Polícia prende em SP acusado de usar Tinder para aplicar golpes em 5 Estados

Aliny Gama

Colaboração para o UOL, em Maceió

A Polícia Civil de São Paulo prendeu o cearense João Luiz de Melo Souza, 48, acusado de praticar estelionato amoroso usando o aplicativo de namoro Tinder. Segundo a denúncia, ele aplicou golpes em pelo menos 50 mulheres de cinco Estados - Ceará, Pará, Goiás, Rio de Janeiro e São Paulo, além do Distrito Federal. Ele foi preso em flagrante, nesta quinta-feira (11), acusado de falsidade ideológica e uso de documento falso, além de estelionato.

De acordo com os policiais, Souza usava o Tinder para atrair e vítimas e manter relacionamento amoroso para obter dinheiro. Durante a investigação, algumas vítimas contaram que ele agia nas redes sociais se mostrando como um "príncipe encantado": pedia as mulheres em casamento e depois afirmava estar endividado.

Comovidas com a suposta situação financeira delicada, as mulheres emprestavam dinheiro. Quando cobravam a quitação do empréstimo, recebiam ameaças, e sumia quando o golpe era descoberto.  

Uma estimativa da Delegacia da Mulher de Fortaleza, onde foram registrados os primeiros boletins de ocorrência contra o acusado, demonstra que Souza teria obtido cerca de R$ 2 milhões com a atividade. Há quatro inquéritos abertos contra o acusado na capital cearense.

Outros três inquéritos estão abertos na Delegacia de Defesa da Mulher da cidade de Cruzeiro (a 220 km de São Paulo, no Vale do Paraíba). A polícia de São Paulo pediu a prisão preventiva do acusado, solicitação que está sendo analisada pela Justiça. O acusado está detido no 96º Distrito Policial, na zona sul de São Paulo.

No momento da prisão, segundo a Polícia Civil, Souza usava documentos falsos e tentava alugar um imóvel no bairro de Vila Monumento, na zona sul de São Paulo (região do Ipiranga). Uma suposta vítima do acusado teria sido foi avisada sobre a conduta dele por um grupo de de mulheres lesadas e acionou a polícia - ele usava documentos falsos em nome de João Luiz Shevchenko.

A reportagem do UOL tentou localizar o advogado de Souza, Gilvan Melo, nesta sexta-feira (12), não ele não atendeu às ligações. Segundo a polícia, ele nega as acusações e diz que as supostas vítimas deram dinheiro espontaneamente.

União das vítimas

Um grupo de mulheres lesadas se uniu pela internet para ajudar a polícia na investigação sobre os supostos golpes aplicados por Souza. Há pelo menos seis meses ele era monitorado por policiais civis.

Sem saber o paradeiro do acusado, as vítimas criaram uma página no Facebook para receber denúncias, rastreá-lo e alertar mulheres abordadas por ele. Também foram criados dois grupos no WhatsApp para facilitar a comunicação.

Ao saber da prisão de Souza, a página e os grupos de WhatsApp receberam inúmeras mensagens de comemoração e troca de informações sobre o acusado.
"Através do WhatsApp criamos uma investigação paralela, uma rede, para localizá-lo e a polícia só chegou até ele graças a nossa união. Nesse grupo contamos as histórias, reunimos provas e, com isso, o caso foi ganhando consistência. A prisão dele é fruto desse trabalho", disse uma suposta vítima de Fortaleza - os nomes delas foram preservados.

Uma outra suposta vítima de Souza afirmou que a prisão dele era aguardada com bastante ansiedade pelo grupo. "Ficamos muito eufóricas, pois esta foi a notícia que tanto esperávamos. Lutamos por Justiça e finalmente as coisas começaram a acontecer", disse a mulher, que mora no Distrito Federal.
 

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