Violência no Rio

Rio teve cerca de 13 roubos de rua por hora entre janeiro e outubro

Paula Bianchi

Do UOL, no Rio

  • Márcia Foletto/Agência O Globo

    4.jul.2016 - Policiais civis, PMs e bombeiros do Estado do Rio fazem protesto no Galeão

    4.jul.2016 - Policiais civis, PMs e bombeiros do Estado do Rio fazem protesto no Galeão

Entre janeiro e outubro de 2016, o Estado do Rio de Janeiro registrou 92.114 roubos de rua, que incluem roubos a pedestres, em coletivos e roubos de celulares. Foram cerca de 13 roubos por hora, segundo dados divulgados pelo ISP (Instituto de Segurança Pública) nesta quarta-feira (30).

Apenas em outubro foram 12.476, maior número desde o começo do ano. São 81,7% mais casos que os registrados no mesmo mês no ano passado, quando ocorreram 6.868 roubos de rua.

Ao todo, foram registrados 8.980 roubos a pedestres, 1.952 roubos de celulares e 1.544 roubos em coletivos.

Também já foram registrados mais roubos de rua entre janeiro e outubro do que em todo o ano de 2015, quando ocorreram 73.242 casos.

Os dados do ISP mostram ainda um crescimento no número de mortos pela polícia, chegando a 721 entre janeiro e outubro contra 645 pessoas em todo o ano passado.

Há também um crescimento no número de homicídios dolosos. Em outubro, foram registrados 462 casos contra 380 no mesmo mês em 2015, um aumento de 21,6%.

Questionada sobre o grande número de roubos, a Secretaria de Segurança limitou-se a orientar a reportagem do UOL a procurar a Polícia Militar. A PM, por sua vez, não respondeu até a publicação desta reportagem.

Crise no Estado

Em crise, o Estado --que decretou calamidade pública financeira-- tem tido dificuldade para fechar as contas, o que traz dúvidas sobre o futuro da segurança pública fluminense.

No começo do mês, milhares de policiais civis e militares, além de integrantes do Corpo de Bombeiros e agentes penitenciários, invadiram a Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro) em protesto contra o pacote de corte de gastos enviado pelo governo à Assembleia.

Sem verba até para comprar água, papel higiênico e mesmo tinta para impressão de boletins de ocorrência, na semana passada a Polícia Civil lançou um edital para que a sociedade civil possa fazer doações à instituição. Em outubro, o então secretário de Segurança José Mariano Beltrame renunciou ao cargo alegando, entre outros fatores, o corte de recursos para sua pasta.

A Polícia Civil reduziu em 56,7% os gastos com materiais de consumo entre 2014 (último ano da gestão Cabral) e 2016. Os gastos incluem a aquisição de papel, artigos para limpeza e higiene, combustível para os carros e produtos químicos usados em perícias.

Durante as Olimpíadas, um grupo de policiais civis se organizou para receber os turistas que chegavam à cidade pelo aeroporto internacional do Galeão, na Ilha do Governador, com uma faixa com os dizeres, inglês: "Bem-vindo ao inferno. Policiais e bombeiros não são pagos. Qualquer pessoa que vier para o Rio não estará segura".

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