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Maior rebelião em presídio na história do RN termina com 26 mortos

Corpos são escavados da areia do presídio de Alcaçuz - Andressa Anholete/AFP
Corpos são escavados da areia do presídio de Alcaçuz
Imagem: Andressa Anholete/AFP

Aliny Gama

Colaboração para o UOL, em Maceió

15/01/2017 18h30

A Secretaria de Estado da Segurança Pública e da Defesa Social do Rio Grande do Norte confirmou a morte de 26 detentos na rebelião que começou na tarde de sábado e terminou na manhã deste domingo (15) na Penitenciária Estadual de Alcaçuz, em Nisia Floresta, na região metropolitana de Natal. Outros nove detentos ficaram feridos. Trata-se da maior rebelião em número de mortos da história do Estado.

Inicialmente, foi informado o saldo de 27 mortos, mas esse número foi revisado para 26. Uma das vítimas havia sido contada duas vezes. 

Relatório oficial divulgado nesta manhã pela Secretaria de Justiça e Cidadania (Sejuc), órgão responsável pelo sistema carcerário no Rio Grande do Norte, indicava a morte de dez presos depois de a Polícia Militar ter entrado pacificamente na prisão para reassumir o controle do local após mais de 14 horas de rebelião.

Presos do pavilhão 5 invadiram o pavilhão 4 para matar rivais - AFP
Presos do pavilhão 5 invadiram o pavilhão 4 para matar rivais
Imagem: AFP

A própria Sejuc elevou o número de mortos para 15 posteriormente, mas em vídeos feitos pelos próprios presos que começaram a circular pelo aplicativo WhatsApp era possível contabilizar até 20 corpos.

O diretor do Instituto Técnico de Perícia do Rio Grande do Norte (Itep), Marcos Brandão, disse que disponibilizou 300 bolsas mortuárias e um contêiner frigorífico para receber os corpos dos detentos caso o número siga aumentando. Existem relatos que muitos dos mortos foram lançados em fossas do complexo penitenciário.

A entrada da polícia começou de maneira gradual desde a noite de sábado, primeiro na parte externa e depois nos pátios e pavilhões do complexo penitenciário, o maior do Rio Grande do Norte.

 

Fumaça preta sai do presídio durante a briga entre facções - AFP
Fumaça preta sai do presídio durante a briga entre facções
Imagem: AFP

De acordo com as primeiras informações das autoridades, uma briga entre duas facções rivais de detentos gerou confrontos, assim como em outras penitenciárias do país nos últimos dias.

A Sejuc disse que a penitenciária de Alcaçuz abriga 1.150 presos, mas sua capacidade é para apenas 620.

O Sindicato dos Agentes Penitenciários do estado denunciou que no sábado, antes do motim, que começou às 17h (hora local; 18h de Brasília pelo horário de verão), um veículo foi ao complexo, e homens que estavam nele entregaram armas aos detentos por um dos muros.

Em comunicado, a Secretaria de Estado de Segurança Pública e Defesa Social (Sesed) afirmou que as mortes são "resultado de uma disputa entre facções rivais", e o governo estadual disse, por sua vez, que "estão sendo coletadas as informações sobre a participação dessas facções criminosas" na rebelião.

Pelo Twitter, o presidente Michel Temer indicou que está "acompanhando" a situação.
 

Cotidiano