Com aumento de homicídios, corpos ficam estirados no chão no IML de Vitória

Daniela Garcia e Paula Bianchi

Do UOL, em São Paulo e em Vitória

  • Sindpol/Divulgação

    6.fev.2017 - DML (Departamento Médico Legal) do Espírito tem corpos no chão em Vitória

    6.fev.2017 - DML (Departamento Médico Legal) do Espírito tem corpos no chão em Vitória

Com um número crescente de assassinatos no Estado do Espírito Santo, falta espaço no DML (Departamento Médico Legal), em Vitória, para receber os mortos. Sem lugar nas câmaras refrigeradoras, ao menos 16 corpos estão estirados no chão da instituição, afirmaram ao UOL dois sindicatos de servidores da Polícia Civil nesta segunda-feira (6). A Sesp (Secretaria de Estado da Segurança Pública e Defesa) afirmou que comanda uma força-tarefa para liberação dos corpos.

No começo da tarde desta segunda, o Sinpol (Sindicato dos Investigadores de Polícia Civil) esteve no DML e afirmou ter encontrado 16 corpos no chão. Segundo Ricardo Benvenuto, diretor da entidade, a capacidade da instituição é para receber 30 corpos. No entanto, apenas 12 câmaras frigoríficas estavam funcionando no momento da revista.

O presidente do sindicato, Júnior Fialho, anunciou que o departamento seria interditado temporariamente até que os corpos fossem liberados. Contudo, a proibição perdurou por menos de duas horas, diante de negociações com a Polícia Civil e a Sesp.

O Sindipol divulgou imagens da "superlotação" do DML. Jorge Emílio Leal, presidente da entidade, afirma que a situação do local é "insalubre" para realização de autópsias. "Eles estão amontados pelos corredores", disse.

A Sesp, por meio de assessoria de imprensa, afirmou que o ES está vivendo uma "situação pontual". Segundo a secretaria, o DML passou por reformas recentemente e as 30 câmaras refrigeradoras estão em pleno funcionamento. O chefe da Polícia Civil Guilherme Darré está a cargo de uma força-tarefa para agilizar no atendimento nas delegacias e liberação dos corpos. O governo também afirma que a situação deve ser normalizada até a quarta-feira (8). 

Sindpol/Divulgação
Falta espaço para receber os mortos no DML

Corpo espera liberação há 24 horas

Lucas Mello, 22, conversava com amigos na frente de casa na noite de domingo (5), na cidade de Novo Horizonte, na região metropolitana de Vitória, quando acabou atingido por tiros disparados por um motoqueiro que atirou contra ele e fugiu. Churrasqueiro, ele tinha sido dispensado pelo chefe com medo da onda de violência que tomou conta da região desde que a Polícia Militar começou a paralisaçã.

Apesar de a morte ter ocorrido há quase 24h, às 20h15 desta segunda (6) o corpo do jovem ainda não havia sido liberado. "Ele era um bom rapaz, tão novo, passou o dia tratado como indigente", conta José Carlos Araújo, amigo da família.

Paralisação da PM  

Ao menos 62 homicídios foram registrados desde sábado (4) em todo o Espírito Santo. Foi naquele dia que ando um movimento de mulheres de policiais passou a impedir que eles saíssem às ruas.

Segundo o Sindipol, apenas nesta segunda-feira (6), 37 pessoas morreram até as 17h30. A cada hora desta segunda, pelo menos duas pessoas foram assassinadas no Estado. Do total de homicídios, 47 aconteceram na Grande Vitória; 15 foram no interior capixaba.

A Secretaria de Segurança Pública não confirma os números, pois ainda está fazendo o levantamento.

Mais cedo, em entrevista à rádio BandNews FM, o secretário estadual de Segurança Pública, André Garcia, admitiu o aumento no número de mortes. "Não fechamos ainda os números porque a prioridade agora é outra. Mas temos um aumento no número de homicídios no Estado nos últimos três dias. Não há como negar isso."

Para Jorge Emilio Leal, do Sindipol, as mortes "refletem o descaso por parte do governo do Espírito Santo com a segurança pública". Antes da paralisação dos policiais, a média diária de homicídios no Estado não chegava a 3, disse Leal ao UOL.

Em função da situação no Estado, o sindicato recomenda que a população não saia de casa. "O crime está solto", disse, reforçando que as delegacias estão superlotadas.

 

Nesta segunda, o presidente Michel Temer autorizou o envio de tropas das Forças Armadas para o Estado a fim de "garantir a lei e a ordem". Segundo o Ministério da Justiça, também serão enviados 200 agentes da Força Nacional, que devem chegar a Vitória ainda nesta segunda.

 

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