PMs invadem igreja ao lado da Alerj para jogar bombas em manifestantes

Paula Bianchi*

Do UOL, no Rio

  • Luiz Souza/Fotoarena/Estadão Conteúdo

    Os policiais usavam a sacada para atirar bombas de efeito moral em direção a servidores públicos que participam da manifestação

    Os policiais usavam a sacada para atirar bombas de efeito moral em direção a servidores públicos que participam da manifestação

Policiais militares que atuam no protesto de servidores na área da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro) invadiram a Igreja de São José, que fica ao lado da casa legislativa, e usaram o local como base para lançar bombas de efeito moral em direção aos manifestantes. A reportagem do UOL observou o momento em que os policiais quebraram os vidros do segundo andar da edificação e passaram a atirar contra a multidão.

A Igreja de São José foi construída em 1807. O prédio já foi utilizado como igreja Matriz da cidade do Rio de Janeiro e, de acordo com o Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), não apenas a igreja, mas todo o seu acervo, são tombados.
 
Os servidores, entre eles policiais civis, bombeiros e agentes penitenciários, protestavam contra o pacote anticrise do governo do Estado do Rio, que começou a ser votado pelos deputados na tarde desta terça (6).

Enquanto a PM jogava bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo contra os manifestantes, os servidores revidavam chutando as bombas de volta, jogando fogos de artifício contra os agentes e, alguns momentos, cocos encontrados em lixeiras no centro.
 
A PM perseguiu grupos de manifestantes que resistiam em deixar a frente do Palácio Tiradentes, chegando a dispersar com bombas de efeito moral um bloco de carnaval que se apresentava na Feira da Reforma Agrária, no Largo da Carioca, a cinco quadras da Alerj.
 
O UOL entrou em contato com a Arquidiocese do Rio de Janeiro, que informou não ter sido consultada pela Polícia Militar sobre o uso do templo religioso.

Em seu Twitter, a Polícia Militar informou que entrou no local para coibir depredações: "Foi necessário que policiais do BPChq [Batalhão de Choque] entrassem na igreja vizinha à Alerj para coibir ações violentas no interior e no entorno", diz o texto.

Paula Bianchi/UOL
Manifestantes ateiam fogo a placas na avenida Presidente Antônio Carlos, próximo à Alerj

A corporação disse que não informaria o efetivo presente no local. Foram solicitadas mais informações sobre a atuação policial desta terça por e-mail, mas ainda não houve resposta.

Policiais usam bombas para conter manifestação no centro do Rio

Votação na Alerj

Na sessão da Alerj foram aprovadas duas medidas de cortes de gastos com o próprio Legislativo (no uso de carros pelos parlamentares e com recepções durante sessões solenes) e um dos projetos do pacote, que autoriza o governo a usar notificações eletrônicas em processos da Fazenda estadual.

Os deputados decidiram alterar o calendário de votações. Agora, as sessões irão até a próxima segunda-feira (12). Inicialmente, o plano era seguir com as votações até o dia 15. Os sindicatos de servidores estão agendando uma paralisação geral para os dias 14 e 15. (Com Estadão Conteúdo)

*Colaborou Gustavo Maia

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