PCC usou contas de mulheres para movimentar R$ 6 mi a partir de presídios do RN, diz MP

Aliny Gama

Colaboração para o UOL, em Maceió

  • Beto Macário/UOL

    Em janeiro, presos do PCC e da facção Sindicato do Crime se enfrentaram em Alcaçuz; 26 morreram

    Em janeiro, presos do PCC e da facção Sindicato do Crime se enfrentaram em Alcaçuz; 26 morreram

O Ministério Público do Rio Grande do Norte deflagrou operação para desarticular ações coordenadas pela facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) dentro de 13 presídios do Estado e na Penitenciária Federal de Porto Velho (RO), nesta sexta-feira (16). Em dois anos, a célula do PCC no Estado movimentou ao menos R$ 6 milhões em contas bancárias emprestadas por mulheres de integrantes da facção. As investigações apontaram que a facção, que atua em quase todo sistema prisional potiguar, está envolvida em crimes como tráfico de drogas, roubo de veículos, explosões de caixas eletrônicos em agências bancárias, homicídios e lavagem de dinheiro.

Foram identificadas ações criminosas do PCC comandadas por presos da Penitenciária Rogério Coutinho Madruga, da Penitenciária Estadual de Alcaçuz, da Cadeia Pública de Natal, do Complexo Penal João Chaves, da Penitenciária Estadual de Parnamirim, da Cadeia Pública de Mossoró, do Presídio Mário Negócio, da Cadeia Pública de Caraúbas, do Presídio de Pau dos Ferros e dos CDPs (Centro de Detenção Provisória) da zona norte de Natal, Parnamirim, Pirangi, Patu, Parelhas e Jucurutu.
 
Chamada de Juízo Final, a operação deverá cumprir 129 mandados de busca e apreensão, 21 mandados de prisão e 24 conduções coercitivas nas cidades de Natal, Parnamirim, Ceará Mirim, Macaíba, Baía Formosa, Mossoró, Itajá, Felipe Guerra, Baraúna, Caraúbas, Martins, Pau dos Ferros, São Francisco do Oeste e Tenente Laurentino Cruz. 
 
Até as 12h, não havia informações sobre o número de presos integrantes do PCC suspeitos de envolvimentos nas ações criminosas. As investigações vêm ocorrendo há dois anos. Participam da operação 200 policiais militares e rodoviários federais, promotores de Justiça, servidores do Gaeco e agentes penitenciários estaduais e federais.
 
O Ministério Público Estadual encaminha à Justiça 26 denúncias contra os alvos da operação pelos crimes de tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e de organização criminosa. Outros crimes serão denunciados de acordo com o material apreendido no cumprimento dos mandados, que serão analisados junto com o que já estava em posse dos promotores que atuaram na operação.
 
Durante as investigações foram interceptadas conferências telefônicas dos chefes do PCC com outros integrantes da facção. Eles se relacionavam com nomes, alcunhas, funções, telefones, matrículas e batismos registrados em anotações do grupo criminoso. As investigações descobriram que presos do PCC de praticamente todos os Estados brasileiros se comunicavam nessas conferências.
 
Foram apreendidos cadernos e papéis com nomes, apelidos, datas, identificações de "padrinhos" (pessoas da facção que apadrinham o novo integrante), a "quebrada de origem" (de onde vem aquele que busca entrar no PCC), "quebrada atual" (onde está atuando recentemente) e as "faculdades" (forma como identificam as unidades do sistema penitenciário). Os dados apontaram ainda que o PCC possui ao menos 600 integrantes do Rio Grande do Norte.
 
A análise dos áudios interceptados pelas investigações mostra que a organização criminosa agia com "divisões de tarefas bem definidas visando a prática de crimes, além de acirrarem a rixa contra a facção criminosa rival Sindicato do Crime RN."
 
"Resgate de presos, assaltos, roubo de veículos, tráfico e plano para matar rivais são alguns dos assuntos discutidos entre os investigados durante o período que tiveram suas ligações telefônicas monitoradas. Em alguns dos áudios, é possível notar que alguns dos investigados estão comandando o tráfico de drogas de dentro dos presídios assim como na Grande Natal e com atuação em Mossoró", destaca o MPE.
 
Foram apreendidos documentos com dados bancários que mostram a movimentação financeira do grupo. Foi descoberto um esquema familiar usado pelos presos investigados envolvendo mulheres, que eram chamadas de "cunhadas". Elas forneciam dados bancários para transações financeiras dos presos. 
 
"Houve o afastamento do sigilo bancário de 184 contas relacionadas com a facção, as quais movimentaram, num período de dois anos, aproximadamente R$ 6 milhões. Um caso, em especial, mostra que, em dois anos, uma das mulheres movimentou R$ 1,3 milhão na conta bancária em uma cidade do oeste potiguar", disse o MP.
 

O PCC

O PCC (Primeiro Comando da Capital) tem agido em quase todo o Brasil e também na América do Sul há mais de duas décadas. A facção criminosa começou a agir em presídios de São Paulo e do Paraná. Os integrantes identificam o nome da facção pelo número 1533, que corresponde à ordem numérica das letras PCC no alfabeto.
 
Os integrantes do PCC pagam uma espécie de mensalidade para integrar a facção. Segundo o MP, nos últimos anos, com o surgimento de outras facções nos Estados e a disputa pelo domínio territorial do tráfico, o PCC começou a travar verdadeira guerra com facções inimigas nos mais variados presídios do Brasil. No Rio Grande do Norte, a facção rival do PCC é a Sindicato do Crime do RN.
 
A disputa entre integrantes do PCC e do Sindicato do Crime do RN no domínio dentro dos presídios do Rio Grande do Norte assassinou 26 presos durante a rebelião mais violenta já registrada no Estado, entre os dias 14 e 15 de janeiro. Presos do PCC e do Sindicato do Crime do RN se enfrentaram dentro do pavilhão 4 da Penitenciária Estadual de Alcaçuz, localizada em Nísia Floresta (região metropolitana de Natal). Dos 26 presos, 24 tiveram cabeças degoladas e dois corpos foram carbonizados.

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