Médico é condenado a 62 anos de prisão por estuprar pacientes em Florianópolis

Aline Torres

Colaboração para o UOL, em Florianópolis

O médico nutrólogo Omar César Ferreira de Castro, 67, foi condenado a 62 anos, sete meses e seis dias de prisão em regime fechado por estuprar pacientes. A sentença foi decretada às 19h desta quinta-feira (29) pela juíza da 3° Vara Criminal da Capital, Denise Helena Schild de Oliveira. A defesa poderá recorrer no Tribunal de Justiça de Santa Catarina.

Castro está preso desde o dia 16 de fevereiro do ano passado. Na ocasião ele foi levado de seu consultório, situado na rua Osmar Cunha, no Centro da capital catarinense, para a Central de Triagem.

Inicialmente, havia 14 denúncias contra o profissional. Outras, porém, surgiram ao longo da investigação, conduzida pelo delegado Ricardo Thomé. Há 38 boletins de ocorrência registrados contra o médico na Delegacia da Mulher de Florianópolis.

No julgamento, ele foi responsabilizado por 17 desses casos. O médico foi condenado por estuprar oito mulheres - incluindo uma vulnerável -, tentar violentar outras duas e molestar sete vítimas.

Castro é nutrólogo e pós-graduado em obesidade. As vítimas o procuraram com o objetivo de emagrecer. De acordo com os depoimentos anexados no inquérito policial de 135 páginas, "o médico tocava as costas e os seios das pacientes com argumento de examiná-las, mas, em seguida, forçava beijos e carícias". Algumas mulheres conseguiram escapar, outras foram dopadas e violentadas.

Ainda de acordo com a polícia, Castro já tinha comparecido para depor antes de fevereiro de 2016, mas nunca era preso por falta de provas. Foi uma servidora pública de 30 anos, a responsável pela reviravolta.

Em janeiro do ano passado, durante a consulta, Castro ofereceu um copo de água para a servidora e pediu para que ela bebesse tudo. A mulher, que não quis revelar seu nome, contou ao delegado que "apagou".

Ela se lembra apenas de alguns fragmentos do que teria acontecido. Segundo seu depoimento, o médico "estava de calças abaixadas, com uma camisinha na mão, enquanto ela estava deitada na maca, sem conseguir pedir socorro". Após o atendimento médico, a mulher foi levada para casa por uma amiga. Estava completamente dopada, não conseguia falar e dormiu um dia inteiro. Quando acordou, teve novas lembranças das cenas de estupro, segundo contou à polícia.

Ela voltou ao consultório para confrontar Castro e diz que, chorando, perguntou o que aconteceu. O médico respondeu: "Você não lembra? Transamos duas vezes e foi bem gostoso". A conversa foi registrada pela paciente com um gravador que estava em sua bolsa. As provas foram entregues à polícia e deram início ao inquérito.

De acordo com o advogado Francisco Ferreira, que atuou na acusação do médico representando seis vítimas, a sentença "serve para inibir essa prática por pessoas que fazem uso da profissão para se valer dela e praticar atos desumanos, como praticar violência sexual".

O advogado de Castro, Alceu Oliveira Pinto Júnior não atendeu às ligações do UOL e até o fechamento da reportagem não respondeu o e-mail enviado pela reportagem.

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