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Retirada de presos de Alcaçuz tem "Caveirão", bombas e protesto de familiares

Carlos Madeiro*

Colaboração para o UOL, em Nísia Floresta (RN)

18/01/2017 13h26Atualizada em 18/01/2017 19h49

O governo do Rio Grande do Norte transferiu na tarde desta quarta-feira (18) os presos da penitenciária de Alcaçuz, em Nísia Floresta, para a Penitenciária Estadual de Parnamirim e para a Cadeia Pública de Natal Raimundo Nonato. As instituições ficam, respectivamente, na região metropolitana de Natal e na capital potiguar.

O presídio está em poder dos detentos desde o último sábado (14) --até agora os presos circulam livremente dentro dos muros da prisão. O conflito, uma briga entre facções, deixou ao menos 26 mortos.

A transferência ocorre com a presença do "Caveirão", veículo blindado do Choque, pelo menos cinco bombas e, do lado de fora, protesto dos familiares dos detentos. Desde o início da transferência, a reportagem do UOL ouviu ao menos cinco barulhos de explosões dentro do presídio e alguns tiros.

A Tropa de Choque entrou por volta das 13h30 e começou a cercar o presídio. Pelo menos quatro ônibus já estão a postos dentro da entrada do presídio e 10 carros da polícia estão no local. Segundo o major Eduardo Franco, da PM (Polícia Militar), a transferência foi concluída sem feridos. "A retirada dos presos foi absolutamente tranquila, não houve um disparo só de arma de fogo. Os presos não fizeram nenhuma resistência, tudo na maior tranquilidade. Ninguém ficou ferido", disse.

Por volta das 18h30 (horário local), saíram do presídio os seis ônibus com os presos sob um forte aparato de segurança.
Os veículos foram muito aplaudidos pelas famílias que os aguardavam do lado de fora.

Protesto

Um grupo de cerca de 50 mulheres protestam contra a transferência. Elas choram e reclamam que não foram retirados os presos do PCC. "Eles [governo] tiraram justamente os presos que começaram o problema, que tiraram a vida dos outros. Estão tirando os que querem paz", diz uma mulher, com o rosto coberto com uma camisa. "Ninguém vem nos dar explicação, isso é absurdo", disse outra parente de preso.

"Se ficar aí só alguns do Sindicato [facção] vão morrer, não pode não! O PCC que começou essa guerra, eles que saiam", afirmou a mãe de um detento. "Quero que meu filho pague, mas cumprindo o direito dele."

No presídio, duas facções estão em pé de guerra: o PCC e o Sindicato do Crime. Ambos os lados pedem a transferência do grupo rival.

Segundo informações extraoficiais, os presos que serão levados são do Sindicato do Crime é devem ser conduzidos ao presídio de Parnamirim. O governo, porém, não confirma.

Nesta quarta-feira, a situação no presídio aparenta estar mais calma. Do lado de fora, mulheres e mães aguardam notícias sobre as transferências.

Os presos estão dentro dos pavilhões e já não aparecem mais nos telhados ou pátio.

 Alcaçuz é o maior presídio do Estado, com cerca de 1.200 presos, mas está superlotado. Sua capacidade é de 620 internos. A penitenciária custodia presos das facções criminosas Sindicato do Crime do RN e PCC (Primeiro Comando da Capital).

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