Cristiano Estrela/Agência RBS

Violência em Santa Catarina

Onda de ataques a ônibus e rodovia deixa três mortos em Santa Catarina

Aline Torres

Colaboração para o UOL, em Florianópolis

Três pessoas morreram em uma série de ataques à casa de um policial e a rodovias em Santa Catarina na madrugada desta quarta-feira (12). Segundo a Secretaria de Segurança do Estado, a ordem para a onda de violência teria partido de detentos do presídio da cidade de Canhanduba, em Itajaí.  A BR-101 foi bloqueada ao menos três vezes com barricadas de pneus queimados em alguns trechos. Pelo menos dois veículos foram incendiados na cidade e em Balneário Camboriú, que fica próxima.

A Secretaria de Segurança acredita que os ataques foram motivados por reivindicações de presos não atendidas. Mulheres de detentos divulgaram uma carta escritas por seus maridos denunciando supostos maus-tratos por parte dos agentes penitenciários. Como o governo estadual não teria tomado providências, os presos teriam ordenado a violência. 

A polícia teme novos ataques nesta semana. O governo catarinense reforçou o policiamento na região de Itajaí. A ocorrência de supostos maus-tratos também seriam os motivos de duas ondas de atentados em Santa Catarina - a primeira entre 12 e 18 de novembro de 2012; a segunda entre 30 de janeiro e 3 de março de 2013. Em 2014 e 2015 também ocorreram surtos de violência na região metropolitana de Florianópolis por conta da morte de supostos bandidos em confrontos com policiais.

Nessas ocasiões, a facção criminosa PGC (Primeiro Grupo da Capital), de acordo com a Secretaria de Segurança, ordenou ataques a ônibus, prédios públicos e residências de policiais. Mais de 80 pessoas foram condenadas por envolvimentos nesses crimes.

Na carta de denúncia encaminhada ao governo pelas mulheres dos detentos, que a reportagem do UOL teve acesso, há relatos de que a revista íntima dos familiares seria "vexatória". "Os presos têm que aguentar calados, senão espancados com chutes socos choque (sic) sem falar as vezes q passamos a noite algemados pés e mao (sic) sem roupa nenhuma dormindo só na pedra", diz o texto.

Em outro trecho, os presos denunciam que, após as agressões, são transferidos para unidades prisionais distantes. Dessa forma, os familiares não os visitam e não tem ciência dos "hematomas", ou seja, marcas da violência.

"Muitas vezes as agentes pede (sic) para as senhoras ate mesmo as crianças abrirem suas partes intimas (sic)  (...) Nossas mães filhas irmas esposas muitas das vezes são acediadas (sic) com olhares obicenos (sic) e ate mesmo com palavras de baixo escalão (sic) da parte dos agentes".

Há queixas também sobre falta de atendimento médico e de atividades que possam servir para a ressocialização dos detentos.

O material foi encaminhado pelo juiz da Vara de Execuções Penais de Itajaí, Pedro Walicoski, para o Ministério Público, que irá investigar as acusações. O secretário-adjunto de Justiça e Cidadania, Leandro Soares de Lima, não atendeu aos telefonemas do UOL nesta quarta-feira (12).

Na tarde de terça-feira (11), houve protestos no presídio de Canhanduba. O Departamento Prisional pediu apoio da PM (Polícia Militar) para controlar a situação. Não há informações se algum detento foi ferido.

A cúpula da Secretaria de Segurança acredita que as ordens para a onda de ataques da madrugada de quarta-feira (12) tenham sido dadas após a ação da PM para controlar os protestos no presídio. 

O primeiro protesto contra a ação dos policiais foi organizado às 20h de terça-feira por aproximadamente 50 mulheres dos detentos. Barricadas foram armadas no quilômetro 119 da BR-101, segundo a Polícia Rodoviária Federal. Carros que trafegavam na rodovia foram atingidos com pedradas. Outros dois protestos foram organizados mais tarde em outros trechos da estrada.

Por volta de meia-noite, um ônibus da Prefeitura de Balneário foi incendiado. Quatros adolescentes foram apreendidos pela PM. Uma hora depois, um caminhão no bairro Cordeiros, em Itajaí, foi incendiado. Já no bairro Cidade Nova, três pessoas morreram após confrontos com policiais militares, de acordo com a Secretaria de Segurança.

 

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