Diego Herculano/AFP

Violência no Rio

Após pressão, Delegacia da Criança assume investigação sobre estupro coletivo no Rio

  • Pedro Ivo Almeida/UOL

    A advogada que defendia a adolescente pediu a substituição do delegado Alessandro Thiers (à esq.)

    A advogada que defendia a adolescente pediu a substituição do delegado Alessandro Thiers (à esq.)

A DCAV (Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima) assumiu a coordenação das investigações do estupro coletivo de uma adolescente de 16 anos, ocorrido na semana passada no Rio de Janeiro, segundo a assessoria de imprensa da Polícia Civil.

"A medida visa evidenciar o caráter protetivo à menor vítima na condução da investigação, bem como afastar futuros questionamentos de parcialidade no trabalho", explica o comunicado da Polícia Civil.

A investigação passa a ser conduzida pela delegada Cristiana Bento, no lugar de Alessandro Thiers, titular da Delegação de Repressão aos Crimes de Informação (DRCI).

A mudança atendeu ao pedido da até então advogada da vítima, Eloísa Samy, que recorreu à Justiça do Rio e ao Ministério Público com o argumento de que a adolescente foi intimidada pelo delegado durante os depoimentos prestados na sexta-feira (27). Na noite deste domingo, a família dispensou o trabalho dela.

Agora as investigações sobre o estupro serão desmembradas. Thiers cuidará apenas das investigações relativas ao vazamento do vídeo divulgado na internet.

"A Delegada Cristiana está analisando as provas colhidas até o momento no inquérito policial, incluindo depoimentos e outras diligências realizadas pela Polícia Civil, definindo os próximos passos da investigação", informa a polícia, no comunicado. Cristiana já acompanhava o caso, mas não era a responsável direta pela investigação.

Rixa antiga

Segundo a Folha de S. Paulo, a ex-advogada da adolescente e Thiers já haviam sido antagonistas em 2014, quando ela defendia manifestantes acusados de atos violentos durante os protestos populares.

No início da manhã, sob o título de Vitória das Mulheres, Eloísa chegou a comemorar a troca da coordenação das investigações na internet.

"Eu contei. Eram 33 homens", afirma vítima

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"O delegado Alessandro Thiers não é mais o encarregado da investigação do estupro coletivo", escreveu Eloísa em uma rede social. Segundo ela, a decisão foi tomada pela juíza do plantão noturno do Tribunal de Justiça, que determinou o desmembramento do inquérito para que as investigações sejam, daqui por diante, conduzidas pela Delegacia da Criança Vítima.

Tal informação foi desmentida no início da tarde pelo Tribunal de Justiça do Rio.

Em que ponto estão as investigações

Nenhum suspeito permaneceu detido desde a divulgação nas redes sociais do vídeo em que a adolescente aparece sofrendo o abuso, nua e desacordada, na última quarta (25). A jovem usou sua página no Facebook para agradecer as manifestações de apoio, mas depois apagou o perfil depois de receber comentários depreciativos. A jovem ainda pediu que parassem de culpá-la pela violência sofrida. "A culpa nunca é da vítima", escreveu.

No sábado (28), a Polícia Militar fez uma operação no morro da Barão, o local onde a adolescente foi estuprada por 33 homens, segundo o depoimento da própria jovem.

Houve um "breve confronto" com criminosos, sem feridos. Um suspeito foi levado para a Central de Garantias da Polícia Civil, que fica na Cidade da Polícia, sede das delegacias especializadas na zona norte do Rio. Ele, no entanto, foi liberado após prestar depoimento.

Na sexta-feira (27), a Polícia Civil já havia realizado uma operação para cercar a casa onde teria ocorrido o crime. Foi feita perícia no local. Roupas e material usado na 'endolação' de drogas também foram apreendidos. Fotos divulgadas pela assessoria de imprensa da Polícia Civil mostram uma cama e uma televisão.

Também na sexta-feira, Lucas Duarte dos Santos, que teria um relacionamento com a adolescente, depôs na Cidade da Polícia, na zona norte do Rio e foi liberado em seguida.
Ele entrou no local ao lado de outro homem, Ray de Souza, que, diante da imprensa, acenou, sorriu e disse estar "mais famoso que a Dilma (presidente afastada)".

Eduardo Antunes, advogado de Santos, disse que o cliente confessou ter filmado a adolescente após as relações sexuais e ter mandado as imagens para um amigo pelo aplicativo de mensagens WhatsApp.

Segundo a versão dos rapazes, a adolescente de 16 anos teria tido relações sexuais com Ray de Souza. No mesmo local e momento, Santos teria tido relações com a outra jovem. O advogado afirmou que os três teriam deixado a adolescente na casa e que não podem dizer se houve estupro em seguida. 

(Com agências)

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