Dupla é presa em Cravinhos (SP) por morte de jovem a mando da mãe

Eduardo Schiavoni

Colaboração para o UOL, em Ribeirão Preto (SP)

Dois homens foram presos na noite desta sexta-feira (14) em Cravinhos, no interior de São Paulo, suspeitos de envolvimento na morte do jovem Itaberli Lozano, 17. De acordo com o delegado Helton Tosti Renz, responsável pela investigação do caso, Miller da Silva Barissa, 18, e Victor Roberto da Silva, 19, foram encaminhados à Cadeia Pública de Santa Rosa do Viterbo depois de admitirem o crime e contarem que foram procurados pela mãe da vítima para "dar um corretivo" no filho.

Reprodução/Facebook
Renz descartou que o homicídio tenha tido relação com o fato de Itaberli ser gay. A hipótese foi levantada por Dario Rosa, tio da vítima. "Os dois [mãe e filho] tinham um histórico de conflito, mas a homossexualidade dele aparentemente não era a motivação", disse.

Itaberli foi morto no dia 29 de dezembro, mas seu corpo só foi encontrado, carbonizado, em 7 de janeiro em um canavial da cidade. A mãe dele, Tatiana Lozano Pereira, 32, e o padrasto, Alex Pereira, 30, teriam levado o corpo até o local e ateado fogo na área.

A mãe, que num primeiro momento assumiu autoria do crime, posteriormente disse que os dois suspeitos eram os responsáveis pela morte do adolescente. Para o delegado, ela premeditou o crime.

Em 11 de janeiro, Tatiana disse que matou Itaberli porque ele havia feito ameaças a ela, ao marido e ao filho do casal, de quatro anos. Ela e o filho mais velho haviam tido uma briga pouco depois do Natal e ele então tinha ido morar com a avó paterna.

No dia seguinte, no entanto, a mãe afirmou que o filho foi morto por dois jovens, que teriam invadido a casa e agredido Itaberi. Ela teria ficado do lado de fora da casa enquanto o filho era espancado e que só entrou no local após o jovem ter sido morto a facadas.

Os dois suspeitos presos contaram que a mãe ligou para Itaberli no dia 29 e simulou ter feito as pazes. Depois, a dupla foi até a casa da avó para buscar Itaberli e levá-lo para a casa da mãe. Quando entraram na garagem, emboscaram o jovem e começam a espancá-lo.

Segundo Renz, a mãe teria resolvido matá-lo neste momento. "Os dois afirmaram que apenas bateram no Itaberli e que a mãe, em determinado momento, pediu que eles o matassem. Após negarem, ela mesma pegou uma faca e golpeou o filho", disse o delegado.

O padrasto, de acordo com o relato da mãe, teria participado da ocultação do cadáver do adolescente.

Alex também está preso no Cadeia Pública de Santa Rosa do Viterbo, já a mãe está em cadeia de Cajuru (SP).

Para a polícia, a prisão dos dois suspeitos compromete ainda mais a mãe e o padrasto de Itaberli.

"Além de ter participado no assassinato do filho, os novos depoimentos também apontam que o crime foi premeditado e que o padrasto participou ativamente da ação, ao contrário do que a Tatiana disse antes. E há a questão da associação criminosa, já que quatro pessoas teriam participado", relatou.

Ainda segundo o delegado, se for confirmada a participação dos jovens presos no crime, eles estarão sujeitos a uma pena que pode chegar aos 36 anos. Eles devem responder por homicídio duplamente qualificado e associação criminosa. Já o padrasto e a mãe podem responder também por associação criminosa e podem ser condenados a até 39 anos de cadeia.

A reportagem tentou falar com a defesa de Tatiana, mas o advogado Fabiano Ravagnini Junior, constituído por ela no início do processo, informou que renunciou ao caso, já que a cliente dele resolveu prestar um novo depoimento sem avisá-lo. A Polícia Civil não informou quem são os advogados envolvidos no caso.

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