Diego Herculano/AFP

Violência no Rio

Polícia faz nova operação para prender suspeitos de estupro coletivo no Rio

Do UOL, no Rio

  • Divulgação/Polícia Civil

    A Polícia Civil divulgou nesta segunda-feira (30) fotos dos suspeitos de participação no estupro coletivo de uma jovem de 16 anos

    A Polícia Civil divulgou nesta segunda-feira (30) fotos dos suspeitos de participação no estupro coletivo de uma jovem de 16 anos

A Polícia Civil do Rio de Janeiro realiza uma operação na manhã desta segunda-feira (30) para localizar e prender seis suspeitos de participação no estupro coletivo de uma jovem de 16 anos, ocorrido na Praça Seca, no Rio de Janeiro, na semana passada. 

As seis ordens de prisão expedidas pela Justiça são contra Rai de Souza, Lucas Perdomo Santos, Michel Brasil, Raphael Belo, Marcelo Corrêa e Sergio Luiz da Silva Junior. Esse último, conhecido como "Da Rússia", é apontado como chefe do tráfico do morro da Barão, onde ficava a casa em que a menina foi estuprada. O Disque-Denúncia oferece R$ 1.000 por informações que possibilitem a captura do suspeito.

Ainda não foram divulgados mais detalhes da ação, que ocorre em diferentes pontos da zona oeste carioca. Os agentes estão em endereços na Praça Seca, na Taquara e na Cidade de Deus, em Jacarepaguá, e na favela do Rola, em Santa Cruz.

As diligências são coordenadas pela DCAV (Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima), que assumiu o caso recentemente, e pelo Departamento Geral de Polícia Especializada. Além dos mandados de prisão expedidos pela Justiça, os agentes também cumprem mandados de busca e apreensão nas residências dos suspeitos.

A investigação teve início depois que um vídeo da jovem, nua e desacordada, foi postado em redes sociais na terça (24). Na gravação, um grupo de rapazes, em meio a risadas, toca nas partes íntimas da garota e diz que ela foi violentada por "mais de 30". Desde 2009, a lei considera como estupro tanto a conjunção carnal como atos libidinosos.

Na sexta-feira (27), a Polícia Civil realizou a primeira operação para cercar a casa onde teria ocorrido o crime. Foi feita perícia no local. Roupas e material usado para embalar drogas também foram apreendidos. Desde então, seis suspeitos foram ouvidos pela polícia, mas nenhum permaneceu detido.

Ainda na sexta, Lucas Duarte dos Santos, que teria um relacionamento com a adolescente, depôs na Cidade da Polícia, na zona norte do Rio e foi liberado em seguida. Ele entrou no local ao lado de outro homem, Ray de Souza, que, diante da imprensa, acenou, sorriu e disse estar "mais famoso que a Dilma [Rousseff, presidente afastada]".

No sábado (28), policiais militares do GAT (Grupamento de Ações Táticas) realizaram uma nova operação na região onde ocorreu o crime. Um suspeito foi detido na favela do Barão, na Praça Seca, e liberado após prestar depoimento. A PM também recuperou três carros roubados e apreendeu 1.482 papelotes de cocaína, além de 2.179 trouxinhas de maconha.

De acordo com o Disque-Denúncia, nos últimos cinco dias, a central telefônica recebeu 22 denúncias sobre a localização dos suspeitos de participar do estupro coletivo. Todas as informações foram repassadas para a Delegacia da Criança e Adolescente Vítima.

Troca de comando

No domingo (29), a investigação foi transferida para a DCAV após pedido da defesa da vítima. A adolescente criticou o trabalho do então delegado responsável pelo caso, Alessandro Thiers (titular da Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática), e afirmou ter sido intimidada por ele durante depoimento.

"Foi horrível [prestar depoimentos] porque eles me culparam por uma coisa que eu não fiz. Ficaram perguntando porque eu estava lá, se eu tinha envolvimento, se já tinha feito sexo grupal. O delegado estava querendo me botar de culpada de todas as formas. Aí, eu parei de responder às perguntas, porque eu não era obrigada", disse ela, em entrevista ao programa "Domingo Espetacular, da "TV Record".

Os interrogatórios foram comandados por Thiers. Em outra entrevista, ao "Fantástico", da TV Globo, a adolescente reclamou da forma como o delegado iniciou o interrogatório. "Ele chegou dizendo 'Me conta aí', sem nem perguntar como eu estava, se estava bem", disse ela.

A adolescente entrou para a guarda do Programa de Proteção a Crianças e Adolescentes Ameaçados de Morte. Ela e a família deixaram a casa onde viviam na zona oeste do Rio. (Com Estadão Conteúdo)

"Eu contei. Eram 33 homens", afirma vítima

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