Toque de recolher informal deixa moradores de Vitória "atrás das grades"

Paula Bianchi

Do UOL, em Vitória

  • Gilson Borba/UOL

    Com onda de homicídios, moradores ficam dentro das grades: "tenho medo até de vir até a porta do prédio", diz Clara

    Com onda de homicídios, moradores ficam dentro das grades: "tenho medo até de vir até a porta do prédio", diz Clara

Poucas pessoas se aventuraram a sair de casa durante esta segunda-feira (6) na cidade de Vitória. Por volta das 19h, as ruas da capital do Espírito Santo estavam vazias, refletindo o toque de recolher informal que tomou conta da cidade desde que a Polícia Militar iniciou uma paralisação.

A estudante Clara Caniçale, 22, moradora do bairro Praia do Canto, conta que viu um assalto de sua janela quando a mãe chegava de carro pela manhã. "Nem conseguimos fazer nada, assaltaram uma mulher e saíram correndo", diz.

A estudante Renata Piccin passou a segunda-feira em casa. À noite, aguardava a chegada de um táxi para um amigo trancada em seu prédio.

Tenho medo até de vir até a porta do prédio, esta tudo fechado, você não vê ninguém na rua."

Renata Piccin, estudante

Um funcionário de um hotel que não quis se identificar disse que só chegou até o trabalho porque seu patrão colocou um carro para buscar os funcionários. "Não tem ônibus na rua, como eu ia sair de casa?", questiona. No saguão do aeroporto da capital, nenhuma loja estava aberta. "Estão todos assustados", disse um taxista, que também preferiu não se identificar.

Sem PM, aulas e serviço de saúde são suspensos em Vitória

Onda de violência

Nesta segunda, o governo federal autorizou o envio de integrantes das Forças Armadas e da Força Nacional para o Espírito Santo, que enfrenta uma onda de insegurança na qual mais de 60 pessoas foram assassinadas desde sábado.

Foi neste dia que teve início um movimento de mulheres de policiais em vários pontos do Estado. Elas estão acampadas em frente a quartéis em protesto por melhores salários e condições de trabalho para a classe. Com isso, policiais estão sendo impedidos de ir para as ruas.

No fim da tarde desta segunda, o governo capixaba divulgou imagens de militares do 38º Batalhão de Infantaria do Exército, em Vila Velha, em preparação para patrulhar as ruas. 

Em Vitória, as aulas foram suspensas em escolas públicas e particulares, o comércio está fechado, os ônibus pararam de circular a partir das 16h e a administração municipal cancelou o expediente nas suas repartições. Vídeos de saques a lojas em diversas cidades do Estado foram publicados em redes sociais.

Segundo o secretário estadual de Segurança Pública, André Garcia, as negociações sobre salários e condições de trabalho de policiais serão feitas apenas quando o patrulhamento na rua for retomado e a situação estiver controlada.

Com a polícia fora das ruas, em apenas três dias houve 62 homicídios no Espírito Santo, segundo o Sindipol-ES (Sindicato de Policiais Civis do Espírito Santo). Este número é equivalente a 6,41 vezes o registrado, em média, em igual intervalo de tempo em 2016. O governo ainda não divulgou um balanço oficial do número de homicídios nos últimos três dias. 

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