"O trânsito acabava comigo": o 1º dia de circulação do metrô até a Barra

Hanrrikson de Andrade

Do UOL, no Rio

  • Júlio César Guimarães/UOL

    Passageiros se preparam para desembarcar no primeiro dia de circulação da linha 4 do metrô carioca. Usuários ouvidos pela reportagem do UOL elogiaram o serviço

    Passageiros se preparam para desembarcar no primeiro dia de circulação da linha 4 do metrô carioca. Usuários ouvidos pela reportagem do UOL elogiaram o serviço

A linha 4 do metrô carioca, que vai de Ipanema, na zona sul, até a Barra, na zona oeste do Rio, foi oficialmente aberta ao público na manhã desta segunda-feira (19), um dia após o encerramento dos Jogos Paraolímpicos. A reportagem do UOL esteve nas plataformas e conversou com passageiros durante o trajeto, que durou pouco mais de 16 minutos. A maioria dos usuários disse estar satisfeita por fugir dos congestionamentos.

"O trânsito acabava comigo. Hoje, inclusive, deixamos o carro em casa para experimentar a linha 4. Acho que a tendência é passar a vir de metrô", afirmou Natália Picorelli, 24, que conheceu o sistema na companhia de Eric Batalha, 24, seu colega de trabalho.

Natália e Eric moram na Barra e atuam como administradores em uma empresa em Botafogo, na zona sul. A dupla tem um acordo para reduzir os custos com combustível: em um dia, ele dirige, e no outro, ela assume o volante. "A gente costumava revezar, mas às vezes eu pedia para ele dirigir. O engarrafamento é um cansaço emocional muito grande. Para mim, essa é a grande vantagem do metrô: não ter que levar mais de uma hora para ir e voltar do trabalho", declarou Natália.

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Eric Batalha e Natália Picorelli optaram por deixar o carro em casa e usar a linha 4 do metrô

Por enquanto, a linha 4 funcionará apenas de segunda a sexta-feira, das 6h às 21h, mas a Secretaria de Estado de Transportes planeja a extensão desse expediente de forma gradual – a operação padrão do serviço é de 5h à 0h nos dias úteis. O percurso tem seis estações: General Osório e Nossa Senhora da Paz, em Ipanema, Jardim de Alah e Antero de Quental, no Leblon, e São Conrado e Jardim Oceânico (Barra). Entre 7h e 9h desta segunda, a movimentação nas plataformas era tímida.

Trata-se da obra mais cara dos Jogos Olímpicos. Foram investidos R$ 10,4 bilhões, incluindo a integração com a linha 1, já existente. O valor representa mais de um quarto dos R$ 39,1 bilhões gastos na organização e infraestrutura da Rio-2016. Durante os eventos esportivos que ocorreram na cidade, Olimpíada e Paraolimpíada, o funcionamento da linha 4 estava restrito ao público que se deslocava até os locais de competição, no Parque Olímpico da Barra. A inauguração ocorreu em 30 de julho.

O tráfego pesado no sentido zona sul da cidade não é um trauma apenas para os moradores da Barra. Gisele Mota, 23, moradora de Bonsucesso, na zona norte, precisava de quase uma hora e meia para chegar ao seu local de trabalho. Agora, ela acredita que a "peregrinação" será cortada pela metade. Com isso, a universitária pretende dedicar mais tempo aos estudos. "Quem sabe, minhas notas até não melhoram", afirmou. "Como eu moro em Bonsucesso, estudo no centro da cidade e, às vezes, saio da casa do meu namorado, no Catete, minha rotina é quase uma peregrinação. Isso inclui BRT, ônibus, metrô... É extremamente cansativo."

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Gisele Mota diz acreditar que, com a linha 4, vai precisar de menos tempo para chegar ao trabalho

O estudante Matheus Gonçalves, 17, foi ao metrô nesta segunda apenas para "testar" a linha 4, já que ela pode ser uma opção para se deslocar de sua residência, na Gávea, até a Barra, onde estuda. Ele elogiou a operação e a rapidez das composições, mas disse ter uma visão crítica quanto ao investimento feito pelo governo do Estado. "Em resumo, o que eu vejo é que o metrô até a Barra leva o nada a lugar nenhum. Na verdade, ele leva só até o começo da Barra, o Jardim Oceânico. Ele não atende realmente a todos que precisam. Além disso, é um projeto que levou mais de 20 anos para sair do papel. Poderia ter sido feito com mais inteligência", avaliou.

Por enquanto, para Matheus, o funcionamento da linha 4 não será de total conveniência, já que a estação localizada na Gávea, onde ele mora, está fechada. Por conta de mudanças no projeto original e da crise financeira no Estado, a inauguração dessa estação foi adiada para o primeiro trimestre de 2018. "Para usar a linha 4, eu preciso pegar um ônibus de integração do metrô até a praça Antero de Quental e de lá embarcar. Não é tão rápido como seria se a Gávea tivesse sido inaugurada hoje, mas acho que ainda pode ser melhor do que enfrentar o trânsito, de ônibus."

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O estudante Matheus Gonçalves criticou o projeto da linha 4: "Leva o nada a lugar nenhum"

O UOL entrou em contato com a Secretaria de Estado de Transportes para checar se havia um balanço parcial do primeiro dia de operação da linha 4. Porém, nenhum dado tinha sido coletado até 14h43, informou a assessoria de comunicação. O governo estima que, quando estiver em pleno funcionamento, a linha 4 poderá transportar cerca de 300 mil pessoas por dia. Além disso, poderá retirar, de acordo com projeção do Executivo fluminense, quase 2.000 carros por hora/pico em cada sentido no eixo Ipanema-Barra da Tijuca.

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O UOL cronometrou o percurso entre as estações General Osório, em Ipanema, e Jardim Oceânico, na Barra

"Legal pelo visual"

Além das vantagens em relação ao uso do carro, os amigos Natália Picorelli e Eric Batalha apontam outro motivo pelo qual passarão a usar a linha 4 diariamente para ir e voltar do trabalho: a vista. De acordo com a dupla, a viagem se torna agradável porque, em um determinado trecho, é possível visualizar parte da Barra da Tijuca, já que o metrô passa por um elevado construído na superfície. "Também é legal pelo visual", disse Eric. "Às vezes, de carro, você não observa os detalhes, a paisagem. Existe a tensão do trânsito, do trajeto lento. De metrô, você pode relaxar mais. Vale por toda a experiência", completou Natália.

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Passageiros observam a paisagem ao fundo da elevação construída na Barra da Tijuca para passagem da linha 4 do metrô

Economia

Em uma conta rápida, Eric Batalha estima que deixar o carro na garagem e usar o metrô para ir e voltar do trabalho diariamente representaria uma economia de R$ 150 por semana. "Só com gasolina, são uns R$ 300 reais por semana. Acho que dá para cortar isso pela metade se eu não usar o carro para trabalhar. Fora a manutenção do veículo e outras coisas. De fato, dá para economizar uma boa grana", disse ele.

Adriana Vasconcellos, que também conheceu a linha 4 nesta segunda, comemorou o fato de que não ter que gastar dinheiro de táxi para ir ao Leblon. Ela disse que, antes, fazia uso do serviço de táxi pelo menos quatro vezes por semana, e isso representava um custo semanal de aproximadamente R$ 68 (R$ 17 por dia). Agora, basta ela pegar o metrô e saltar na estação Antero de Quental. "Estou adorando isso. Além de parecer uma viagem confortável, é uma forma interessante de economizar."

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Linha 4 fará Adriana dispensar viagens de táxi: "Forma interessante de economizar"

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