CET se vê multando demais em 2 pontos específicos de SP e muda orientações

Marcos Sergio Silva

Do UOL, em São Paulo

  • Marcelo Justo/UOL

    Conversão proibida na alça da ponte das Bandeiras, na marginal Tietê, em São Paulo

    Conversão proibida na alça da ponte das Bandeiras, na marginal Tietê, em São Paulo

Com o registro de quase 67 mil multas em apenas dois meses, a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) decidiu mudar a orientação para os motoristas nos trechos mais críticos de São Paulo. Até março, em número divulgado na quarta-feira (21), cerca de 3,4 milhões de multas haviam sido aplicadas na capital paulista.

Locais que registraram mais multas na cidade em 2017, o trecho entre a rodovia dos Imigrantes e a avenida Ricardo Jafet, no Cursino (zona sul), e a alça da ponte das Bandeiras, na marginal Tietê sentido rodovia Castelo Branco (zona norte), sofreram intervenções da CET para que a sinalização nessas regiões melhorasse. 

As ações são parte das medidas adotadas por um comitê permanente de segurança da Secretaria Municipal de Transporte. "O objetivo é fazer com que o condutor não apenas seja punido e, após ser mais bem orientado, passe a se comportar de acordo com a legislação", afirma a CET, em nota. Os dados com os pontos que mais multam são do site Mobilidade Segura, da CET, e se referem apenas aos meses de janeiro a março deste ano --não há dados disponíveis desde então.

Nos três primeiros meses do ano, 3.405.317 multas foram expedidas em São Paulo --carros representam 67,7% das infrações, seguidos por utilitários ou veículos de carga, como VUCs, caminhões de entrega e peruas escolares (20,39%), motos (5,76%), caminhões (4,89%) e ônibus (0,45%). Dessas multas, 75,75% foram aplicadas por equipamento eletrônico (radar). O dia da semana com mais infrações é a quinta-feira, com 567.538 registros, seguido pela terça (552.125).

Com mudança, multas em trecho caem pela metade

A chegada de Santos pela Imigrantes é a campeã de infrações, segundo apurou o UOL. Foram 53.336 multas de radar nos três primeiros meses do ano por transitar em velocidade até 20% superior à permitida. Trata-se de um trecho de conversão entre velocidade de estrada (até 110 km/h) e de cidade (máxima de 70 km/h).

De acordo com a CET, o local foi reforçado desde março com 13 novas placas de velocidade, num raio de 1 km e sonorizadores. "Antes, o motorista vinha de uma velocidade maior da rodovia e somente era avisado sobre a necessidade de reduzir a velocidade num trecho muito próximo ao radar, o que tornava esse ponto um dos campeões de multas na cidade", reconhece a companhia. Desde a aplicação, a média de multas por mês caiu pela metade: de 21.437 mensais para 10.461 aplicações mensais.

Na alça da ponte das Bandeiras, na marginal Tietê sentido Castelo Branco, as 13.737 infrações são por conversão irregular à direita --é onde existem mais multas do tipo. No trecho, existe dificuldade de transitar entre a pista central da marginal Tietê e a pista local para acesso à ponte.

Para evitar o grande número de multas, a CET diz que "reposicionou o radar para antes da curva da alça, instalou placas e dispositivo piscante para chamar a atenção dos motoristas". Em março, a CET não aplicou multas porque o equipamento foi desligado para a readequação. Ele voltou a funcionar plenamente e a multar em 1º de junho.

Embora com mais multas, esses locais não estão sozinhos na lista dos trechos com mais infrações do site de mobilidade urbana. Na esquina da Oscar Freire com a Haddock Lobo, nos Jardins, foram registradas em três meses, por radares, 1.943 infrações por "parar sobre a faixa de pedestres na mudança de sinal luminoso".

No extremo norte da cidade, em Parada de Taipas, avançar o sinal vermelho na conversão entre as avenidas Raimundo Pereira Magalhães e Cantídio Sampaio foi responsável por 3.979 infrações, 1.839 cometidas apenas em março --ou 71,89% de aumento em relação à média dos dois primeiros meses do ano, que era de 1.070 infrações mensais. Conversão proibida à esquerda foi responsável por 1.270 registros entre a avenida Escola Politécnica e a rua Jorge Ward, no Butantã (zona oeste). Também houve acréscimo de penalizações no local: se a média era de 383 infrações mensais ate fevereiro, passou 504 em março (31,6% a mais).

Marcelo Justo/UOL
Carro ultrapassa sinal vermelho em travessia de pedestres entre Haddock Lobo e Oscar Freire

Histórico de acidentes é importante para proibições

"Na interseção entre a avenida Escola Politécnica e a rua Jorge Ward, as placas de proibição de conversão poderiam ser melhores, mas parecem suficientes", afirma o professor em engenharia de transportes pela Escola Politécnica da USP Hugo Pietrantonio. De acordo com ele, pode existir realmente um excesso nas proibições de conversões à esquerda e outras poderiam ser permitidas.

"As condições de intervisibilidade parecem boas, embora não haja espaço ideal para acomodar filas de espera para conversão na rua Jorge Ward. Esta avaliação preliminar, no entanto, não é mais importante do que o histórico de acidentes do local", diz o professor.

Segundo ele, esse tipo de informação pode ser determinante para proibir, especialmente se há rotas alternativas adequadas para os movimentos. "Outro ponto é o impacto de eliminar a proibição na fluidez do local. Hoje você vê poucas conversões à esquerda no local porque elas são proibidas --são somente os transgressores--, mas o órgão técnico tem informação sobre o que ocorria antes."

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