixou essa mala no meu taxi, com esse equipamento de filmagem. Levei-o...

Posted by Laercio Aquino Fonseca Aquino on Thursday, February 11, 2016

A história começou quando Fonseca viu dois homens pedindo um táxi em uma rua de Copacabana, na zona sul do Rio de Janeiro. A dupla seguia para o Aeroporto Santos Dumont, de onde viajaria de volta para São Paulo. Levavam 15 bagagens, entre elas algumas de equipamentos de filmagem alugados e muito caros - com valorees que podem superar R$ 1 milhão, segundo apurou a reportagem do UOL. Na saída do veículo, erraram a contagem das malas e uma delas ficou no banco traseiro do carro.

"Só percebi depois de outra corrida. Voltei para o aeroporto, mas não senti muita firmeza de deixar no achados e perdidos", contou o taxista ao UOL. Enquanto isso, o diretor de cinema paulistano Marcos Mello, 32, e um colega de trabalho, que haviam gravado um minidocumentário na capital fluminense, viviam momentos de desespero. Não embarcaram no voo e tentaram obter as imagens das câmeras de segurança do Santos Dumont, sem sucesso, para tentar identificar o táxi que utilizaram.

Aviso providencial 

Na manhã desta sexta, em São Paulo, um colega de trabalho de Mello, que não sabia do episódio, viu o post no Facebook, reconheceu os objetos e ligou para o diretor de cinema. Foi o bastante para que o diretor e o taxista se reencontrassem.

Mello entrou em contato e Fonseca foi buscá-lo no local onde ele estava hospedado. Foram até a Ilha do Governador, zona norte do Rio do Janeiro, onde mora o taxista, e o diretor de cinema, aliviado, recuperou a mala.

Dentro, havia uma câmera utilizada em produções hollywoodianas, a Red Dragon 6k, e dez lentes. O preço de mercado dos objetos gira em torno de US$ 250 mil dólares (cerca de R$ 1 milhão), segundo apurou a reportagem do UOL em consultas a lojas e sites especializados. "Tínhamos seguro, mas só o acionaríamos se não houvesse nenhuma esperança de reencontrar", contou o diretor.

Agradecido e como uma forma de retribuir, Mello perguntou quanto o taxista paga de aluguel. No fim da corrida, colocou o valor -- R$ 750 -- dentro do livro "O poder da Kabbalah". "Lembrei de uma passagem em que um homem é tentado com muito dinheiro e age exatamente como ele agiu. Coloquei o dinheiro no capítulo dessa história", afirmou o cineasta.

 

Aí Marcus, apesar da falta de tempo disponível, tentarei le-lo do início ao fim.

 

 

 

 

Obrigado.

Posted by Laercio Aquino Fonseca Aquino on Friday, February 12, 2016

 

"Ele me salvou", diz o taxista. "Estou desempregado. Trabalho como stand by, ou seja, de favor, quando um amigo taxista não pode. Não sabia se teria condições de pagar o aluguel esse mês", conta.

Modesto e humilde, Fonseca não pensou que o caso repercutiria tanto. "Não fiz nada extraordinário. Não foi a primeira vez. Já devolvi bolsa, mala, celulares e compras, mas foi a primeira vez que coloquei na internet. Acho que fez sucesso porque é um equipamento de alto valor."

No Facebook, já recebeu mais de 300 solicitações de amizade, muitas felicitações, de amigos e desconhecidos.

Outros bons frutos podem surgir na vida do carioca a partir desta história. "Dois produtores de cinema já me ligaram pedindo o contato do taxista para utilizarem os serviços dele aqui no Rio. Eu mesmo vou ter o maior prazer de chamar ele quando tiver trabalho aqui, porque ele é de confiança", declarou Mello.

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